E se o #ficaemcasa voltasse?

E se o #ficaemcasa voltasse?

Só mesmo um masoquista para querer voltar a 2020, ano em que a pandemia do que chamávamos coronavírus e a falta de vacinas mataram milhões e ativaram no mundo o modo isolamento social. Mas, se lembro bem daqueles tempos, dizíamos que alguns supostos benefícios do #ficaemcasa seriam perpetuados quando –e se– saíssemos daquela. Embalada por alguns gestos de gentileza nas janelas e nas redes sociais, nascia paradoxalmente aqui e ali uma certa crença na raça humana. (Minha rala contribuição: ler por telefone poesias por mim escolhidas para moradores do Rio, em programa criado pela prefeitura carioca.) Falava-se de um suposto "novo normal" em temas como o trabalho e a mobilidade. Estávamos seguros de que faria muito sentido seguir a trabalhar remotamente em várias atividades, e celebrava-se o efeito disso no trânsito das metrópoles, doravante com avenidas para sempre em clima de feriado prolongado. Pois é: se não batemos em São Paulo o recorde insano de congestionamento de 2019, os quatro dígitos de filas de carros nas ruas viraram por aqui o habitual nos últimos anos. Como diria o velho humorista português na piada sobre um dos ensinamentos de Cristo, "deu no que deu". Para quem é da corrida, o negócio foi espeto. Deve ser bastante difícil persuadir alguém no futuro de que por alguns meses de fato subimos e descemos escadas, fizemos maratonas em varandas e, quando as ruas começaram a ser liberadas, corremos de máscara nas calçadas lindeiras aos parques, que permaneciam interditados. Dureza. Tudo isso não é nostalgia extravagante. É que recentemente eu deparei com alguns vídeos produzidos durante a pandemia por educadores físicos do Cepeusp, esse oásis paulistano em que pratico atividade física há muitos anos. Olha só como é legal este vídeo com uma sequência de exercícios funcionais de intensidade do querido professor Womualy dos Santos. Aí estão alternados, e com uma dosagem pensada segundo uma escala de esforço, exercícios muito úteis para substituir inclusive seus treinos de corrida e, eventualmente, de musculação. Sim, requer alguma dose de estoicismo: tem agachamento, flexão abdominal, climber e, pior, burpee. Como diria o vulgo, não tem almoço grátis (no bandejão da USP, desde R$ 2). Se esta informação tem alguma serventia, hoje pratico cotidianamente mais sessões de funcional (com o Womualy, presencialmente) do que corro, e meu desempenho na maratona no Rio, em junho, foi um dos melhores de todas as minhas 13 maras, intervalo que colige 11 anos de cascalho –período em que o relógio biológico evidentemente não parou. Sabe-se que boa parte do nosso estímulo para a atividade física vem da possibilidade de encontrarmos outras pessoas. Somos gregários, e talvez só nos exercitemos se houver um professor disponível e outros alunos a nos ladear. Vale até mesmo para a ioga/meditação, a milenar tecnologia indiana para acalmar a mente, nas palavras adoráveis do professor Danilo Forghieri, também do Cepê. Mas a prática diária e solitária da ioga, mesmo em pequenas doses, produz resultados poderosos lá na frente. E por falar nela, a ioga, e nele, o profe Danilo, deixo aqui também uma aula em vídeo desse cabra boníssimo que você deveria um dia conhecer. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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