Aquecimento global tornou condi��o para inc�ndios 20 vezes mais prov�vel na Espanha

Aquecimento global tornou condi��o para inc�ndios 20 vezes mais prov�vel na Espanha

A mudança climática está cumprindo seu papel neste verão europeu marcado por severas ondas de calor, incêndios florestais, prejuízos e mortes. Se as canículas já estavam na conta do aquecimento global, agora é a vez de constatar que as condições propícias para queimadas se tornaram duas vezes mais prováveis na França e 20 vezes na Espanha. Segundo análise do World Weather Attribution (WWA), publicada nesta sexta-feira (31), as duas regiões europeias experimentam eventos extremos, mas de grande excepcionalidade no caso do sudoeste francês. Um incêndio com a intensidade que atinge a região de Bordeaux, no padrão climático atual, é uma ocorrência esperada apenas a cada 20 anos. Na região central da Espanha, a ocorrência do evento na proporção desta temporada é, em termos estatísticos, algo esperado a cada seis anos. Nesta quinta-feira, o governo espanhol suspendeu o estado de emergência, mas alertou que os incêndios podem voltar a ganhar tração a depender das condições climáticas. As conclusões do WWA, grupo de cientistas liderados pelo Imperial College, de Londres, foram obtidas a partir da observação de uma variável desenvolvida no Canadá para medir a dificuldade de apagar uma queimada a partir de sua ignição. O Índice de Gravidade Diária (DSR, na sigla em inglês) combina temperatura, umidade, velocidade do vento e precipitação para determinar a intensidade do fogo. A métrica é usada para monitorar o risco de incêndios florestais na Europa, assim como o Índice Meteorológico de Incêndio (FWI, na sigla em inglês). Segundo outro estudo publicado nesta semana sobre o assunto, as condições propícias para queimadas na França e na Espanha já são 50% superiores às verificadas nos anos 1980 e 90. A observação do DSR durante os piores sete dias de incêndios nos dois países demonstrou forte relação entre aquecimento e a probabilidade de ocorrência dos eventos extremos. Em comparação ao clima dos níveis pré-industriais, uma queimada como a de julho na região central da Espanha ficou 20 vezes mais provável de acontecer. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas No caso da França, que ainda experimenta uma situação crítica no departamento de Gironde, no sudoeste do país, uma limitação estatística não permitiu a mesma precisão na atribuição. A estimativa de que a mudança climática tornou duas vezes mais provável a ocorrência de incêndios como o desta temporada é, matematicamente, conservadora. Outra constatação do estudo, a transição de um inverno chuvoso para uma primavera seca é um fator cada vez mais importante para o risco de incêndios florestais na Europa Ocidental. As precipitações contribuem para o crescimento da vegetação, que, posteriormente, seca e se transforma em combustível para as queimadas. Andreia Ribeiro, cientista do clima do Helmholtz Center, na Alemanha, uma das autoras da análise, chama a atenção também para a conjunção de eventos no continente."Quando incêndios florestais eclodem simultaneamente em diferentes regiões, fica claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem não estão apenas aumentando a probabilidade de incêndios extremos, mas também sua sincronicidade." A sobreposição de queimadas, lembra a pesquisadora, dificulta a cooperação entre os países, que, na União Europeia, é coordenada por Bruxelas. A situação aguda fez o número de Canadairs, os aviões que recolhem água de rios e lagos para combater os incêndios, virar objeto de discussão entre políticos franceses nas últimas semanas. Uma única fábrica no Canadá produz os aparelhos, cerca de dez por ano. Curiosamente, outro ritmo que a mudança climática tornou insuficiente no planeta.

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