Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram surpreendidos pela decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar que Flávio Bolsonaro (PL) entregue seu passaporte à PF (Polícia Federal). Ele foi proibido de deixar o país. O magistrado embasou a decisão no fato de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ter afirmado em uma entrevista que havia aconselhado o então candidato a deixar o Brasil em caso de derrota para Lula. Um dos ministros afirmou à coluna acreditar que a atitude de Moraes pode comprometer os esforços de baixar a temperatura do universo político em relação à corte e ao próprio magistrado, que é alvo de uma série de pedidos de impeachment. A ideia de parte do STF, segundo o mesmo integrante da Corte, era buscar diálogo e pacificação com o bolsonarismo, que foi amplamente vitorioso nas eleições para o Senado neste ano e defende o afastamento de Moraes. Entre senadores eleitos e os que já estavam na Casa, 49 defendem que seja aberto um processo para afastar o ministro da cadeira. São necessários 54 votos para que isso ocorra —ou seja, apenas cinco a mais do que os votos já considerados certos. A pressão para que a ação ande, portanto, será constante —mesmo com a vitória de Lula nas eleições, que retira do assunto a prioridade estabelecida pela família de Jair Bolsonaro. Um segundo ministro afirma entender que o momento de recolher o passaporte de Flávio Bolsonaro não é apropriado. Ele acaba de receber 59,8 milhões de votos nas eleições presidenciais, ou 48,2% dos votos válidos. Tomar uma medida judicial de força contra o ex-candidato pode passar a impressão de uma revanche e acirrar os ânimos do país. Um terceiro magistrado concorda com os anteriores. Mesmo atitudes consideradas golpistas da família Bolsonaro —Flávio não reconheceu de imediato a vitória de Lula e vai propor a cassação da chapa, e Eduardo Bolsonaro instou países estrangeiros a não reconhecerem o resultado —não exigiriam que a medida fosse tomada agora. Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no STF. Um deles, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. O segundo, sob relatoria de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, viagens pagas, dados em nuvem e vínculos financeiros de Flávio com o advogado Willer Tomaz. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Ministros do STF se surpreendem com decis�o de Moraes sobre Fl�vio e temem por acirramento
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