Redu��o do a�o chin�s no Brasil alivia ArcelorMittal, que projeta aporte de mais de R$ 10 bi no pa�s

Redu��o do a�o chin�s no Brasil alivia ArcelorMittal, que projeta aporte de mais de R$ 10 bi no pa�s

São Paulo Uma das maiores produtoras de aço do mundo, a ArcelorMittal chegou a ameaçar interromper os investimentos no Brasil se o governo não impusesse um limite nas importações do aço de origem chinesa. A empresa está investindo R$ 25 bilhões no país, em um cronograma iniciado em 2022. Pouco menos da metade disso ainda está por ser realizado. A reclamação do setor siderúrgico é de que havia concorrência desleal frente ao volume importado. Após investigação, o governo decidiu aplicar, por até cinco anos, medidas antidumping às importações de aço oriundo da China e da Índia. Com a medida, as importações brasileiras de produtos de aço caíram 17,6% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período do ano anterior, segundo o Instituto Aço Brasil. "Não dá para dizer que as medidas não ajudaram. Ajudaram sim. Acho que depois de um debate longo com o governo, o pragmatismo começou a surtir efeito", diz Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil, em entrevista à Folha. Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira, CEO da ArcelorMittal Aços Planos América do Sul - Vitor Bermudes - 14.abr.23/Divulgação A participação do aço importado no mercado brasileiro chegou a ultrapassar a faixa de 25% em janeiro deste ano, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) compilados pelo Instituto Aço Brasil, mas em julho e agosto esteve em torno de 16%. "Mas ainda estamos longe de chegar a um nível suportável, o que seria na faixa dos 10% pela média histórica", diz Oliveira. O Brasil é o segundo principal mercado da ArcelorMittal, atrás apenas dos EUA. No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou receita de US$ 3,15 bilhões no Brasil, avanço de 12,2% frente aos US$ 2,81 bilhões obtidos entre janeiro e março. O Ebitda no país cresceu 20%, na mesma base de comparação, para US$ 401 milhões. Mais de um terço da receita (37%) da operação nacional está ligada ao mercado da construção, 25% ao setor automotivo, e 15% a bens de capital. Enquanto a construção civil lida com aumento de custos e o alto patamar dos juros, o setor automotivo tem sofrido com o avanço de carros chineses no país —esses, por sua vez, não demandam aço brasileiro, já que importam os kits com as peças para os veículos. Oliveira evita um diagnóstico setorial. Ele vê nos outros mercados um velho problema da indústria brasileira: o chamado custo Brasil. "Tudo passa pelo mesmo efeito. É preciso reduzir o custo Brasil para termos uma indústria forte. A industrialização gera emprego de qualidade", afirma. INVESTIMENTOS A ArcelorMittal deve investir mais de R$ 10 bilhões em sua operação brasileira nos próximos anos. Cerca da metade desse montante será na unidade Tubarão, na Serra (ES). A empresa irá instalar um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo na unidade —a nova linha terá capacidade para produzir 560 mil toneladas de produtos por ano. As novas usinas vão entregar produtos de alto valor agregado para setores como automotivo, construção civil e linha branca. A previsão é que a unidade entre em operação em 2030. A empresa também está na fase final dos estudos de viabilidade para ampliar sua usina no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, hoje voltada apenas à produção de placas de aço (produtos semiacabados). Com a expansão, a ideia é adicionar maior valor agregado ao portfólio nacional, convertendo essas placas em bobinas para o mercado interno, especialmente para abastecer os setores automotivo e da construção civil. "Estamos preparados para investir, desde que a equação da importação seja adequada para nosso crescimento", diz o executivo. "Nossa decisão de hoje é de longo prazo e perpassa governo." O Brasil tem a nona maior participação em produção de aço bruto no mundo. Segundo números da consultoria Worldsteel, o país representa 1,8% do mercado global. O top 5 é formado por China (51,9%), Índia (8,9%), Estados Unidos (4,4%), Japão (4,4%) e Rússia (3,7%). Oliveira não toma partido em relação a quem prefere que vença as eleições presidenciais deste ano, mas dá a sua cartilha para a melhoria do país no próximo governo. "É preciso reduzir o Custo Brasil para beneficiar a sociedade com menor custo. Também é importante reduzir o gás natural para a cadeia produtiva. A gente precisa de uma solução para o gás natural. E, apesar de o país ter apetite para energia renovável, o custo da energia no Brasil ainda é alto", afirma o CEO da ArcelorMittal Brasil. "Isso deve ser uma agenda de Estado." Ele se diz, ainda, otimista com a reforma tributária, que entrará em um período de transição entre 2029 e 2032, para reduzir progressivamente impostos como ICMS e ISS. "É esperado que a reforma tributária ajude o Brasil a crescer, simplificando, reduzindo cumulatividade e beneficiando a exportação", diz.

Original Source

Read the full article at C-level →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.