Fiocruz concede t�tulo p�stumo a dez pesquisadores alvos da ditadura militar

Fiocruz concede t�tulo p�stumo a dez pesquisadores alvos da ditadura militar

A Fiocruz concedeu títulos póstumos de pesquisador emérito a dez cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados pela ditadura militar, em 1970, um episódio que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos. A apresentação dos títulos ocorreu na última quarta-feira (5) no Rio. Receberam o título Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho. Houve também uma entrega simbólica a Herman Lent, pesquisador emérito da instituição desde 2004. Sebastião José de Oliveira, por sinal, foi o primeiro cientista negro da Fiocruz. Também recebeu a honraria Walter Oswaldo Cruz, filho do patrono da Fiocruz e um dos membros fundadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Descendentes —tanto de sangue quanto científicos— representaram os pesquisadores na cerimônia, que ocorreu nas escadarias do Castelo da Fiocruz . A entrega dos títulos nesse momento fez referência a algo que aconteceu, em 1986, nas mesmas escadarias: a reincorporação à Fiocruz dos pesquisadores. Em abril de 1970, a cassação, por dez anos, dos direitos políticos dos pesquisadores foi publicada no DOU (Diário Oficial da União), sustentada pelo AI-5 (Ato Institucional 5). Segundo documento da própria Fiocruz, a publicação no DOU, porém, não significava afastamento dos pesquisadores, o que ocorreu devido a um novo decreto, que os aposentou compulsoriamente e os impediu de ensinar ou pesquisar em instituições públicas. Os títulos haviam sido aprovados pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz em maio, em reconhecimento às trajetórias que marcaram o desenvolvimento científico da instituição. O atual presidente da Fiocruz, Mario Moreira, disse: "houve tempos sombrios quando governantes viam na ciência livre, soberana, uma ameaça [...]. Estamos aqui exatamente para que não se repita. E esta afirmação política ainda é necessária mesmo passados 56 anos da cassação dos nossos pesquisadores. Para que nunca mais a ciência, a educação e a democracia sejam vistas como ameaças. Ao contrário: como partes constituintes de um país mais justo, mais desenvolvido, com dignidade para todos".

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