Pelo menos sobrevivemos para recome�ar, diz moradora de Pelotas (RS) ap�s temporal destruir casa

Pelo menos sobrevivemos para recome�ar, diz moradora de Pelotas (RS) ap�s temporal destruir casa

No bairro Simões Lopes, em Pelotas (RS), moradores comparam o cenário após o temporal da madrugada de segunda-feira (21) ao de uma zona de guerra. Pilhas de entulho se acumulam nas calçadas, enquanto a imagem de postes e fios caídos se repete pelas ruas. "É difícil de acreditar. A gente vê essas coisas na televisão, mas nunca imagina que vai ser com a gente", diz Maurício Soares, 35. O pai dele diz parecer que uma bomba foi jogada na rua Clóvis Bevilaqua, onde Maurício mora. Ele trabalha com frete e tem um estacionamento. Cerca de dez carros estavam no estabelecimento durante a noite do temporal e foram danificados. "Algumas pessoas entendem, mas outras não querem nem saber", diz Maurício, que ainda não levantou o tamanho do prejuízo dos clientes. Mas essa não é a maior preocupação dele. A casa onde ele, a mulher e os quatro filhos moram fica ao lado do estacionamento e foi completamente destruída. O vento levou janelas e telhado. Móveis, eletrodomésticos e roupas foram danificados pelos destroços e pela chuva. A geladeira foi um dos poucos bens que eles conseguiram salvar. A passagem do temporal foi rápida e intensa. Juliete Cardoso, 36, mulher de Maurício, conta que a sensação foi de que, em questão de segundos, eles estavam desabrigados. Ela relata que teve tempo de rezar, abraçar os filhos e se esconder. Eles se abrigaram embaixo de uma cama em um dos quartos da casa —o menos atingido pelo vento. "Nós não temos religião, mas só pode ter sido Deus que nos salvou. Não tinha como sairmos vivos daqui", desabafa. A família ainda não definiu os próximos passos da reconstrução. Esperam receber ajuda de autoridades como a Defesa Civil, mas também têm recebido apoio de vizinhos, amigos e até desconhecidos. Juliete diz que, apesar dos prejuízos, agradece que os danos foram apenas materiais. Os cachorros da família, que estavam no pátio da casa, também não se feriram, conta. "A casa, para mim, não tem reforma. Está condenada. É difícil, mas a gente aceita. A perda dos meus filhos eu não aceitaria. Pelo menos estamos aqui para recomeçar", diz. Quem vive no bairro há décadas diz nunca ter visto algo igual. É como define a aposentada Ema Moreira, 73, que mora no Simões Lopes há 30 anos. A casa foi destelhada em algumas partes e o portão da frente quebrou. Perto dali, o casal de aposentados Rosamélia, 67, e Jairo Calmon, 66, também moradores da região há cerca de 30 anos, ecoa o sentimento. A casa deles foi uma das poucas da rua Barão de Iguatemi em que não houve danos. "Quando saí na rua, deu vontade de chorar. É um clima de tristeza que toma conta da cidade. Além do susto na madrugada", diz ela. A casa deles, como muitas pela cidade, ainda estava sem energia elétrica na tarde desta terça-feira (22). "Nunca tinha visto isso e espero não ver de novo", diz Jairo. No entanto, a noite seguinte ao temporal ainda foi de sono leve, com o barulho do vento causando preocupação, ele relata. "Cheguei a pensar ‘meu Deus, vai ser de novo a mesma coisa’". As chuvas e alagamentos que atingem o Rio Grande do Sul desde sexta-feira (18) deixaram 4 mortos, 3 feridos, 1 pessoa desaparecida, 563.931 pessoas afetadas, 703 desabrigadas, 3.231 desalojadas, 22 casas destruídas, 463 danificadas, 2.177 destelhadas e 852 alagadas, segundo a Defesa Civil. O órgão estadual informou ainda que 53 escolas ficaram danificados, assim como 25 centros de saúde e 16 outros estabelecimentos públicos. O levantamento divulgado às 17h11 desta terça informou que 155 municípios gaúchos foram atingidos pelo vendaval, sendo que houve registro de danos humanos ou materiais em 145 deles. Pelotas foi o local onde mais moradores foram afetados. Uma pessoa morreu e 336.151 sofreram algum tipo de prejuízo provocado pelo vendaval. Guaporé, na região serrana, por outro lado, foi o município com o maior número de danos materiais registrados: 658, sendo 1 casa destruída, 3 casas danificadas, 578 alagadas, 1 centro de saúde danificado, 2 escolas danificadas, 1 estabelecimento público atingido, 28 outros estabelecimentos atingidos, 30 obras de infraestrutura pública danificadas, 3 obras de infraestrutura pública destruídas, 4 postes ou trechos de fiação danificados e 7 vias locais obstruídas.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.