Victor Antoun, do Miss�o, diz que crime � 'problema do mal'

Victor Antoun, do Miss�o, diz que crime � 'problema do mal'

Durante a campanha para a eleição do dia 4 de outubro, o presidente do partido Missão, Renan Santos, gravou um vídeo em que dizia querer "espalhar Kims Kataguiris pelo Brasil". Um deles seria Victor Antoun. O carioca é filiado à legenda desde a sua criação, em 2023. Youtuber, ele quer ser deputado federal para combater a criminalidade no Rio de Janeiro, e abolir os cartórios. Veja a seguir a entrevista que ele concedeu ao Folhateen. O que te aproxima e o que te diferencia do deputado Kim Kataguiri? O Kim é um gamer. Eu não compartilho tanto desse mundo cultural. [Mas] Kim tem um gabinete muito técnico, muito enxuto e muito eficaz. Eu já tive a oportunidade de passar um tempo lá, e poucas pessoas em Brasília fazem algo remotamente parecido. Os gabinetes que a gente conhece costumam ter o deputado, uma secretária e outros cargos que vai saber o que fazem. Seu site apresenta quatro propostas principais. Pode explicá-las? O primeiro é guerra direta contra o crime organizado. Isso envolve mobilizar o Estado para lutar contra as facções e avançar na legislação para permitir avanços nas investigações e nas operações policiais. O segundo é a lei de responsabilidade gerencial, que vincula a administração municipal à melhora de indicadores sociais: o repasse da União para o município passaria a depender do avanço desses indicadores. Sou um grande defensor da abolição da instituição do cartório. O Brasil precisa de um intermediário para essas relações jurídicas, mas isso não precisa ser feito de forma tão custosa e tão arcaica como nos cartórios. Para fechar, há uma pauta de moradia muito forte na minha campanha. Quero avançar para uma legislação nacional que gere um compromisso dos municípios e dos estados com a construção de novas moradias, além de dedução de IPTU para quem está comprando a primeira casa. Essa é uma pauta muito cara para a geração Z. Por que o preço do aluguel disparou no Rio de Janeiro? A maior parte das pessoas acha que o preço da moradia estourou por causa do turismo. Mas o Rio ainda não está entre as dez cidades mais visitadas do mundo. Está muito longe disso. O problema é que as pessoas tomam imóveis como investimento. A partir do momento que o imóvel se torna reserva de valor, elas têm todos os incentivos do mundo para barrar a construção de novos e não diluir o valor da propriedade. Eu gostaria de avançar numa legislação que forçasse os municípios a liberar mais moradia. A gente conseguiria resolver o preço da moradia sem mexer com turismo, sem mexer com Airbnb. Por que há tanta debandada dentro do Missão? A política é altamente estressante. Colocar o seu nome à prova e se submeter a toda a rotina de candidato já deixa todo mundo a ponto de explodir, especialmente num partido pequeno e com financiamento muito baixo O segundo motivo é que o Missão tem uma construção centralizada e muito ideológica. Se a pessoa não estiver disposta a lidar com hierarquia, com cadeia de comando mesmo, pode ser uma experiência frustrante. A gente subscreve o diagnóstico do Livro Amarelo. A exigência é bem alta. E o Renan [Santos] é assim sobretudo porque acredita muito no partido. O senhor apoia classificar facções criminosas como organizações terroristas? Essa não é necessariamente a saída do Renan, mas acho que está direcionalmente certa. Geraria um avanço em termos de investigação, pelo menos. O confronto cinético também precisa endurecer, mas só de a gente conseguir investigar melhor, com mais certeza, já é um avanço. Eu seria a favor, sim. O que leva tantos jovens cariocas ao mundo do crime? Acho que a gente superestima os fatores econômicos que levam as pessoas à vida do crime. Muita estatística de reincidência mostra que é sobretudo um fenômeno comportamental, que pode estar dissociado da falta de oportunidade. Eu posso te mostrar sociedades pobres com alta criminalidade e sociedades ricas com alta criminalidade. O Rio ter tido um boom populacional ao mesmo tempo em que perdia indústria favoreceu muito a forma como as facções se alastraram. Parte da solução é trazer de novo indústria e competitividade para o estado. Não diria que as pessoas entram no tráfico por motivos econômicos, mas a economia ajuda a explicar. Mas acho que existe o problema do mal mesmo. Comportamentos antissociais que não são contidos cedo vão se acumulando. O que o senhor acha da proposta de proibir o Discord no Brasil? Uma proibição geral do Discord seria completamente absurda. Ele já entrou no dia a dia de muitas empresas. De forma geral, o estamento político no Brasil se tornou muito hostil à tecnologia. Ele odeia o que não entende, e, conforme a tecnologia acelera, tem tido muito medo. Vejo um mal-estar muito grande com a tecnologia e um tom cada vez mais moralista nas políticas públicas. Está virando lugar-comum a ideia de que a gente não pode se expressar como bem entende. Sou completamente contra

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