Esquerda latino-americana lamenta nas redes sociais n�o poder votar em Lula

Esquerda latino-americana lamenta nas redes sociais n�o poder votar em Lula

"Mood: pensando em como votar pelo Lula com documento colombiano." "Como não vou poder votar no Lula se eu vi Avenida Brasil?" "Situação sentimental: preciso buscar uma forma de votar por Lula." As frases estampam vídeos nas redes sociais de influenciadores progressistas da América Latina que, após verem seu campo político ser derrotado em casa, voltaram-se para o Brasil na esperança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) no próximo domingo (4). Considerando o giro político na região, há bastante material para conteúdo. A direita ganhou todas as eleições presidenciais da América Latina desde o início de 2025, deixando apenas Brasil, Uruguai, México e Guatemala governados pela esquerda. "Toda a região está guinando para a direita agora", afirma o ator Lucas Tresca, que entrou na onda de vídeos em apoio a Lula na internet. "O Brasil representa uma esperança de frear um pouco esse movimento", continua o argentino, atualmente governado pelo ultraliberal Javier Milei. O presidente argentino, no poder desde 2023, é um dos mais vocais apoiadores de Flávio da região. No final de julho, abriu uma crise com o Brasil ao atacar autoridades brasileiras, incluindo Lula, durante o lançamento da candidatura do adversário do petista, em São Paulo. A controvérsia desembocou no rebaixamento inédito das relações com a Argentina por parte do Brasil, no início de agosto. "É aí que você percebe que a Argentina está nas mãos de um sujeito que não tem juízo", afirma Tresca sobre o episódio. "Não dá para romper relações com o seu principal parceiro econômico —e que, além disso, é o país vizinho, que está logo ao seu lado." O estudante de direito Andre Arcos diz ter sido motivado pela frase de Lula em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", afirmou o petista na tribuna das Nações Unidas, na semana passada —uma clara referência à nova política dos Estados Unidos de retomar a influência americana na América Latina. "Quando abri o Instagram depois de publicar o vídeo, estranhei a quantidade de notificações. Aí vi que havia um monte de comentários, curtidas e compartilhamentos", afirma. "Não apenas de pessoas do Brasil, mas também gente de toda a América Latina dizendo que também gostaria de poder, de alguma forma, apoiar essa campanha." O colombiano define as eleições que levaram à vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella, em junho, como "uma das mais tristes" do país. "O governo de Lula dará continuidade às lutas sociais pelas populações LGBT+", acredita ele, um ativista da causa. "Esse é o primeiro pilar que me atravessa." Em setembro, a Colômbia deixou a Coalizão pela Igualdade de Direitos, uma organização internacional pelos direitos da população LGBTQIA+ da qual fazem parte mais de 40 países. "Já tenho uma trajetória de aproximadamente oito ou nove anos na luta social LGBT+, e isso foi uma das coisas que mais me atingiu", afirma Arcos. O Brasil se juntou à coalizão em 2023, meses após Lula voltar ao poder. Os EUA, que em nota do Departamento de Estado de 2016, durante o fim do governo de Barack Obama, colocavam-se como um "orgulhoso membro-fundador" do grupo, saíram da entidade em 2025, no segundo mandato de Donald Trump. "Como muitos nos comentários mencionam, o Brasil é nossa última esperança na América Latina de continuar tendo um governo de esquerda", diz o colombiano, ecoando Lucas: "Senti a necessidade de fazer algo porque sinto que as eleições no Brasil são, de certa forma, a esperança de toda uma região".

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