O Nobel de Literatura de 2026 foi para a poeta e ensaísta canadense Anne Carson, segundo anunciou a Academia Sueca na manhã da quinta (8). É a consagração de uma autora que, há pelo menos uma década, era tida como uma favorita ao prêmio por seu trabalho inovador com a língua inglesa, realizando um tipo de vanguarda experimental intrinsecamente ligada aos clássicos. Seus livros costumam beber da literatura grega e latina, assim como de autores basilares da filosofia e das letras inglesas, e desafiam gêneros ao misturar poesia a prosa, ensaio, tradução e não ficção. Aos 76 anos, Carson é apenas a terceira canadense a levar o prêmio e vence 13 anos após sua conterrânea contista Alice Munro. Ela é também a 19ª mulher a ganhar a premiação, realizada desde 1901. O primeiro livro de Carson foi "Eros, o Doce-Amargo", lançado em 1986 e reeditado em 1998, uma investigação em poesia, teoria e ensaio sobre a natureza do desejo, um tema comum em suas obras. Desde então, lançou mais de 15 livros, como que elaborandou um gênero literário muito próprio. Na tradução, Carson leva ao inglês textos clássicos que banha em anacronismos e coloquialismos: em sua tradução da peça "Antígona" de Sófocles, por exemplo, ela dá a um dos personagens um barco a motor. Assim, a nova Nobel de Literatura embaralha tanto as fronteiras do cânone literário quanto as normas da tradução. Apesar de sua importância para a literatura mundial, Carson foi trazida pela primeira vez ao Brasil apenas em 2017, quando Vilma Arêas e Fernando Guimarães traduziram "O Método Albertine" para as Edições Jabuticaba. Depois dali, saíram no país uma série de obras de Carson, por diversas editoras correndo atrás do prejuízo: "Sobre Aquilo em que Eu Mais Penso" e "Autobiografia do Vermelho", pela Editora 34, "Eros, o Doce-Amargo" e "A Beleza do Marido" pela Bazar do Tempo, e "Falas Curtas" e "Vidro, Ironia e Deus", publicados pela Relicário. A premiação do Nobel de Literatura deste ano é de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a quase 6 milhões de reais. VEJA TODOS OS VENCEDORES DO NOBEL DE LITERATURA ATÉ HOJE 2025: László Krasznahorkai (Hungria) 2024: Han Kang (Coreia do Sul) 2023: Jon Fosse (Noruega) 2022: Annie Ernaux (França) 2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia) 2020: Louise Glück (EUA) 2019: Peter Handke (Áustria) 2018: Olga Tokarczuk (Polônia) 2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido) 2016: Bob Dylan (EUA) 2015: Svetlana Aleksiévitch (Bielorrússia) 2014: Patrick Modiano (França) 2013: Alice Munro (Canadá) 2012: Mo Yan (China) 2011: Tomas Tranströmer (Suécia) 2010: Mario Vargas Llosa (Peru) 2009: Herta Müller (Romênia-Alemanha) 2008: J.M.G. Le Clézio (França) 2007: Doris Lessing (Reino Unido, mas nasceu no Irã e cresceu no Zimbábue) 2006: Orhan Pamuk (Turquia) 2005: Harold Pinter (Reino Unido) 2004: Elfriede Jelinek (Áustria) 2003: J.M. Coetzee (África do Sul) 2002: Imre Kertész (Hungria) 2001: V.S. Naipaul (nasceu em Trinidad e Tobago, mas vive no Reino Unido) 2000: Gao Xingjian (China) 1999: Günter Grass (Alemanha) 1998: José Saramago (Portugal) 1997: Dario Fo (Itália) 1996: Wislawa Szymborska (Polônia) 1995: Seamus Heaney (Irlanda) 1994: Kenzaburo Oe (Japão) 1993: Toni Morrison (Estados Unidos) 