'Meme � coisa s�ria': Melted cria laborat�rio de pesquisa em cultura digital brasileira

'Meme � coisa s�ria': Melted cria laborat�rio de pesquisa em cultura digital brasileira

A página de memes Melted Videos quer transformar seu arquivo em ferramenta para decifrar a cultura digital brasileira e anunciou a criação do Melted Culture Lab, em parceria com o centro de pesquisa em mídia e tecnologia Reglab. O lançamento de "O Estado da Cultura Digital", a primeira pesquisa da parceria, está previsto para o início de 2027. Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, diz a #Hashtag que o material deve identificar comportamentos, narrativas e mudanças de linguagem que marcaram 2026 para antecipar as tendências e transformações sociais. "A Melted tem o acervo, o repertório e o conhecimento de humor como nenhuma outra organização da cultura digital brasileira", afirma Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab. Para ele, o brasileiro é o meme –e meme é coisa séria. Os memes são capazes de levar pessoas a buscarem notícias, geram piadas compartilhadas e criam um repertório comum. O executivo defende que essa característica brasileira é tão forte que merece análises específicas, já que a importação de tendências de outros países muitas vezes a desconsidera. Às marcas, interessa saber o que o público brasileiro realmente quer, afirma Ramos. Segundo o levantamento "In Meme We Trust", de 2019, 57% afirmam seguir páginas apenas para acompanhar memes e 73% disseram já ter ficado sabendo de alguma notícia política por meio de um. À época, a pesquisa feita pela Globosat com a Consumoteca consultou mil pessoas de todo o país. Enquanto a Melted domina o zeitgeist cultural e digital, segundo Yuri Zero, CEO e sócio da marca, o Reglab traz a metodologia de pesquisa. Para ele, a extensão e a população do país tornam sua análise complexa: "Existem muitos Brasis." Ele usa como exemplo as variações demográficas entre redes sociais, com impacto no tipo de conteúdo, de narrativa, de formato e de plataforma em diferentes classes sociais. "O Kwai, por exemplo, é uma rede mais utilizada pelas classes D e E e tem conteúdos diferentes dos publicados no Instagram." Essa diferença aparece na pesquisa Super-Panorama Mobile Time/Opinion Box. Segundo a publicação de junho deste ano, o Instagram é o aplicativo de rede social mais presente nos smartphones das classes A e B (94,2%), enquanto o Kwai tem maior penetração nas classes D e E (37,7%). O levantamento foi feito com 4.138 usuários de smartphones a partir dos 16 anos de todas as classes sociais e regiões do Brasil. Yuri diz que hoje a Melted alcança entre 20 e 30 milhões de pessoas por mês, furando a própria bolha ao captar o comportamento de quem concorda ou discordam com seus posicionamentos. A página tem um histórico combativo e preza por marcar seu posicionamento político, o que alimenta debates ao longo dos 12 anos em que está no ar. "O humor é o mais elástico dos territórios", define Yuri. Para ele, todos gostam de rir, e por isso o humor tem maior capilaridade entre grupos "Estamos vivendo um momento de renegociação de expectativas sociais, algo que a gente vê na eleição, em questões de masculinidade e de consumo", diz Pedro. O exemplo vem de um estudo em andamento do Reglab sobre os emojis mais usados no humor brasileiro. O resultado surpreende os pesquisadores, já que o campeão é o emoji de duas mãos unidas. "Tem gente que usa para falar que são pessoas juntas dando palmas, tem gente que usa por religião. A gente não concorda nem no emoji mais utilizado no Brasil", exemplifica. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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