São Paulo Eleito mais uma vez o melhor teatro lírico de São Paulo, o Municipal é responsável pela maior (e mais significativa) parte das óperas encenadas na cidade. Nos últimos anos, não faltaram montagens marcantes na centenária casa de espetáculos da região central, que se mantém em evidência pela qualidade de suas instalações e pela excelência de sua programação —ainda que tenha sido palco de discordâncias entre seus gestores, a prefeitura e a opinião pública. A soprano Ailyn Pérez e o tenor Atalla Ayan na ópera Don Carlo, no Theatro Municipal - Eduardo Knapp/Folhapress Sob ferrenha oposição do público mais conservador, as temporadas recentes articularam repertórios consagrados com inovação e a busca por jovens audiências. De um lado, reconhecidos títulos, como "Aida", "Madama Butterfly" e "Carmen". Do outro, criações mais alinhadas ao presente: óperas contemporâneas, encomendas inéditas e projetos especiais que expandiram os limites do gênero. Exemplo dessa síntese foi "O Guarani", a célebre ópera de Carlos Gomes que mereceu nova leitura em 2023, com concepção de Ailton Krenak e direção cênica de Cibele Forjaz —a montagem conseguiu conciliar o respeito ao repertório histórico com a necessidade de renovação estética, mas ficou longe de ser uma unanimidade entre os espectadores. Desde junho deste ano, o complexo do Theatro Municipal está sob nova direção: o Instituto Baccarelli, que assumiu a gestão como organização social responsável e anunciou mudanças na curadoria. Nesse breve período, já houve saída do diretor artístico e cancelamento de obras previamente anunciadas para o segundo semestre de 2026. Mesmo sob certa turbulência, o cartão-postal da cidade permanece em boa forma. Inaugurado em 1911, o edifício do arquiteto Ramos de Azevedo preservou a pompa antiga, sem ter ficado parado no tempo. Por ocasião do seu centenário, a casa inspirada na Ópera de Paris passou por ampla reforma e restauração. A estrutura tecnológica de seu palco foi atualizada e oferece condições de luz, som e maquinaria para as mais ousadas experiências cênicas. É possível colocar a plateia diante de um espelho d’água, como foi feito em 2024, com "Nabucco". Ou erguer em cena edifícios que parecem tijolos gigantes, como ocorreu no ano passado, com "Porgy and Bess". Os cuidados ultrapassaram a modernização do palco, chegando a alguns de seus ambientes mais conhecidos. Os irmãos Campana trouxeram seu design para o café-restaurante, com mesas e luminárias em bronze de formas espirais e geométricas, e para o Salão Nobre, com uma monumental tapeçaria colorida. Na plateia, o brilho é o dos anos dourados. Depois de uma mudança na década de 1980, que havia lhe deixado com um verde esmaecido nas poltronas, o Municipal retomou a aparência original e a cor vermelha. São cerca de 1.500 lugares para quem quiser ver —ou rever— um dos maiores patrimônios e orgulhos de São Paulo. Theatro Municipal Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, República, região central
Patrim�nio de S�o Paulo, Municipal � o principal teatro l�rico da cidade
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