Veja tr�s gr�ficos sobre o El Ni�o recorde deste ano

Veja tr�s gr�ficos sobre o El Ni�o recorde deste ano

O El Niño deste ano já é intenso e ainda não parou de ganhar força. Os cientistas esperam que, até dezembro, quando os eventos de El Niño normalmente atingem o auge, este se torne o mais forte em pelo menos 80 anos de registros precisos —e talvez o mais poderoso em séculos. O fenômeno alterará os padrões climáticos em todo o planeta e poderá levar outros 49 milhões de pessoas à fome, segundo uma projeção do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. Também elevará temporariamente as temperaturas globais, que já vinham subindo por causa das mudanças climáticas. Previsões apontam para um El Niño mais forte que todos os demais. Os El Niños são, em essência, anomalias no oceano Pacífico tropical. Sua magnitude é medida pelo quanto as temperaturas na região ficam acima do normal. Para ser classificado como um super El Niño, as temperaturas precisam estar 2°C acima da média. Mas se espera que o fenômeno deste ano vá ainda mais longe, superando com folga os fortes El Niños anteriores, que começaram em 1997, 2015 e 2023. É incomum haver três El Niños fortes em 11 anos. Os cientistas divergem sobre se essa sequência é apenas uma coincidência ou se as mudanças climáticas podem estar tornando os eventos de El Niño mais frequentes e intensos. As temperaturas da superfície do Pacífico estão batendo recordes. A magnitude de um El Niño é medida em uma vasta zona retangular do Pacífico que se estende ao longo da linha do Equador. Na maioria dos anos, as temperaturas nessa região atingem um pico de cerca de 28°C em maio e depois caem suavemente durante o verão do Hemisfério Norte. Mas, em um ano de El Niño, as temperaturas fogem desse padrão —e, neste ano, estão disparando como nunca. Em nenhum outro ano já registrado elas permaneceram acima de 29°C em julho e agosto. Esse aquecimento ocorre em um oceano cuja temperatura vem aumentando há décadas, à medida que ele absorve o calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana. Os efeitos não se limitam ao Pacífico. No sábado (22), a temperatura média diária da superfície dos oceanos em todo o mundo chegou a 21,1°C, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da Europa, superando o recorde anterior, estabelecido em março de 2024. O El Niño também está elevando as temperaturas do ar em todo o planeta. O calor que se acumula perto da superfície do Pacífico tropical acaba aquecendo o planeta inteiro. Essa tendência demora algum tempo para se manifestar, mas El Niños recentes levaram a recordes anuais de calor global no ano seguinte à sua formação. Por isso, os cientistas esperam, em sua maioria, que 2027 seja o ano mais quente já vivenciado pela humanidade. Mas o calor também está alterando a trajetória de 2026. O primeiro semestre deste ano, embora de modo geral tenha sido mais quente do que em décadas anteriores, não chegou perto, na maior parte do período, dos recordes de calor estabelecidos em 2024. No entanto, dias recentes de agosto foram mais quentes do que as mesmas datas em qualquer ano anterior.

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