Imagens mostram persegui��o e linchamento de homem em Copacabana

Imagens mostram persegui��o e linchamento de homem em Copacabana

Imagens de câmeras de segurança mostram, do início ao fim, a perseguição que terminou no linchamento e na morte de Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. As gravações, divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (23), foram obtidas pela Folha e indicam ao menos sete pessoas envolvidas ou presentes em diferentes momentos da sequência que antecedeu a morte da vítima. As imagens registram desde a abordagem de Cláudio em frente a uma loja de conveniência até as agressões que duraram quase nove minutos. Ao longo do ataque, segundo a análise das gravações, ele recebeu 63 golpes com pedaços de madeira. Cláudio havia deixado a vila onde morava em Botafogo, também na zona sul, às 22h26 do dia 11 de agosto. Às 22h54, chegou a uma loja de conveniência em Copacabana. Segundo o relato de um funcionário aos investigadores, ele entrou no estabelecimento para pedir um cigarro, mas desistiu de levar o produto ao saber que precisaria pagar. Um minuto depois, Cláudio apareceu do lado de fora, encostado na parede da loja, com as mãos nos bolsos e as pernas cruzadas. Ele permaneceu no local até a chegada do segurança Davi Santos Machado, às 23h21. As imagens mostram Davi conversando com Cláudio e olhando para a bicicleta que estava com ele. Segundo a investigação, o segurança perguntou se o veículo pertencia à vítima. Cláudio teria respondido que não. A bicicleta, porém, era da irmã dele. Às 23h23, o funcionário da loja colocou a bicicleta junto a galões de água e a prendeu com um cadeado. Davi fotografou o veículo. Cláudio continuou parado diante do estabelecimento. Cerca de dez minutos depois, Davi ainda conversava com Cláudio. Às 23h33, os dois chegaram a apertar as mãos. Na sequência, Davi aparece mexendo no celular e, segundo a investigação, teria chamado outro segurança. Às 23h37, Jorge Luiz Ricardo Dias aparece nas imagens. Ele atravessou a rua Barata Ribeiro carregando a bicicleta, acompanhado de Davi e Cláudio. Depois, montou no veículo e começou a pedalar.Cláudio tentou impedir que Jorge levasse a bicicleta. Davi o segurou enquanto Jorge se afastava. Em seguida, Davi correu para dentro de um restaurante e retornou com um pedaço de madeira. Ele passou a perseguir Cláudio e o agredir. O objeto chegou a cair no chão, mas Davi voltou para buscá-lo. As imagens mostram ainda uma discussão entre os três. Às 23h47, Jorge deixou o local pedalando a bicicleta e seguiu em direção à praia de Copacabana. Cláudio atravessou a rua e Davi foi atrás dele. Outras câmeras registram os dois caminhando juntos por alguns instantes até se separarem. Um homem não identificado, que aparece em uma bicicleta acompanhando Davi em parte da sequência, também é visto nas proximidades. Perseguição termina em agressões Já perto da meia-noite, dois entregadores, Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, aparecem nas imagens. Segundo depoimento prestado por Felipe, um entregador havia avisado sobre a presença de um suposto ladrão de bicicleta. Os dois chegaram de bicicleta ao ponto onde Cláudio havia sido inicialmente abordado. Segundo a investigação, Davi os informou de que o homem apontado como ladrão acabara de passar pelo local. Cláudio seguiu pela rua e dobrou à esquerda. Felipe e Ailton aceleraram e passaram a acompanhá-lo de perto. Davi apareceu logo atrás, acompanhado pelo homem não identificado que estava em uma bicicleta. À 0h05, Cláudio se sentou na escadaria de um prédio. Os dois entregadores chegaram em seguida e o cercaram. Nesse momento, segundo a investigação, Felipe e Ailton filmaram a vítima, chamando-a de ladrão. Um minuto depois, Davi apareceu correndo com um pedaço de madeira nas mãos. Começou então a sequência mais violenta registrada pelas câmeras. Davi desferiu golpes contra Cláudio, que cai no chão. Um homem não identificado, de camisa listrada, apareceu na cena e deu um chute na vítima. Ele permaneceu nas proximidades durante parte das agressões. Em determinado momento, Davi falava ao telefone enquanto continuava a agressão. Ele também chutou o rosto de Cláudio. As imagens mostram que as agressões se prolongaram por quase nove minutos. Ao longo da sequência, Cláudio foi atingido 63 vezes com pedaços de madeira. O homem que aparece de bicicleta também permaneceu nas proximidades durante o linchamento. Ele não é visto agredindo Cláudio, mas acompanha a cena. Mesmo depois de o grupo deixar o local, outra câmera mostra Jorge nas proximidades. Ele vai embora junto com Davi. Os dois aparecem carregando pedaços de madeira. Cláudio permaneceu no chão por cerca de 30 minutos, até a chegada do socorro. Bombeiros o levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas ele não resistiu. A família foi informada de que a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna. As imagens foram registradas por dezenas de câmeras da Civitas, Central de Inteligência e Vigilância da Prefeitura do Rio, e da empresa de monitoramento Gabriel. As gravações estão sendo analisadas pela Polícia Civil para esclarecer a dinâmica do crime e identificar a participação de outras pessoas que presenciaram as agressões. Quatro suspeitos estão presos A Polícia Civil afirma que quatro homens foram identificados como suspeitos de participação no crime: os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Os quatro estão presos. Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), os quatro participaram do crime e três deles agrediram diretamente Cláudio. Jorge, segundo a investigação, teve participação acessória: não teria agredido a vítima, mas segurou a bicicleta e o porrete usados na ação e teria tentado dissuadir Davi de avançar contra Cláudio. A polícia também investiga a participação de outras pessoas que aparecem nas imagens e que teriam presenciado as agressões. Davi e Jorge tiveram a prisão temporária mantida pela Justiça no sábado (22), após audiências de custódia. Segundo as decisões, os mandados foram regularmente expedidos e permanecem dentro do prazo de validade, assim como os fundamentos que levaram às prisões. A Defensoria Pública informou que atuou exclusivamente na audiência de custódia de Davi, durante o plantão, e que, caso ele não constitua advogado particular, o acompanhamento será feito posteriormente pela instituição com atribuição junto ao Juízo das Garantias e, após eventual denúncia, pelo órgão responsável pela defesa no juízo da causa. Jorge é representado pelo advogado Fabrício Gomes de Mello. Em nota, a defesa afirmou estar empenhada na apuração dos fatos e disse que, neste momento, não concederá entrevistas para preservar a apuração e a estratégia defensiva. Os advogados também lamentaram a morte de Cláudio e afirmaram que eventuais manifestações serão feitas conforme o andamento das investigações. Felipe e Ailton se entregaram à polícia na sexta-feira (21). Segundo a Polícia Civil, Felipe confessou participação no crime ao prestar depoimento. Ailton permaneceu em silêncio na delegacia e afirmou que só falará em juízo. A polícia não informou se os dois constituíram advogados, e a reportagem não conseguiu identificar se eles já possuem defesa. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio triplamente qualificado. O delegado Lages afirma que houve crueldade, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. A polícia também apura se os seguranças exerciam a função de forma clandestina. Segundo Lages, empresas de segurança privada podem atuar dentro de estabelecimentos e prédios, mas não fazer policiamento de vias públicas.

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