Berlim amanheceu de luto neste domingo (26) e caçando um suspeito de terrorismo. Na noite anterior, a cerca de 400 metros do Portão Brandemburgo, onde um show da Parada LGBTQIA+ encerrava um dia de festas, Abdul Ballout, 21, um cidadão alemão de origem libanesa, perpetrava ataque que matou uma pessoa e feriu outras 29. "Tudo indica que estamos diante de um ataque terrorista islâmico", declarou em pronunciamento Alexander Dobrindt, ministro do Interior da Alemanha, atualizando o número de feridos, que de madrugada era 16. "Neste momento, todas as forças policiais estão em plena mobilização, não apenas na cidade de Berlim, mas também em estações ferroviárias, aeroportos e nas fronteiras do país." Dobrindt confirmou a informação de que o jovem usou um facão para ferir pessoas depois de ter batido o veículo que usou no atropelamento em massa no Tiergarten, o grande parque arborizado de Berlim, cartão postal da capital alemã. Segundo o ministro, a área do ataque não fazia parte das festividades do Christopher Street Day, como a parada, uma das maiores no mundo, é conhecida na Alemanha. O evento, que, segundo a polícia, atraiu cerca de 700 mil pessoas durante todo o sábado, tinha 250 barreiras físicas no trajeto do desfile e forte presença policial. "Não se tratava do recinto do festival. As pessoas aqui presentes estavam no Tiergarten ou se encontravam no trajeto de entrada ou saída da festa. A análise detalhada do percurso e da trajetória do veículo está ocorrendo neste momento", afirmou Dobrindt, que não respondeu a perguntas. Ballout era conhecido da polícia. Seu endereço registrado na prefeitura foi revirado por integrantes de esquadrões antiterrorismo durante a madrugada. Curiosamente, o prédio fica próximo à Potsdamer Platz, a menos de 500 metros do local do ataque. O suspeito nasceu na Alemanha em 2005 e sua mãe obteve cidadania em 2012. O jovem, porém, tinha um histórico de agressões e roubos e era considerado simpatizante do Estado Islâmico, pela classificação da Justiça do país. Segundo reportagem do jornal Tagesspiegel, no ano passado Ballout tentou viajar para a Síria, acabou preso no Líbano e, três meses mais tarde, deportado. De volta à Alemanha, foi preso preventivamente.Em maio passado, recebeu condenação de um ano e dez meses de liberdade condicional, após concordar em se submeter a um programa de desradicalização. Sua primeira sessão seria nesta segunda-feira (27). O Ministério Público, porém, tinha pedido três anos, sob a acusação de Ballout ter planejado "grave ato de violência contra o Estado". O descompasso já era explorado pelo debate político neste domingo. Representantes da AfD, o partido populista de ultradireita alemão, acusavam o governo de Berlim de leniência no caso. Segundo especialistas, apenas na capital federal haveria cerca de 1.900 simpatizantes ou suspeitos de ligação com o terrorismo islâmico. O país vive um período pré-eleitoral importante. Em setembro, a AfD, segundo as pesquisas, pode fazer a maioria ou mesmo chegar ao poder em dois governos estaduais. Berlim também terá eleições, onde o partido também deve registrar votação expressiva. "Vamos dialogar com as autoridades de segurança para reunir as informações atuais e, se necessário, analisar como podemos, no futuro, prevenir tais atos terríveis", declarou Kai Wegner, prefeito da cidade, que prometeu se reunir ainda neste domingo com o Parlamento da cidade-estado para discutir o problema. Berlim e a Alemanha têm um histórico de atropelamentos em massa, normalmente motivados por terrorismo. O pior caso, o primeiro da série, ocorreu em 2016, quando 12 pessoas foram mortas e 56 ficaram feridas quando um caminhão invadiu o mercado de Natal na Breitscheidplatz. Em 2024, outro atropelamento em festa natalina deixou 6 mortos e centenas de feridos.
Simpatizante do Estado Isl�mico, suspeito em Berlim usou carro e fac�o contra v�timas
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