Zelenski aceita congelar front; Putin reabre negocia��es

Zelenski aceita congelar front; Putin reabre negocia��es

Enquanto o presidente Vladimir Putin negociava a reabertura de negociações sobre a Guerra da Ucrânia com o enviado de Donald Trump em São Petersburgo nesta quarta-feira (21), seu rival Volodimir Zelenski afirmou a uma TV dos EUA que um acordo de paz pode ser discutido com o congelamento imediato das linhas de frente no seu país. Questionado se toparia parar a guerra onde ela está por um repórter da Fox News, o ucraniano disse: "Sim. Se tivermos que congelar tudo agora, acho que essa é a verdadeira maneira de acabar com esta guerra". Segundo o monitor ucraniano DeepState, Putin hoje ocupa 19,4% da Ucrânia, incluindo aí os 7,3% que detinha da Crimeia anexada em 2014 e dos territórios controlados por separatistas pró-Rússia desde aquele ano, quando o governo aliado do Kremlin foi derrubado em Kiev. A coreografia diplomática do dia foi empregada em um dos piores momentos de Zelenski na guerra iniciada por Putin em 2022. Há duas semanas, Trump adotou novamente uma política favorável a Moscou para tentar solucionar o conflito. Fechou um acordo para comprar diesel russo, de olho no efeito da inflação de combustíveis devido à sua guerra no Irã nas chances de manter o controle do Congresso no pleito de novembro, e suspendeu um pacote de sanções contra Moscou. Tornou intermitente o compartilhamento de informação sobre lançamentos balísticos contra a Ucrânia e a cobertura de satélite militar para as forças de Zelenski, problemas em tese resolvidos agora. A autoria do corte na rede Starshield ainda é um mistério: o dono do serviço, Elon Musk, diz que os militares americanos são os operadores. Já a Casa Branca negou ter feito o corte, e o Wall Street Journal publicou reportagem culpando Musk pela ação. Seja com for, o recado foi dado, até porque Trump foi ainda mais explícito: nos últimos dias, pediu a realização de eleições e a saída de Zelenski, irritado com a manutenção dos disruptivos ataques com drones a refinarias russas. Os parceiros europeus de Kiev assistiram a tudo com um misto de horror e impotência. Apesar de satisfeitos, os russos sabem que este é o modus operandi negocial de Trump, desenhado no livro "A Arte do Negócio" (1987), então querem aproveitar o momento de pressão antes que o americano resolva aliviar a situação de Zelenski e virar-se contra Putin, como já fez em outras ocasiões. Assim, ganham tempo sinalizando disposição para conversas que observadores na Rússia temem escamotear o fato de que Putin acredita em vitória militar contra o vizinho. O russo afirmou a Witkoff que está pronto para reabrir em novembro as conversas mediadas pelos EUA, que estão estagnadas desde o começo do ano, quando Trump voltou sua atenção para o Oriente Médio. Administrando o tempo, Putin fez um gesto de boa vontade a Steve Witkoff, o negociador americano com quem se encontrou pela nona vez nesta quarta. Soltou, a pedido de Trump e sem a reciprocidade de praxe, o americano Stephen Hubbard, 74, o último americano detido na Rússia por motivos que o Departamento de Estado considera injustificados. Professor de inglês aposentado, o idoso morava em Izium (Ucrânia) quando foi capturado pelas forças invasoras russas em 2022. Acusado de ser um mercenário, algo que dizia ser fabricado, ele foi condenado em 2024 a seis anos e dez meses de cadeia, que cumpria em uma colônia penal. Ele foi levado para São Petersburgo e entregue aos americanos. No início da reunião de três horas com Putin, Witkoff abusou de mesuras, chamando o líder russo de "um humanitário". No segmento aberto do encontro, o presidente falou em parceria econômica com os EUA, enquanto o negociador relatou "avanços" na conversa que tivera na véspera em Oslo com Zelenski. Participou, por vídeo e alegando problemas de saúde para não viajar, Jared Kushner, o genro de Trump que funciona como embaixador informal dos negócios do sogro —o que já abriu várias frentes na própria Rússia. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Há a expectativa de que algum avanço possa ocorrer no mês que vem, durante o encontro da associação dos países da Ásia-Pacífico na China. Está sendo costurado um encontro de cúpula entre Trump, Xi Jinping e Putin, algo que críticos do russo veem apenas como uma legitimação de sua posição no conflito. Logo depois de receber Witkoff, o líder do Kremlin reuniu-se com o premiê chinês, Li Qiang. A imprensa russa só citou a possibilidade da costura de uma reunião entre Putin e Xi na pauta da conversa.

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