A Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), um conjunto de organizações com capilaridade nacional, vem, mais uma vez, reafirmar seu compromisso com o Brasil, defendendo um projeto de nação no qual soberania, manutenção e ampliação dos direitos, política econômica com força para garantir o crescimento do país e vida digna para a população, universalização dos serviço de saúde, investimento maciço na educação, programas viáveis de segurança pública, apoio à cultura, expansão da moradia, garantia de liberdade religiosa, defesa do estado laico e fim da escala 6x1 sejam tópicos inegociáveis. Além desses itens, não se tem como abrir mão da necessidade urgente de uma ação comunicativa que seja capaz de sair do espectro da desinformação e das fake news e promover vínculos que favoreçam uma opinião pública qualificada. Nestas eleições, estamos testemunhando um rebaixamento no espaço coletivo (tanto na ambiência digital como na material), que desceu escalas abissais por conta da degradação de alguns setores institucionais e de sua relação com interesses privados. Não podemos deixar de mencionar as consequências do aprofundamento de uma política de inimizade que desfez o frágil laço social.Em meio a uma atmosfera tóxica, em que pouco se fala dos assuntos de interesse do país, é preciso discernimento para escolhermos o melhor projeto que se apresenta neste pleito de 2026. Sejam quais forem as perspectivas que adotarmos para um exame dos postulantes ao cargo mais importante do país, a reeleição do presidente Lula (PT) é, inegavelmente, a melhor escolha. Olhe-se para onde se olhe os dados são inequívocos. Para ficarmos apenas na economia, os números não deixam margem à dúvida: desde 2023, a economia vem crescendo, mesmo com o endividamento das famílias (debelar este problema é tarefa que se faz na conta longa). Não podemos esquecer que de 2015 a 2022, o Brasil passou por uma recessão profunda. Neste expediente, acrescente-se ainda o humor do cenário global, que exige um presidente com estatura para navegar no mar revolto de tarifaços, inflação e taxa de juros, que riscam impiedosamente o planeta, entre outras ameaças num mundo de beligerância permanente. Além de condensar um projeto que se conecta com as demandas concretas da população, a reeleição do presidente Lula possibilita recuperar a dignidade da política, que degenerou para o politicídio, sem a qual não há projeto de emancipação que se sustente. É preciso cultivar um ambiente no qual a inteligência coletiva, a civilidade e a promoção do bem comum sejam um ativo contra a brutalidade, a regressão, o rebaixamento e o entreguismo. Nós, mulheres negras, que subscrevemos esta carta-manifesto, além de sermos sobreviventes da pandemia, como todos os brasileiros que vão às urnas neste domingo (4), somos também sobreviventes das iniquidades impostas por uma tecnologia escravagista e patriarcal que insiste em ser um operador da governamentalidade no país. Na condição de sobreviventes, mais uma vez erguemos nossa voz para declarar nosso compromisso com a nação e dizer que optamos por estar do lado que emancipa a condição humana e não o contrário. Desde 2018 que as eleições para presidente vem tendo caráter plebiscitário: não vamos às urnas escolher este ou aquele presidente, mas sim um paradigma, uma visão de mundo. Se, para nós, política além de gestão da coisa pública é também imaginação, a defesa de um paradigma comprometido com as demandas do povo representa mais uma oportunidade para lançarmos a alavanca da mudança substantiva para mais longe. O "Pacto do Bem Viver", que vem sendo construído pelas mulheres negras, é a síntese dessa visão e propõe uma gramática política renovada. Nos dias em que disputamos presente e futuro, a AMNB escolhe um projeto que não bloqueará o futuro da nação, rebaixando-a a quintal de interesses espúrios. Reeleger Lula é dar boas vindas ao século 21 e romper com uma temporalidade parasitária que tenta nos teletransportar para o século 19. As integrantes da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) subscrevem este artigo. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
Mulheres negras com Lula
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