Nig�ria rastreia contatos ap�s caso de ebola ficar 17 dias sem isolamento

Nig�ria rastreia contatos ap�s caso de ebola ficar 17 dias sem isolamento

Mais de uma semana depois da confirmação do primeiro caso de ebola na Nigéria, continuam sem resposta questões urgentes sobre como o vírus chegou ao país mais populoso da África. O primeiro caso foi o de uma ugandense de 42 anos que vivia em Abuja, capital da Nigéria, com o marido, um diplomata suíço. Ela testou positivo para o vírus na semana passada e foi evacuada para a Suíça na segunda-feira, em condição estável. Ainda não está claro onde e como a paciente foi infectada pelo ebola. Mas ela permaneceu na capital nigeriana por 17 dias antes de testar positivo para o vírus. Segundo autoridades de saúde nigerianas, a paciente havia viajado para Uganda, onde permaneceu por duas semanas e meia. Ela voltou à Nigéria em 3 de outubro e procurou uma clínica de saúde em 6 de outubro, com sintomas semelhantes aos da malária. Em 11 de outubro, foi a outra clínica e ficou internada para tratamento adicional. Mas só em 20 de outubro, nessa segunda clínica, ela foi submetida a um teste de ebola. O resultado foi positivo, e a paciente foi isolada. Uma equipe de cientistas dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças chegou a Abuja na semana passada. Uma parte fundamental da investigação é determinar até onde e com que rapidez o vírus pode ter se propagado para dentro e para fora da cidade durante esse intervalo de 17 dias, em meio a voos diários para a Europa, os Estados Unidos e outras regiões da África. "Este é um dos aspectos mais preocupantes da investigação", diz Jean Kaseya, diretor-geral do CDC África. A maior preocupação das autoridades de saúde é determinar quando a paciente começou a apresentar sintomas, porque, fora desse período, acredita-se que o vírus não seja contagioso. Mais de 50 pessoas que podem ter tido contato direto com a paciente já foram identificadas e isoladas, afirma Jide Idris, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Nigéria. Idris diz que esse número pode aumentar à medida que mais pessoas forem identificadas. Até agora, nenhum dos contatos testou positivo, afirmou, mas eles precisarão permanecer isolados por "pelo menos 21 dias". Até este mês, o atual surto de ebola, causado pela cepa Bundibugyo, estava praticamente restrito à República Democrática do Congo, onde a Organização Mundial da Saúde declarou uma emergência sanitária global em maio. Desde então, foram registrados casos em Uganda, no Quênia e na Nigéria. Pelo menos oito províncias da RDC foram afetadas. Foram registrados mais de 10 mil casos e 4.887 mortes. Uganda não registra casos ativos de ebola desde agosto, quando reabriu sua fronteira com o Congo. Mas essa informação agora está sendo questionada, enquanto os investigadores ampliam o escopo da apuração para incluir a possibilidade de que a paciente nigeriana tenha contraído o vírus em Uganda. Chris Baryomunsi, ministro da Saúde de Uganda, anunciou no domingo que cidadãos vindos do Congo passariam a cumprir uma quarentena obrigatória de 21 dias. As autoridades ugandenses rejeitaram a hipótese de que a paciente tenha sido infectada no país. O Quênia confirmou nove casos de ebola e duas mortes desde que o primeiro caso foi registrado, no início de outubro. Nesse caso, o paciente era um congolês que viajou para o Quênia e foi isolado ao chegar. A paciente nigeriana só foi totalmente isolada quando testou positivo, 17 dias após voltar de Uganda. Os casos iniciais de ebola na Nigéria e no Quênia passaram pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, em Uganda, em 3 de outubro. Os dois pacientes transitaram pelo aeroporto naquele dia, embora tenham partido de portões distintos e embarcado em voos diferentes, com cerca de 40 minutos de intervalo, segundo a Reuters. "Precisamos determinar se os pacientes estiveram no aeroporto em horários coincidentes, se houve uma possível interação que os expusesse ao vírus, se algum deles apresentava sintomas e se pode ter existido um caso intermediário", diz Kaseya. Enquanto isso, a Nigéria não registrou nenhum caso adicional. "Não pode simplesmente haver um único caso. Onde estão todos os outros?", questiona Ayoade Alakija, especialista em saúde da Iniciativa de Investimento em Saúde Global do Grupo dos 7. "Houve uma exposição muito maior da população em geral na Nigéria do que no Quênia, porque o caso permaneceu desconhecido por duas semanas." Ainda assim, a vida na Nigéria segue normalmente. Nenhuma restrição foi imposta a eventos públicos, incluindo comícios da campanha para a eleição presidencial de janeiro. Muitos nigerianos demonstraram ceticismo em relação ao ebola, e alguns o descrevem como uma farsa do governo para ajudar os que estão no poder. Fatima Ahmad, 32, que administra um negócio de alimentos no Mercado Garki, em Abuja, diz que ouviu falar do caso de ebola na cidade, mas não o levou a sério. Ela acredita que o ebola está sendo usado para ajudar o presidente Ahmed Tinubu a conquistar um segundo mandato. "Sinceramente, se você não tivesse me perguntado sobre isso hoje, eu teria esquecido completamente", afirmou. "Não sei como, mas é nisso que acredito, porque não confio nos políticos nigerianos."

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