O fantasma de Dilma 2 assombra Luiz Inácio Lula da Silva. É preocupação que o presidente externou na semana que passou a pessoas que trataram com ele de ideias econômicas, Congresso, programas sociais ou política digital. Fica entre assustado e revoltado. No caso de economia, a preocupação é uma reação gritante, como no crash de segunda (26), quando o presidente dizia coisas impublicáveis sobre "o mercado". Diz ainda que não suporta esses 20 anos de conversa de ajuste, sendo ele o presidente com melhores resultados fiscais "de todos", "desde o Fernando Henrique"; que Lula 3 consertou a "porcaria que o [Jair] Bolsonaro fez". Diz que "o mercado" quer fazer dele "refém", mas não vai "repetir 2015" (Dilma 2), o estelionato eleitoral. Segundo o Datafolha, 42% do eleitorado dava nota "ótimo ou bom" para a presidente antes do segundo turno de 2014, e 20% de "ruim ou péssimo". Em março, 13% de "ótimo ou bom" e 62% de "ruim ou péssimo". A crise econômica começara no segundo trimestre de 2014. No primeiro trimestre de 2015, já era colapso. O número de pessoas empregadas começaria a cair no segundo trimestre. Lula fica inconformado ou irritado com sugestões tidas como básicas por defensores do "ajuste", como contenção do crescimento (não "corte") de reajustes de salário mínimo, benefícios sociais etc. Não vai "trair" eleitores e o "povo pobre". Quer novas medidas sociais, "transformadoras", que Lula 4 seja diferente de Lula 3. Reuniões mais amplas entre assessores começaram nesta semana. Lula não diz "não". Diz que vai ouvir mais gente, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e economistas de esquerda e PT, para quem a tarefa essencial é ação direta para baixar juros (indireta: via efeitos de ajuste fiscal). Economistas "liberais" de peso e banqueiros ligam para ministros de Lula 3 a fim de fazer campanha pelo "ajuste". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. No governo, Lula tem dado mais ouvidos a Bruno Moretti, ministro do Planejamento desde abril de 2026, antes secretário na Casa Civil (2023 a 2026, sob Rui Costa). É "desenvolvimentista", para usar termo sintético precário; tem carreira em governos petistas desde 2009. Por ora, não deve sair nada além de tentativa de cumprir estritamente meta verídica de superávit do arcabouço fiscal, com mais liberdade de bloquear gastos em certas rubricas hoje protegidas até por lei. Vai se tentar aumento de receita por meio de redução de isenções fiscais. O grosso é isso. Lula fica preocupado politicamente até com sugestões de mexer na Previdência militar ou de ação agressiva contra "penduricalhos". Quanto à Fazenda, os nomes são esses balões de ensaio, Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin. Mas: 1) Lula não dá indício do que vá fazer; 2) o nome vai importar tanto menos quanto menos o ministro tiver mandato para mudar; 3) a disputa por Fazenda, Casa Civil e Segurança já é a sucessão de Lula 4, via ocupação de cargos ou vetos de nomes. Expectativas de inflação para 2027 sobem, até por causa do dólar mais caro. Para o crescimento do PIB, caem para a faixa de 0,5% a 1,3% (foi em média de 3% de 2023 a 2025; pode ser de 1,8% em 2026). É incerto se o Banco Central vai cortar a Selic na quarta (4). Juros de prazo mais longo, definidos no mercado, foram além do pânico de janeiro de 2025. Quem sabe risco de dólar a R$ 6 ou IPCA de 6% mexa com o ânimo luliano. Esta é uma pincelada breve da economia. O caso de Lula 4 no Congresso é ainda mais complexo que o de Lula 3. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Entre revoltado e assustado, Lula passa a semana sem aceitar mudan�a fiscal maior
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