Por um programa de combate �s desigualdades

Por um programa de combate �s desigualdades

Está escrito no artigo 3º da nossa Constituição: "Constituem objetivos fundamentais do Brasil reduzir as desigualdades sociais e regionais". Apesar disso, para nossa vergonha, o Brasil, mesmo sendo a décima economia do mundo, aparece em todas as classificações de desigualdades como um dos cinco países mais desiguais do mundo. As desigualdades são diversas e interligadas: de renda, de patrimônio, sociais, econômicas, de gênero, de raça, territorial e ambiental –e estão na origem dos nossos grandes problemas, alimentam a cultura da violência e propiciam um terreno fértil para ideologias antidemocráticas. Envenenam as relações pessoais e institucionais. Não é por acaso que os países que oferecem uma melhor qualidade de vida para seus cidadãos são os menos desiguais. Sem reduzir as desigualdades não há a mínima chance de o Brasil superar seus imensos problemas. Reduzir as desigualdades significa redistribuição de poder e riquezas, o que enfrenta geralmente muitas resistências. Só um grande mutirão, uma grande mobilização poderia amenizar essas resistências. Este mutirão seria constituído na forma do programa "Artigo 3º - Combatendo as Desigualdades no Brasil", subordinado ao presidente da República, que indicaria um coordenador executivo para operá-lo. O coordenador teria uma equipe de apoio formada por pessoas cedidas por organizações participantes. O programa procuraria engajar os ministérios, os municípios e os estados, os Poderes Legislativo e Judiciário, as empresas, os sindicatos, a sociedade civil, as igrejas e as universidades em ações visando a redução das desigualdades. Cada setor indicaria um coordenador setorial, que teria um mandato e seria bancado por uma das organizações do setor que se responsabilizaria por sua infraestrutura de trabalho. Os parâmetros das ações e das avaliações seriam os indicadores das desigualdades dos temas acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades. Por exemplo: renda, riqueza e trabalho, segurança alimentar, educação, saúde, acesso a serviços básicos, representação política e no Judiciário, clima e meio ambiente, segurança pública etc. Haveria compartilhamento de políticas e de iniciativas exemplares brasileiras e internacionais. Seria elaborada uma campanha de comunicação visando ampliar a participação e dar visibilidade a iniciativas e propostas exemplares. Pela minha experiência empresarial, no governo e na sociedade civil organizada, tenho certeza de que este programa, apoiado pelos governos e por lideranças respeitadas da sociedade civil e até por organismos internacionais, teria uma grande receptividade e colaborações voluntárias. Enfrentaria os obstáculos que impedem o Brasil de ser um país desenvolvido, justo, próspero e pacífico. Lutar por justiça foi sempre um imperativo ético para a humanidade e continua sendo para cada um de nós. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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