Brigid Lynch, geóloga, realizava em uma manhã de março um levantamento de campo para estudar o habitat de sapos próximo a um riacho no condado de San Mateo, na Califórnia, quando algo chamou sua atenção. "Olhei para baixo e pensei: ‘Isso tem uma aparência muito estranha’", recordou. "‘O que é isso?’" Ela alertou sua colega, Jeneya Fertel, e as duas ficaram olhando para o objeto. "Eu disse: ‘Você acha que devemos tocar nisso?’", recordou Lynch. Ela pensou que pudesse ser um ser vivo e, por isso, disse a Fertel: "Você pega". Elas avaliaram que o objeto era um pouco maior que um forno elétrico de bancada e pesava talvez 1,4 kg até 1,8 kg. Colocaram-no de volta e se esqueceram dele. Lynch continuou seu trabalho de campo e, no dia seguinte, voltou a notar a estranha descoberta ao examinar suas fotos. Ela submeteu a imagem a uma busca reversa no Google e ficou chocada com o que encontrou. "Este é, sem dúvida, um molar de mastodonte-do-pacífico", recordou ter pensado. O Midpeninsula Regional Open Space District, órgão público conhecido como Midpen que já preservou mais de 283,3 km² de áreas naturais na região da Baía de São Francisco, anunciou a descoberta na semana passada. Depois de deixar o molar no riacho, Lynch entrou em contato com colegas da empresa de consultoria ambiental Balance Hydrologics para que o fóssil fosse recolhido adequadamente.Wayne Thompson, paleontólogo desde 1976 e proprietário da Pacific Paleontology, confirmou que o achado era um molar de mastodonte-do-pacífico e sugeriu formas de removê-lo do local. "Ajudei-os a armazená-lo de uma forma que impedisse a deterioração do molar, pois, quando são retirados de um ambiente aquático, esses dentes começam a se decompor rapidamente", disse ele. Funcionários do Midpen conseguiram manter o molar armazenado em um balde com água do riacho. Em comunicado à imprensa, o Midpen informou ter doado o dente fossilizado à Doerr School of Sustainability, da Universidade Stanford, onde pesquisadores pretendem determinar sua idade por meio de datação por carbono e criar uma imagem tridimensional do fóssil. Thompson afirmou que o mastodonte-do-pacífico se diferencia dos mastodontes-americanos por ter dentes mais estreitos e ossos das pernas mais espessos. Em 2019, pesquisadores publicaram, em parceria com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, um estudo que identificou o mastodonte-do-pacífico (Mammut pacificus) como uma espécie de mastodonte recém-reconhecida. Os mastodontes-do-pacífico viveram durante o Pleistoceno, ou Era do Gelo, que começou há cerca de 2,5 milhões de anos. Eles desapareceram há aproximadamente 11.700 anos. Thompson disse que o formato do molar de um mastodonte-do-pacífico é peculiar porque esses animais eram herbívoros e usavam seus dentes em forma de cone para se alimentar de árvores e triturar folhas e pequenos galhos. "É possível imaginar que os dentes de um proboscídeo —seja ele um elefante, um mamute ou um mastodonte— ficam sobre esteiras rolantes", explicou. "Eles surgem na parte de trás da mandíbula e migram por seu interior até a parte da frente; então irrompem e continuam avançando nessa esteira até serem expelidos." Thompson acredita que esse mastodonte-do-pacífico em particular tenha vivido cerca de 35 ou 40 anos e que o molar talvez só tenha se desprendido do maxilar "recentemente". Thompson classificou o achado como "uma descoberta realmente singular" e disse que restos de mastodontes-do-pacífico são raros na região, sendo encontrados com mais frequência no sul da Califórnia. "Essa descoberta de um mastodonte realmente nos fornece muitas informações sobre os locais onde essas criaturas viviam", afirmou.
Dente de mastodonte da Era do Gelo � achado, sem querer, por cientista que estudava sapos
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