No espaço de pouco mais de uma semana, a guerra de Donald Trump no Irã agravou-se de forma dramática, ameaçando escalar novamente a um conflito aberto e destrutivo. No dia 8 deste mês, o presidente americano teve de dar por encerrado o acordo que havia assinado em 17 de junho com o regime teocrático, que previa trégua de dois meses para a definição de uma paz duradoura. O arranjo era uma lista de concessões aos iranianos, que ainda assim não acreditaram na palavra de Trump. Em vez de deixar aberto o estreito de Hormuz, como previa a minuta, o Irã trabalhou para reforçar seu controle sobre o tráfego marítimo na região. Atingiu petroleiros de aliados dos EUA, levando Trump a retomar bombardeios. Ele o fez inicialmente de forma contida, focando alvos militares, mas Teerã passou a atacar instalações americanas no golfo Pérsico. Como não mirou Israel, parecia estabelecido um padrão de conflito moderado e contínuo. A situação, entretanto, começou a sair de controle. Sem conseguir dobrar a teocracia, Trump decidiu, na segunda (13), bloquear portos iranianos no estreito, que antes da guerra dava passagem a 20% do petróleo e do gás natural do planeta. Além disso, o republicano anunciou que iria cobrar 20% de pedágio sobre cargas de navios transitando por Hormuz, em troca de garantir sua navegação. Era uma balela, porque os EUA não têm esse poder hoje e criticavam a ideia do Irã de fazer o mesmo. Fiel ao caráter invertebrado de suas decisões, Trump disse depois que trocaria a taxa por acordos comerciais tão incríveis quanto inexistentes com países do golfo. O bloqueio, porém, foi efetivado, a violência recrudesceu e as hostilidades entre as forças apoiadas pela Arábia Saudita e os rebeldes houthis pró-Irã foram retomadas no Iêmen. A carta dos aiatolás é fechar o estreito que conecta o mar Vermelho ao oceano Índico, afetando a rota alternativa de exportação do petróleo saudita. Com isso, empresas e analistas temem uma disparada do preço do petróleo, que passou dos US$ 100 por barril em contratos futuros durante a fase aberta da guerra. Após a trégua, havia caído para cerca de US$ 70 e fechou a semana ao redor de US$ 85. Diferentemente daquele momento, as reservas globais de óleo estão acabando. A Agência Internacional de Energia diz que só há 100 milhões de barris disponíveis ao mercado, um quarto do total no começo do conflito. A isso soma-se a situação da Rússia, que interrompeu a exportação de óleo diesel devido a ataques ucranianos a suas refinarias, o que afeta economias como as do Brasil e da Turquia. Dada a inflexibilidade dos iranianos, mesmo com o instrumento do embargo, Trump terá de fazer concessões se quiser reverter o curso desastroso de sua guerra —e talvez salvar cadeiras que poderá perder nas eleições legislativas de novembro. editoriais@grupofolha.com.br
Guerra no Ir� se agrava e amea�a economia global
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