Zumbis s�o obras da imagina��o ou eles podem existir no mundo real?

Zumbis s�o obras da imagina��o ou eles podem existir no mundo real?

Um arrepio percorre o corpo. Imagine que você está diante de um túmulo e, de repente, a terra ao redor começa a se mexer. Uma mão aparece, depois um braço e, aos poucos, uma figura de roupas rasgadas surge do chão. Ela tem a pele em decomposição, parece não estar viva e caminha em sua direção. Ela quer comer o seu cérebro. É um zumbi! Mas de onde surgiu essa figura assustadora, tão presente em filmes, séries, livros e desenhos? Ela pode até ser uma obra da ficção, mas, para algumas culturas, o morto-vivo também significa algo bem maior. A palavra zumbi tem uma história antiga e cheia de mistérios. Pesquisadores apontam possíveis relações com termos africanos que designam espíritos e mortos, mas a origem exata ainda é discutida. Essa história atravessa o oceano porque milhões de pessoas daquele continente foram escravizadas e levadas à força para as Américas. Com eles, vieram línguas, costumes e crenças, que se transformaram ao entrar em contato com outras culturas. No Haiti, a figura do zumbi está ligada a tradições do vodu, uma religião com raízes africanas. Em algumas dessas histórias, o morto-vivo não era um monstro verde que passava doenças com a sua mordida. Para eles, o zumbi representava um dos maiores medos de uma pessoa escravizada: o de que, mesmo depois de morrer, um feiticeiro pudesse usar magia para fazer o corpo levantar e continuar trabalhando nas plantações para sempre, sem vontade própria e sem poder descansar. No início do século 20, o resto do mundo começou a conhecer essas lendas. Um dos acontecimentos daquele período foi a ocupação militar do Haiti pelos americanos, iniciada em 1915 e encerrada em 1934. Durante esse período, viajantes e escritores voltaram para casa contando histórias exageradas sobre feitiços e pessoas que saíam da tumba. Muitos falavam sobre a cultura haitiana de maneira preconceituosa, como se fosse misteriosa e perigosa. Logo, os criadores de cinema resolveram transformar essas histórias em filme. Em 1932, estreou "Zumbi Branco". Nele, os mortos-vivos não eram como os de hoje. Eles não eram machucados e muito menos comiam pessoas. Eram pessoas normais que recebiam uma poção e ficavam hipnotizadas, com os olhos vidrados, apenas obedecendo aos comandos de um vilão. O zumbi começou a ficar conhecido e tomar um pouco da forma que conhecemos hoje em 1968, com "A Noite dos Mortos-Vivos", dirigido por George Romero. No filme, que virou um clássico, os mortos voltam à vida por uma causa misteriosa, arrastam as pernas bem devagarzinho, não falam nada e querem atacar os vivos. Eles podem morder e machucar os seres-humanos. Agora, se o assunto for imitar um zumbi, a primeira coisa que vem à cabeça é comer cérebros. Foi só no filme" A Volta dos Mortos-Vivos", de 1985, que os monstros começaram a pedir essa refeição específica.Nessa história, os humanos conseguem capturar um zumbi que ainda consegue falar e perguntam por que eles querem tanto comer cabeças humanas. O zumbi explica que estar morto e com o corpo estragando dói muito, e que se alimentar de cérebros faz a dor passar por um tempinho, trazendo alívio. A ideia fez tanto sucesso e divertiu tanto o público que virou regra na cultura pop até hoje. Nos anos 1980, os mortos-vivos deixaram o cinema e conquistaram a música. Em 1983, o cantor Michael Jackson lançou o clipe de "Thriller", comandado pelo diretor John Landis. O vídeo parecia um pequeno filme de terror de 14 minutos, e a grande novidade era ver monstros com roupas maneiras saindo das covas para dançar juntos, em uma coreografia copiada até hoje.Depois, os zumbis invadiram os videogames. Em 1996, surgiu "Resident Evil". Nele, as criaturas eram resultado de uma experiência de laboratório que deu errado, criando um vírus. O jogo é cheio de zumbis e até cães infectados que gemem pelos corredores de uma mansão escura. Por outro lado, o jogo de celular "Plants vs. Zombies", de 2009, provou que monstros podem ser engraçados. Eles têm visual de desenho animado, olhos bem abertos e alguns até usam baldes ou cones de trânsito na cabeça para se proteger dos tiros de ervilhas das plantas que defendem o jardim. Na televisão e nos cinemas mais recentes, os zumbis ficaram ainda mais variados. Na série "The Walking Dead", que começou em 2010, eles são chamados de caminhantes. Os atores usam maquiagens pesadas, parecem feridos, têm roupas em farrapos e andam devagar. O perigo ali não é a velocidade, mas a quantidade gigante deles se amontoando. Além, é claro, dos seres humanos, que podem ser bem malvados quando querem. Já o filme "Guerra Mundial Z", de 2013, trouxe outro tipo de zumbi. Nele, o que dá medo não é a aparência podre das criaturas, mas a altíssima velocidade com que eles correm. É quase impossível de escapar! Eles chegam a formar montanhas de corpos, subindo uns sobre os outros para conseguir ultrapassar muros e invadir cidades inteiras. Cada história inventa suas próprias regras para deixar a ficção mais assustadora. Mas calma. Apesar de tantas lendas de arrepiar, não há provas científicas de que exista um vírus capaz de transformar seres humanos em mortos-vivos devoradores de cérebros. Infecções reais podem afetar o corpo, mas a transformação dos filmes continua sendo pura ficção. Na natureza, porém, existem seres vivos capazes de fazer algo surpreendente: alterar o comportamento de outros organismos. No jogo e na série "The Last of Us", por exemplo, as pessoas são infectadas por um fungo. Na fase avançada, os monstros são chamados de estaladores. Esses monstros não têm olhos, porque uma espécie de cogumelo cresce e cobre o rosto inteiro deles, e eles acham os humanos apenas pela audição, fazendo um barulho esquisito de estalo com a boca. A ideia foi inspirada em fungos reais, do grupo Ophiocordyceps, que vivem nas florestas. Ele não faz mal aos seres humanos, mas é o maior pesadelo das formigas e das moscas. Quando um pedacinho desse fungo cai em uma formiga mais fraca, por exemplo, eles começam a infectá-la e ela vira uma zumbi, perdendo a vontade de trabalhar no formigueiro Os cientistas ainda estudam como isso acontece, mas as pesquisas mais recentes indicam um detalhe assustador: o fungo pode ocupar os músculos da formiga e controlá-la como uma marionete, sem precisar invadir o cérebro dela. Depois, a formiga morre e o fungo brota da cabeça da formiga, soltando um pozinho no ar para zumbificar outras formigas que passarem por baixo. Mas não há motivo para pânico, pois eles não são capazes de transformar humanos nas criaturas do jogo. É um fenômeno tão curioso que parece inventado para o cinema, mas acontece de verdade. Por isso, o máximo que você vai chegar perto de um zumbi na vida real é jogando um bom videogame ou observando insetos no jardim da sua casa.

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