O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, venceu Lula em Aparecida (SP), a cidade que abriga o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O filho de Jair Bolsonaro teve 58,3% dos votos, contra 32,12% de Lula. O escritor Augusto Cury ficou em terceiro lugar, com 3,55%, seguido por Renan Santos, com 2,8%, e Ronaldo Caiado, que obteve 2,65%. O resultado em Aparecida, cidade de maioria amplamente católica, superou em mais de dez pontos os 47,03% de votos que Flávio teve em todo o Brasil. Uma das maiores polêmicas da reta final das eleições girou em torno de Nossa Senhora. O fato de apoiadores do candidato terem dado suporte, no passado, a um projeto para tirar dela o título de padroeira do Brasil deu vazão à fake news de que o próprio candidato teria essa intenção, o que ele nunca declarou querer fazer. O resultado foi desfavorável para o campo lulista em todas as esferas. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) teve 71,6% dos votos, contra 27,73% de Fernando Haddad (PT-SP). O governador foi reeleito com 62,65% dos votos no Estado. Os senadores do campo da direita também foram os mais votados na cidade. Guilherme Derrite (PP-SP) teve 34,17% e André do Prado, 33,91%, contra 15,5% de Simone Tebet e 14,14% de Marina Silva. O deputado federal mais votado foi Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.387 votos, seguido por Erika Hilton (PSOL-SP), com 1.146, Kim Kataguiri (370), Sâmia Bomfim (326), Renato Bolsonaro (329) e Tabata Amaral (269). A concentração católica em Aparecida ainda é densa quando comparada à média nacional, mas a proporção encolheu quase nove pontos percentuais em 12 anos: de 85,9% da população em 2010 para 77% em 2022, segundo o Censo 2022. No país como um todo, 56,7% das pessoas com 10 anos ou mais se declara adepta dessa crença. A religião que mais avançou no município foi a evangélica, que agora representa 18% dos residentes —no censo anterior, eram 11,4%. O salto foi de 3.481 para 5.175 crentes. A polêmica religiosa no primeiro turno não se restringiu a Nossa Senhora. A declaração de Flávio Bolsonaro de que uma de suas primeiras medidas caso seja eleito será "decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo" gerou cobranças na igreja católica. O bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da diocese de Campos, afirmou à coluna que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisava esclarecer com urgência o alcance da eventual medida, já que ela representaria um risco à liberdade religiosa no Brasil. O filho de Jair Bolsonaro (PL) fez a afirmação em um vídeo postado em agosto para justificar sua ausência no debate da TV Bandeirantes, dizendo que gostaria de discutir com quem "não acredita em Deus". "O candidato disse que este será o seu primeiro ato de governo. É uma decisão perigosa porque envolve todas as outras religiões", afirmou à coluna o bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da diocese de Campos, que integra a Pastoral da Saúde e a Comissão para o Laicato da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). "O que pode significar isso para a liberdade religiosa e para os religiosos não-cristãos?", questionou ele. "Haverá privilégios para os cristãos? São coisas que ficam no ar. A liberdade religiosa e de crença é um dos princípios da Constituição brasileira e interessa a todas as religiões. Se um não é respeitado em sua religião, ninguém mais será". Flávio Bolsonaro afirmou então à coluna, por meio de sua assessoria, que "fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República, entregando o Brasil nas mãos de Jesus". com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Fl�vio Bolsonaro vence Lula em Aparecida por 58% a 32% mesmo depois de disputa religiosa
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