Fundo de aposentadoria dos servidores paraguaios est� praticamente falido ap�s caso Ueno, diz sindicato a jornal

Fundo de aposentadoria dos servidores paraguaios est� praticamente falido ap�s caso Ueno, diz sindicato a jornal

São Paulo A crise do Ueno Bank coloca em risco cerca de US$ 60 milhões da Caixa Fiscal do Paraguai, regime de aposentadoria dos servidores públicos do país, afirmou neste sábado (7) Silvio Piris, presidente da FEP (Federação de Educadores do Paraguai). Segundo o dirigente, em declarações reproduzidas pelo jornal paraguaio ABC Color, a situação deixou o sistema previdenciário dos servidores públicos à beira do colapso. Piris anunciou greve nacional dos professores a partir desta segunda-feira (9), com suspensão das aulas nas escolas públicas. "Contribuímos com mais 3% para o fundo público, e é inaceitável que esse dinheiro se perca. Também exigiremos garantias de recuperação dos US$ 350 milhões pertencentes ao IPS, além da agilização dos processos de aposentadoria dos colegas que já tiveram o benefício aprovado", afirmou Piris, segundo o ABC Color. Agência do banco Ueno coberta por faixas e pichações no centro de Assunção, no Paraguai - Daniel Duarte - 6.nov.26/AFP Dados do Ministério da Economia e Finanças indicam que US$ 40 milhões do fundo público de pensões foram depositados no banco em certificados de depósito de poupança. Outros US$ 19,8 milhões correspondem a juros ainda não recebidos. Separadamente, o IPS tinha US$ 278,4 milhões aplicados na instituição. Os certificados de depósito de poupança estão incluídos na garantia do FGD (Fondo de Garantía de Depósitos), que se parece com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) brasileiro, desde que cumpram as condições da legislação. O limite é 75 salários mínimos por pessoa e instituição, incluindo capital e juros acumulados. Segundo representantes sindicais, a incerteza sobre a recuperação dos valores e o ritmo das devoluções ameaça a regularidade dos pagamentos aos aposentados e a sustentabilidade do sistema no longo prazo. "Os aposentados são os mais afetados por essa situação, porque não sabem por quanto tempo continuarão recebendo suas pensões. Nós, professores da ativa, também não sabemos se conseguiremos nos aposentar, porque o fundo público de pensões está praticamente falido", afirmou Piris. O escândalo financeiro provocou uma crise política no Paraguai. O ex-presidente Santiago Peña foi preso na sexta-feira (6), após a aprovação de seu impeachment pelo Congresso, em meio às investigações sobre sua relação com a instituição financeira. Peña foi investidor da holding controladora do banco e, em 2023, nomeou Carlos Carvallo, então presidente-executivo do Ueno, para comandar o Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo na companhia nesta semana e também teve uma ordem de prisão expedida na sexta. A crise do Ueno Bank veio à tona após seu índice de solvência, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas, cair para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório exigido no Paraguai, de 12%. Investigações identificaram problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras utilizadas para aprovar empréstimos e operações com empresas relacionadas aos acionistas do banco. Segundo o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, as investigações também identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.

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