Saiba como lidar com a ansiedade antes do Enem e se preparar para a prova

Saiba como lidar com a ansiedade antes do Enem e se preparar para a prova

A proximidade do Enem e a temporada de vestibulares pode levar estudantes a aumentar a ansiedade e as horas de estudo na tentativa de revisar todo o conteúdo antes das provas. A primeira fase da Fuvest foi realizada no domingo (1º), e o exame nacional acontecerá nos dias 8 e 15 de novembro. Na reta final, a prioridade é organizar a rotina, com revisões, descanso e equilíbrio emocional, sem ampliar excessivamente os estudos. Para isso, a Folha reuniu orientações de especialistas para ajudar os estudantes a controlar a ansiedade e planejar os últimos dias antes da prova. Veja abaixo: Revise conteúdos e evite comparações O ideal é aproveitar os últimos dias para reforçar o que já foi aprendido, em vez de tentar recuperar todo o conteúdo acumulado ao longo do ano. Mariana Chaves, psicopedagoga da rede Kumon, recomenda priorizar conteúdos-chave e questões de provas anteriores para identificar dúvidas. "É mais eficiente revisar conteúdos-chave, resolver questões de simulados e identificar algum ponto de atenção em que você continua inseguro do que tentar aprender grandes volumes de uma matéria", afirma Mariana. Gabrieli Ribeiro, coordenadora psicossocial do Elite Rede de Ensino, recomenda retomar temas dominados em blocos com pausas, o que fortalece a autoconfiança sem transformar a preparação em maratona. "A indicação não é estudar mais, é qualificar o que se tem como estudo. O estudante veio ao longo do ano se preparando para esse momento. Então, agora na reta final, estudar mais não é indicado", afirma Gabrieli. Outra orientação é evitar comparações com colegas ou com o próprio desempenho em anos anteriores. Para Mariana, esse tipo de pensamento aumenta a insegurança sem ajudar na preparação. O estudante também deve concentrar a atenção no que consegue controlar, como o planejamento e o tempo dedicado a cada atividade, em vez de se preocupar com a dificuldade da prova ou a nota dos concorrentes. Preserve o sono e reconheça os sinais de alerta Dormir menos, pular refeições ou abandonar o lazer prejudica a preparação. Gabrieli afirma que o cansaço dificulta a retenção e recomenda horários regulares para dormir, acordar e comer. "O aluno acha que o tempo está acabando, então tem que projetar mais algumas ações. Mas não é o 'mais', é a qualidade do que se faz. Qualificar os processos de estudo é muito mais importante do que deixar de dormir, deixar de comer, deixar de viver momentos de lazer", explica a coordenadora. Alterações no sono, apetite e humor merecem atenção. Mariana explica que a ansiedade pode interferir no cotidiano mesmo com aulas e tarefas em dia. Observar esses sinais ajuda a buscar apoio. Saiba como agir quando bater o nervosismo Durante a prova, a ansiedade pode provocar a sensação de que o conteúdo estudado desapareceu da memória, como o famoso "deu branco". Nesses momentos, a orientação é interromper por alguns instantes a sequência de pensamentos, respirar e voltar a atenção para a questão. Gabrieli sugere a técnica de respiração 4-7-8, que consiste em inspirar por quatro segundos, segurar o ar por sete e soltá-lo por oito, respeitando os limites individuais. Outra estratégia é começar pelas questões que o candidato domina. "Isso vai causar ali um aspecto bem importante de segurança", afirma a coordenadora. A proposta é avançar questão por questão, sem antecipar o resultado ou se desesperar diante de perguntas difíceis. Família deve acolher, não pressionar Pais e responsáveis podem ajudar ao oferecer apoio e um ambiente tranquilo para os estudos e observar mudanças de comportamento, sem transformar a aprovação em uma obrigação. "O que precisamos substituir ao máximo é essa pressão por transmitir confiança. Em vez de só dizer que ‘vai ficar tudo bem’, é perguntar ‘como você está se sentindo?’, ‘tem alguma coisa em que eu posso te apoiar?’, ‘hoje você está cansado?’", afirma a psicopedagoga. As especialistas ressaltam que a aprovação em um vestibular não determina todas as possibilidades de futuro. Para Mariana, parte da pressão vem da ideia de que uma única prova, uma nota ou a entrada em uma faculdade específica pode garantir o sucesso profissional. "Precisamos estar o tempo todo, de alguma forma, sinalizando para o estudante que está disputando uma vaga, e não o próprio futuro. É uma vaga, e essa vaga pode levá-lo a muitos lugares", afirma. A psicopedagoga ressalta que a escolha profissional não é definitiva e que trajetórias e possibilidades variadas ajudam a relativizar o peso da decisão. "Quanto mais esse estudante acreditar que apenas uma faculdade, um curso, uma nota pode garantir o futuro, mais a pressão vai aumentar."

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