Brasília O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participou da negociação do BRB (Banco de Brasília) para tentar comprar o Banco Master, em 2025, de acordo com mensagens obtidas pela Folha. O comentário foi feito por Vorcaro ao publicitário Thiago Miranda em 5 de abril de 2025, oito dias depois da assembleia do conselho de administração do BRB que aprovou a compra de 58% das ações do Master. No material, não há conversas diretas com a governadora ou descrições da participação dela no negócio. Nas mensagens, Thiago envia a Vorcaro uma reportagem do jornal O Globo em que Celina, à época vice-governadora, dizia não ter sido consultada sobre a compra do Master. O publicitário escreve, em seguida, que Celina queria aparecer por ter ficado de fora da operação. A governadora de Brasília, Celina Leão (PP), durante convenção do PL-DF, no mês passado - Pedro Ladeira - 2.ago.2026/Folhapress "A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação", escreveu Miranda após compartilhar o link da reportagem com o título "O climão na cúpula do governo do Distrito Federal com a compra bilionária do Master". Vorcaro, então, nega que a governadora tenha ficado de fora e afirma que ela estava fazendo um jogo para se proteger. "Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política", escreveu. As mensagens foram trocadas horas depois da publicação da reportagem. No texto, o jornal diz que a compra havia provocado "mal-estar" no Governo do Distrito Federal porque Celina dizia "não ter sido consultada sobre o negócio bilionário, capitaneado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB)". "Não tenho conhecimento sobre a operação [de compra do Banco Master], não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa", disse Celina ao jornal O Globo, na ocasião. Procurada pela Folha na segunda-feira (14), a governadora citou a reportagem e afirmou que o diálogo comprova que ela sempre foi contra a compra do Master. Celina não explicou por que Vorcaro comentou que ela participou da operação e fazia um jogo político. "As declarações deles comprovam que a governadora Celina Leão sempre foi contra a compra do Master pelo BRB, seis meses antes da deflagração da operação policial que levou à prisão de Daniel Vorcaro", segundo a nota enviada. "A conversa entre terceiros mostra que logo após o anúncio do futuro negócio entre as duas instituições bancárias, em março de 2025, a então vice-governadora, se manifestou contra a operação bancária como registra a matéria do jornal O Globo publicada em 5 de abril de 2025. Na ocasião, a reportagem diz, inclusive, que ela não descartaria 'a possibilidade de rever a operação assim que assumisse o cargo'." Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o Master. Ela assumiu o governo em março e é candidata à reeleição. O candidato dela a vice-governador, Gustavo Rocha (Republicanos), foi secretário-chefe da Casa Civil no governo Ibaneis. A governadora tem repetido a alegação de que não sabia da operação do BRB com o Master e não tinha sequer contato com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que está preso. Durante debate promovido pelo portal Metrópoles no último dia 10, Celina destacou que o nome dela não estava na agenda telefônica de Vorcaro nem em diálogos. "O escândalo do Master é o maior escândalo do Brasil. Envolve gente do Judiciário, gente do Legislativo e pessoas que estão presas, mas com certeza o meu nome não está lá, não constava na agenda de Vorcaro", afirmou. "E não constava o meu nome também em diálogos tentando negociar, calar, com algumas assessorias de imprensa. Também não constava. Alguns candidatos aqui, tinha diálogos sobre eles. Mas o meu nome não constava." A compra de carteiras de crédito falsas do Master seguida pela tentativa de aquisição do banco provocou um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal. O prejuízo final ainda é considerado uma incógnita porque o banco não publica balanços completos desde agosto do ano passado, quando divulgou os dados referentes ao segundo semestre. Sem solução à vista, a instituição hoje corre o risco de sofrer uma intervenção do Banco Central. Investigações da Polícia Federal concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. A maioria desses repasses, cerca de R$ 12,2 bilhões, eram títulos falsos, ou seja, sem valor. O governo local tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para bancar o prejuízo. Na semana passada, o ministro do STF Luiz Fux deu 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) se manifestem sobre o pedido.
Vorcaro disse que governadora do DF participou de negocia��o do BRB para compra do Master
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