Eclipse solar total permitir� a cientistas investigar mist�rios do Sol

Eclipse solar total permitir� a cientistas investigar mist�rios do Sol

Cientistas planejam aproveitar o eclipse solar total que será visível de partes da Europa, na próxima quarta-feira (12), para aprender mais sobre a natureza turbulenta e imprevisível da nossa estrela. Durante o fenômeno, pesquisadores entrarão em ação para estudar o campo magnético do Sol, sua atmosfera e seu clima extremo, que às vezes provoca transtornos aqui na Terra. O eclipse será visível de partes da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, oceano Atlântico, Espanha e de um pedacinho de Portugal. Em outros pontos do hemisfério norte, será possível presenciar um eclipse solar parcial, incluindo partes dos Estados Unidos (do Alasca à Carolina do Norte), a maior parte do Canadá, grande parte da Europa e o noroeste da África. Há uma longa tradição de aproveitar eclipses para fins científicos. Ao observar um eclipse em 29 de maio de 1919, na ilha de Príncipe, na costa oeste da África, confirmou-se a teoria da relatividade de Albert Einstein. Cientistas conseguiram isso ao observar o efeito de um fenômeno de desvio da luz, conhecido como lente gravitacional, sobre as estrelas, que se tornaram visíveis quando o brilho ofuscante do Sol foi encoberto. O eclipse solar da próxima semana terá duração de um minuto e 40 segundos e poderá ser visto em sua totalidade em uma faixa do norte da Espanha. "Nosso trabalho busca compreender os mecanismos físicos que estão por trás da atividade do Sol", disse à AFP o astrofísico Allan Sacha Brun, da Comissão Francesa de Energia Atômica (CEA). Todos os dias, especialistas desenvolvem modelos para explicar a atividade solar, permitindo "situar o Sol em seu contexto dentro de sua linha evolutiva, desde o nascimento até a morte", afirmou o astrofísico. O Sol expele continuamente matéria e partículas carregadas, às vezes desencadeando tempestades que lançam gigantescas explosões de plasma e outros materiais. Quando esse material atinge o escudo magnético da Terra, pode desativar satélites, pôr astronautas em risco e resultar em auroras, observadas tanto no hemisfério norte quanto no sul. "Esses fenômenos seguem um ciclo regular, que atinge seu pico a cada 11 anos", explicou Brun. "Em 2024, o Sol alcançou o pico de seu 25º ciclo." Na próxima semana, os cientistas da CEA concentrarão seus estudos na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. "Temos uma sorte incrível: a Lua é 400 vezes menor que o Sol, mas também está 400 vezes mais perto de nós", afirmou o astrofísico. Essa coincidência faz com que o satélite bloqueie a luz solar, mas permita aos cientistas observar o que acontece em sua atmosfera. A coroa solar se estende por 10 milhões de quilômetros e é um milhão de vezes menos brilhante que a superfície do Sol, chamada fotosfera. Ainda assim, a coroa pode atingir temperaturas de até 2 milhões de graus Celsius. Quando não há eclipse, os cientistas estudam a atmosfera solar com o uso de satélites equipados com coronógrafo, um filtro que bloqueia a fotosfera, segundo Brun. Os eclipses totais também permitem uma rara observação da cromosfera, a camada da atmosfera situada entre a coroa e a superfície do Sol. Cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês) analisarão o eclipse da próxima semana na esperança de aprender mais sobre os ventos solares. "Por que as tempestades solares se propagam dessa maneira? Qual é sua estrutura? E podemos desenvolver modelos que nos permitam prevê-las?", perguntou Carole Mundell, diretora de Ciência da ESA. A sonda Solar Orbiter, da ESA, lançada em 2020, vem coletando dados sobre a atmosfera e os ventos solares. Os eclipses representam uma oportunidade para "testar o quão bons, ou quão ruins, são nossos modelos", disse Miho Janvier, também integrante da missão da ESA. Outra missão da ESA, chamada Proba-3, utiliza três espaçonaves voando em formação sincronizada para criar seus próprios minieclipses solares. Também existem planos para uma missão chamada Mesom, que pretende enviar uma espaçonave para a sombra da Lua a fim de obter uma observação muito mais prolongada desse fenômeno. A física Lucie Green, da University College London, afirmou à AFP que os eclipses solares totais são inspiradores para todos, tanto artistas quanto cientistas. "O que observamos na Terra inspira aquilo que queremos realizar em nossas pesquisas de ciência espacial."

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