Google faz maior acordo para remo��o de carbono com projeto no Brasil

Google faz maior acordo para remo��o de carbono com projeto no Brasil

São Paulo O Google anunciou nesta quarta-feira (16) que firmou a maior compra de remoção de carbono da história da companhia. A parceria será com a empresa Terradot, que atua no Brasil e nos Estados Unidos, e começará com projeto no Rio Grande do Sul. No futuro, as atividades devem se estender para outras áreas do território nacional. O valor da transação não foi divulgado. O acordo prevê a captura até 2030 de 1 milhão de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente), a medida padrão dos gases de efeito estufa, por meio do corte nas emissões de metano em mais de 200 mil hectares de campos de arroz. Segundo a Terradot, isso será feito com a prática de umedecimento e secagem alternados, que drena periodicamente os arrozais e reduz o uso de água. A empresa ajudará produtores gaúchos a adotar as técnicas. Escritório do Google em Londres - Carlos Jasso - 24.jun.25/Reuters Outro 1 milhão de tonelada de CO2e será removido até 2040 com a tecnologia de intemperismo acelerado de rochas, baseada na aplicação de pó de rochas vulcânicas trituradas em solos agrícolas. O processo funciona da seguinte forma: o dióxido de carbono presente no ar reage com a água da chuva e forma ácido carbônico. Ao tocar a terra, o ácido reage com minerais presentes no pó de rocha e produz bicarbonato, molécula estável que penetra no solo. Com o passar do tempo, o bicarbonato alcança o lençol freático e os oceanos, carregando os átomos de carbono para longe da atmosfera. Devido a essas características, a remoção de CO2 com intemperismo de rochas é chamada de permanente. Cientistas apontam que a redução rápida das emissões de metano (CH4) é um atalho para combater o aumento das temperaturas. Uma molécula do gás aquece o planeta tanto quanto 30 moléculas de CO2, em média. Além disso, o metano emitido hoje fica cerca de dez anos na atmosfera, ao contrário do dióxido de carbono, que permanece por até um século. "Embora a maioria das soluções climáticas se concentre em horizontes de curto ou longo prazo, nossa parceria com a Terradot abordará os dois cronogramas simultaneamente", afirmou o Google em comunicado. James Kanoff, CEO da Terradot, disse que o projeto combina tecnologias comprovadas. "Com este novo modelo, cada tonelada de remoção atende ao mesmo padrão rigoroso e entrega impacto climático mais rápido do que nunca", declarou, em nota. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesComo a Folha mostrou, as emissões de carbono do Google subiram 18% em 2025 e alcançaram 14,4 milhões de toneladas de CO2e, uma consequência direta do avanço da inteligência artificial e da demanda por energia em data centers. A poluição pode ser ainda maior, porque a companhia usa a métrica de "emissões baseadas na ambição", que exclui outras atividades consideradas periféricas às suas operações centrais, como serviços de software e tecnologia da informação. Em 2021, o Google definiu a meta de alcançar a neutralidade de carbono em todas as operações até 2030, mas as emissões da companhia aumentaram em 80% desde 2019.

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