O Santander anunciou nesta quinta-feira (30) a intenção de lançar uma oferta pública para adquirir todas as ações em circulação de sua operação brasileira, que representam cerca de 10% do capital social do Santander Brasil. O objetivo é comprar a totalidade das ações ordinárias, preferenciais e ADSs (American Depositary Shares, as ações listadas nos EUA) em circulação do Santander Brasil que a matriz não possui. A operação proposta consiste em uma oferta de permuta, em que os acionistas do Santander Brasil receberiam novas ações emitidas pelo Santander global e listadas no Brasil. A operação deve envolver um prêmio de 15% sobre o preço dos papéis, em um total de até 1,9 bilhão de euros (R$ 11,1 bilhões). A instituição diz que a oferta será voluntária e não visa o cancelamento do registro do grupo na B3. Nesta quinta, as ações do Santander Brasuk terminaram o dia cotadas a R$ 25,25, em queda de 1,48%, depois de desabar 7,37% na quarta, em razão dos números do balanço do segundo trimestre, que mostraram queda no lucro, por fatores como a alta da inadimplência. A capitalização de mercado saiu de R$ 103,8 bilhões na terça-feira (28), antes da divulgação dos resultados, para R$ 95,3 bilhões nesta quinta. Os acionistas brasileiros que aceitarem a oferta serão pagos em BDRs ou ADSs, negociáveis na Bolsa de São Paulo e na Bolsa de Nova York, respectivamente. A relação é de 0,4056 BDRs ou ADSs do Banco Santander para cada unidade ou ADS do Santander Brasil. A oferta de permuta proposta pelo Santander é voluntária, e não há uma condição de aceitação mínima para ser concretizada. Os investidores poderão decidir aceitam a oferta e se tornar acionistas do grupo global ou se preferem manter suas ações na subsidiária brasileira. Depois da oferta feita pelo Santander, os acionistas que optarem por não fazer a troca podem ver a liquidez dos seus papéis cair significativamente, o que é prejudicial para o preço em Bolsa. O banco nega a intenção de promover o fechamento de capital do Santander Brasil. Dependendo dos resultados, os ADSs do Santander Brasil poderão ser excluídos da listagem na Bolsa de Valores de Nova York, informou o banco. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. A expectativa do Santander é que a medida contribua para os retornos por ação, fortaleça o crescimento dos lucros de longo prazo do grupo e a geração orgânica de capital. "A transação ressalta a confiança do Santander no potencial de sua subsidiária brasileira e permite aos acionistas do Santander Brasil se tornarem acionistas de um dos grupos financeiros mais fortes e lucrativos do mundo", disse o comunicado do banco ao mercado. Como parte da transação, o Santander também solicitará seu registro como emissor estrangeiro e o registro de suas ações para negociação no Brasil por meio de um programa de BDR (recibos depositários de ações, na sigla em inglês) —certificados negociados no Brasil que representam valores mobiliários emitidos no exterior. No texto, a CEO do Banco Santander, Ana Botín, afirmou que a transação é mais um passo da estratégia de simplificação do grupo. "Também oferece aos acionistas minoritários no Brasil um prêmio atrativo, juntamente com a oportunidade de participar da criação de valor da franquia global e diversificada do Santander", acrescentou. Pressionado pela inadimplência, o Santander Brasil teve um lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre deste ano, queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025. Com as perdas vindas dos calotes, o lucro veio abaixo dos R$ 3,723 bilhões esperados por analistas consultados pela Bloomberg. Esse é o primeiro resultado a ser apresentado na gestão do novo presidente do Santander, Gilson Finkelsztain, que até o fim do primeiro semestre comandava a B3, a Bolsa de Valores brasileira. O executivo substituiu Mario Leão em 1º de julho na missão de recuperar a rentabilidade do banco. RAIO-X SANTANDER BRASIL | 2º TRI DE 2026 Lucro líquido: R$ 3 bilhões ROAE: 12,5% Funcionários: 47.327 Agências: 858 Clientes: 76,2 milhões Fundação: em atividade no mercado local desde 1982 Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank
Santander anuncia inten��o de adquirir a��es que ainda n�o det�m da opera��o brasileira
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