O YouTube Shopping, ferramenta de compras da plataforma de vídeos, negocia para ter novos varejistas online para seu programa de afiliados no Brasil até o fim de 2026, quando a plataforma completa um ano de operação no país. Segundo a gerente de parcerias do YouTube Shopping Brasil, Manuelle Pires, os novos entrantes incluem parceiras pedidas pelos próprios criadores —hoje o programa reúne Mercado Livre, Grupo Magazine Luiza e Shopee como parceiros de marketplace. A empresa não revela quais são os varejistas, mas são ao menos dois, de categorias semelhantes às já existentes. Apesar da expansão, a empresa descarta se tornar um marketplace próprio, aos moldes da TikTok Shop. "Queremos ser a ponte entre os principais marketplaces do país com nossos criadores", diz Pires. A estratégia é operar como vitrine e redirecionar o usuário para o e-commerce parceiro no momento da compra, sem sair da experiência de vídeo. Entre as categorias de produto, tecnologia e decoração (home decor) se destacam em conversão, apesar do ticket alto. A executiva atribui o desempenho aos formatos de vídeo longo, que permitem resenhas mais aprofundados e geram maior confiança do espectador antes da compra. A seleção dos parceiros é apresentada por Manuelle como o principal fator de confiança dos usuários no processo de compra. Segundo ela, o YouTube Shopping opera como uma plataforma "gated" (fechada, em inglês), isto é, somente varejistas convidados podem usar o site como vitrine —não basta se cadastrar. A manutenção do sistema é uma estratégia para demonstrar controle de qualidade sobre o que os criadores recomendam, segundo Pires. A executiva cita dado interno de que 90% das pessoas que assistem a um vídeo de review confiam no criador e realizam uma compra a partir dessa recomendação. Por isso, segundo ela, a escolha de parceiros como Mercado Livre, Grupo Magazine Luiza e Shopee não se resume ao volume de vendas desses marketplaces —passa também pela reputação já consolidada dessas empresas no mercado brasileiro, para evitar que criadores recomendem produtos falsificados ou marcas pouco confiáveis a uma audiência que deposita credibilidade neles. Comissão para criadores Para os criadores, a monetização via comissões de afiliados já supera a receita de anúncios em alguns casos —o que ajuda a reter influenciadores na criação de vídeos no YouTube, em detrimento de migrar para plataformas como TikTok e Reels (Instagram). Segundo Manuelle, criadores mais nichados, como os focados em "unboxing" (abertura de pacotes de compras e encomendas) e apresentação de produtos, hoje "recebem mais de 5 vezes em comissão do que com o dinheiro de AdSense [parcela de remuneração recebida por criadores de conteúdo a partir da transmissão de anúncios em seus vídeos]". Ainda na fase de testes da plataforma no Brasil, antes do lançamento oficial em novembro de 2025, parte dos criadores já registrava receita de comissão mais que o dobro do AdSense. IA nas vendas Do lado da tecnologia, a empresa também prepara ferramentas de inteligência artificial para identificar automaticamente os produtos citados por criadores em vídeos, pela fala ou pela imagem, e gerar a marcação (tag) de compra sem que o criador precise fazer isso manualmente pelo YouTube Studio, como acontece hoje. Outra frente é o consumo via TV conectada, que a empresa diz ter crescido durante a Copa do Mundo, com o canal CazéTV marcando produtos como camisas de jogadores durante transmissões ao vivo. A empresa afirma que pretende lançar recursos de checkout facilitado voltados a esse tipo de consumo, reduzindo etapas entre a descoberta do produto na TV e a finalização da compra. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Plataforma de compras do YouTube negocia a entrada de novos varejistas neste ano
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