1992: Derek Walcott (Santa Lúcia, ilha do Caribe) 1991: Nadine Gordimer (África do Sul) 1990: Octavio Paz (México) 1989: Camilo Jose Cela (Espanha) 1988: Naguib Mahfouz (Egito) 1987: Joseph Brodsky (EUA, de origem russa) 1986: Wole Soyinka (Nigéria) 1985: Claude Simon (França) 1984: Jaroslav Seifert (Tchecoslováquia) 1983: William Golding (Reino Unido) 1982: Gabriel García Márquez (Colômbia) 1981: Elias Canetti (Reino Unido, de origem búlgara) 1980: Czeslaw Milosz (Polônia) 1979: Odysseus Elytis (Grécia) 1978: Isaac Bashevis Singer (EUA, de origem polonesa) 1977: Vicente Aleixandre (Espanha) 1976: Saul Bellow (EUA) 1975: Eugenio Montale (Itália) 1974: Eyvind Johnson (Suécia) e Harry Martinson (Suécia) 1973: Patrick White (Austrália) 1972: Heinrich Böll (Alemanha) 1971: Pablo Neruda (Chile) 1970: Alexander Soljenítsin (URSS) 1969: Samuel Beckett (Irlanda) 1968: Yasunari Kawabata (Japão) 1967: Miguel Ángel Asturias (Guatemala) 1966: Samuel José Agnon (Israel) e Nelly Sachs (Alemanha e Suécia) 1965: Mikhail Sholokhov (URSS) 1964: Jean-Paul Sartre (França; recusou o prêmio) 1963: Giórgos Seféris (Grécia) 1962: John Steinbeck (EUA) 1961: Ivo Andric (Iugoslávia) 1960: Saint-John Perse (França) 1959: Salvatore Quasimodo (Itália) 1958: Boris Pasternak (União Soviética; renunciou ao prêmio) 1957: Albert Camus (França) 1956: Juan Ramón Jiménez (Espanha) 1955: Halldór Kiljan Laxness (Islândia) 1954: Ernest Hemingway (Estados Unidos) 1953: Winston Churchill (Reino Unido) 1952: François Mauriac (França) 1951: Par Lagerkvist (Suécia) 1950: Bertrand Russell (Reino Unido) 1949: William Faulkner (EUA) 1948: T.S. Eliot (Reino Unido, nascido nos EUA) 1947: André Gide (França) 1946: Hermann Hesse (Alemanha) 1945: Gabriela Mistral (Chile) 1944: Johannes V. Jensen (Dinamarca) 1940-1943: não foi concedido 1939: Frans Eemil Sillanpää (Finlândia) 1938: Pearl S. Buck (EUA) 1937: Roger Martin du Gard (França) 1936: Eugene O'Neill (EUA) 1935: não foi concedido 1934: Luigi Pirandello (Itália) 1933: Ivan Bunin (URSS) 1932: John Galsworthy (Reino Unido) 1931: Erik Axel Karlfeldt (Suécia) 1930: Sinclair Lewis (EUA) 1929: Thomas Mann (Alemanha) 1928: Sigrid Undset (Noruega) 1927: Henri Bergson (França) 1926: Grazia Deledda (Itália) 1925: George Bernard Shaw (Irlanda) 1924: Wladyslaw Reymont (Polônia) 1923: W.B. Yeats (Irlanda) 1922: Jacinto Benavente (Espanha) 1921: Anatole France (França) 1920: Knut Hamsun (Noruega) 1919: Carl Spitteler (Suíça) 1918: Não foi concedido 1917: Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan (ambos da Dinamarca) 1916: Verner von Heidenstam (Suécia) 1915: Romain Rolland (França) 1914: não foi concedido 1913: R. Tagore (Índia) 1912: Gerhart Hauptmann (Alemanha) 1911: M. Maeterlinck (Bélgica) 1910: Paul Heyse (Alemanha) 1909: Selma Lagerlöf (Suécia) 1908: Rudolf Eucken (Alemanha) 1907: Rudyard Kipling (Reino Unido, mas nasceu na Índia) 1906: Giosuè Carducci (Itália) 1905: Henryk Sienkiewicz (Polônia) 1904: Frédéric Mistral (França) e José Echegaray (Espanha) 1903: Bjornstjerne Bjornson (Noruega) 1902: Theodor Mommsen (Alemanha) 1901: Sully Prudhomme (França)
Nobel de Literatura premia Anne Carson, canadense que renovou a l�ngua inglesa
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.