São Paulo Nesta quinta-feira (24), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e a Receita Federal deflagraram a terceira fase da Operação Carbono Oculto, ampliando a investigação sobre o uso de estruturas empresariais e financeiras para lavar dinheiro no setor de combustíveis. Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, o grupo investigado teria movimentado R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por meio de empresas, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras usadas para fragmentar recursos e ocultar seu verdadeiro destino. Agente da Receita Federal cumpre mandado de busca e apreensão em imóvel de investigado na nova fase da Operação Carbono Oculto - Divulgação Polícia Federal Nesta etapa, os investigadores miram a estrutura que teria sido usada para esconder o controle da Terrana, distribuidora de combustíveis adquirida com recursos que, segundo a apuração, passaram por diferentes empresas antes de chegar ao negócio. A operação também alcança pessoas e empresas com conexões com o setor financeiro, entre elas um ex-executivo do Banco Genial e a Entre Investimentos, ligada ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Tire dúvidas sobre a nova fase da Carbono Oculto O que é a Operação Carbono Oculto? O que os investigadores apuram nesta fase?Como funcionaria o esquema, segundo a investigação?Qual é o papel da usina de açúcar?Qual é a relação com a Entre Investimentos?Por que um executivo do Banco Genial aparece entre os alvos?O que o caso tem a ver com o filme “Dark Horse”?O que é a Operação Carbono Oculto? É uma investigação do Gaeco, do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), e da Receita Federal sobre um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. A ação investiga uma complexa rede de infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal, integrando a cadeia do setor de combustíveis a operadores do mercado financeiro. O que os investigadores apuram nesta fase? Nesta quinta, a terceira fase cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em sete estados, envolvendo 24 empresas e 13 pessoas físicas. O foco é a utilização de empresas, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras para ocultar quem estaria por trás da aquisição e do controle de uma distribuidora de combustíveis, a Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. Segundo o MP-SP, estruturas comerciais teriam sido sobrepostas para esconder o controle da empresa. A investigação busca identificar quem controlava os ativos e empresas envolvidos, de onde vieram os recursos e quais estruturas financeiras teriam sido utilizadas para movimentá-los e ocultar sua origem e seus beneficiários. Como funcionaria o esquema, segundo a investigação? A suspeita é que o grupo tenha usado investimentos de fachada e operações financeiras atípicas para movimentar, fragmentar e ocultar recursos. Entre 2021 e 2025, teriam sido movimentados R$ 11,6 bilhões no esquema investigado. Para o Ministério Público, o volume e o formato das operações indicam possíveis crimes de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de dinheiro. Segundo o MP-SP, uma usina sucroalcooleira teria sido usada na estrutura para a aquisição da distribuidora. Cerca de R$ 100 milhões teriam passado por contas de empresas e fintechs antes de chegar à Terrana. Conforme a investigação, o caminho dos recursos teria dado aparência de legitimidade às transações e dificultado a identificação dos beneficiários finais. Outro ponto identificado pelos investigadores envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da Terrana na Justiça. Segundo o MP-SP, uma das financeiras investigadas adquiriu esses direitos a partir de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) controlado pelo mesmo grupo proprietário da distribuidora. Por que um executivo do Banco Genial aparece entre os alvos? Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, está entre os alvos dos mandados, assim como seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. O Genial afirma que Humberto foi destituído da empresa em maio de 2026 e diz ter fornecido informações sobre a investigação ao Gaeco. O banco também afirma ter adotado medidas adicionais de governança e controle. Em nota, o Banco Genial diz que Humberto Tupinambá foi destituído da empresa em maio de 2026. O banco reiterou fornecer informações da investigação ao Gaeco e afirmou que "a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de inspetoria interna e a revisão da governança das operações de crédito". C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesQual é a relação com a Entre Investimentos? A empresa pertence ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que tem ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A Entre está entre as empresas citadas na investigação. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou a companhia de "entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional" e afirmou que o esquema investigado movimentou R$ 11,6 bilhões. A declaração é do ministro; a caracterização não deve ser apresentada como conclusão judicial. A Folha procurou a Entre Investimentos via ligação telefônica entre as 7h e 8h desta quinta, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. O que o caso tem a ver com o filme "Dark Horse"? O Grupo Entre aparece entre as empresas envolvidas no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República, Mineiro afirmou ter enviado recursos ao exterior para bancar o filme.
Entenda nova fase da Carbono Oculto, que atingiu executivo ligado ao Master
Full Article
Original Source
Read the full article at C-level →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.