Londres |Financial Times Empresas que publicam planos detalhados para a transição climática costumam obter custos de empréstimos menores do que os de concorrentes que não divulgam esse tipo de documento, segundo estudo encomendado por uma força-tarefa de reguladores financeiros. A ITPN (International Transition Plan Network) constatou que, entre 2016 e 2023, empresas de capital aberto que publicaram planos completos para lidar com os impactos das mudanças climáticas e reduzir suas próprias contribuições para o aquecimento global pagaram taxas efetivas de juros anuais menores sobre suas dívidas em aberto. Em média, os custos de empréstimos foram 0,8 ponto percentual inferiores aos das empresas que não divulgaram esses planos. Turbinas eólicas próximas à mina a céu aberto de Garzweiler II, em Erkelenz-Holzweiler, na Alemanha. - Ina Fassbender - 20.out.26/AFP Analistas afirmam que investidores podem interpretar essas divulgações como um sinal de melhor gestão dos riscos climáticos e de maior confiabilidade da empresa. A pesquisa foi divulgada após anos de reação contrária a investimentos orientados por critérios de ESG (ambientais, sociais e de governança), especialmente nos Estados Unidos. Investidores questionaram se evitar combustíveis fósseis ou promover impactos climáticos positivos melhorava o desempenho dos investimentos. "A justificativa econômica [...] é que, se você mostra aos investidores que leva o aquecimento global a sério, tem mais chances de estar preparado para viver em um mundo daqui a 10 ou 20 anos, quando a regulamentação climática será muito mais rigorosa", afirmou Simone Varotto, professor de finanças da Universidade de Reading, no Reino Unido. "Isso aumenta sua capacidade de sobreviver no futuro." Os planos de transição podem incluir metas de emissão líquida zero, explicações sobre os riscos e as oportunidades decorrentes da transição verde, evidências de participação em discussões sobre políticas públicas e indicadores de emissões de dióxido de carbono (CO₂), por exemplo. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Reguladores da União Europeia e do Reino Unido desenvolveram estruturas de referência para planos de transição empresarial, mas não tornaram obrigatória a publicação desses documentos. O Banco Central Europeu afirmou que pretende realizar "exercícios de supervisão direcionados" sobre o planejamento prudencial da transição climática dos bancos, como parte de suas prioridades regulatórias para os próximos dois anos. O estudo sobre custos de empréstimos foi elaborado pela consultoria SCS Consulting Services, revisado por especialistas da Universidade de Oxford e encomendado pela ITPN, cujos membros incluem formuladores de políticas públicas, reguladores e outros representantes de países como Reino Unido, Japão, Brasil e Austrália. A pesquisa analisou o desempenho e as divulgações de quase 8.000 empresas em todo o mundo, levando em conta fatores como porte, setor e região. Além da aparente relação com os custos de empréstimos, o estudo constatou que a divulgação de planos de transição climática não teve impacto significativo sobre os lucros ou o desempenho das ações. Uma limitação da pesquisa, apontada por alguns analistas, é que ela não diferenciou os custos de empréstimos de acordo com o tipo de dívida. Estudos anteriores de acadêmicos constataram que o chamado greenium —diferença que permite a empresas mais alinhadas às metas climáticas captar recursos a custos menores no mercado de títulos— é pequeno e pode oscilar conforme a disposição política para adotar medidas contra as mudanças climáticas. Além disso, Nicola Ranger, professora especializada em finanças sustentáveis na Escola de Economia de Londres, afirmou ser "incerto" se a divulgação dos planos foi a causa da redução dos custos de empréstimos. Segundo ela, os resultados podem refletir, em parte, a capacidade de elaboração de relatórios e a transparência das empresas, fatores que provavelmente estão relacionados à qualidade da gestão. Ulf Erlandsson, gestor sênior de carteiras de crédito do fundo de pensão público sueco AP4 e fundador do Anthropocene Fixed Income Institute, organização sem fins lucrativos dedicada aos impactos climáticos dos investimentos em renda fixa, afirmou, porém, que os resultados refletem suas próprias pesquisas sobre a preferência dos investidores por emissores de títulos com menores emissões de CO₂. "Os resultados do estudo corroboram o que estamos constatando empiricamente em estratégias de negociação", afirmou. A relação entre planos de transição e custos de empréstimos identificada pelo estudo da ITPN foi mais forte entre empresas de serviços financeiros e do setor imobiliário em economias desenvolvidas e entre empresas de saúde em economias em desenvolvimento. Ulrich Volz, diretor do Centro de Finanças Sustentáveis da Soas, Universidade de Londres, afirmou que o relatório da ITPN mostra o que ele espera que aconteça no futuro, mas que talvez ainda não esteja ocorrendo nos mercados. As ações de empresas petrolíferas, por exemplo, tiveram desempenho forte neste ano. "Não vimos realmente os mercados recompensarem as empresas que adotam uma abordagem mais sustentável", afirmou.
Planos clim�ticos reduzem custo de cr�dito para empresas, diz estudo
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