A reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como governador de São Paulo em primeiro turno já era esperada desde agosto, quando uma bem-articulada operação de seus aliados políticos desmontou outras possíveis candidaturas e deixou o embate num mano a mano com Fernando Haddad (PT). A margem da vitória era a grande questão. Finalizada a contagem, os números mostram o fortalecimento político de Tarcísio e sua consolidação como figura de destaque nacional. Acompanhe na Folha em tempo real a apuração do 1º turno das eleições O resultado é histórico. Às 19h47, com 90,02% das urnas apuradas, Tarcísio contava com apoio de 63% dos paulistas, o que o coloca como o candidato mais votado para o Palácio dos Bandeirantes desde a volta das eleições diretas, em 1982. Superou o recordista anterior, José Serra (PSDB), que teve 57,93% no primeiro turno em 2006. Curiosamente, o crescimento político de Tarcísio vem num momento em que sua liderança do campo da direita nos próximos anos se torna mais incerta. Em seu primeiro mandato, ele era o favorito de vastos setores do centro e da direita para ser candidato a presidente, mas foi atropelado por uma articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro em prol de seu primogênito, Flávio. Disciplinado e ciente dos riscos de enfrentar o clã, Tarcísio aceitou calado, embora não necessariamente feliz. Publicamente, disse que estava tudo bem e usou o álibi de que precisava de mais um mandato para completar seu projeto para São Paulo. Agora, sem a opção de uma nova reeleição, a Tarcísio restará ser candidato a outro cargo em 2030. Mas a Presidência é uma incógnita, seja qual for o desfecho para Flávio Bolsonaro agora. Caso se saia vitorioso, o senador fluminense será o nome natural para renovar o mandato daqui a quatro anos, uma vez que sua promessa de não disputar a reeleição tem o valor de face de um CDB do Banco Master. Mesmo que perca, Flávio terá condições de pleitear uma nova tentativa em 2030, lastreado pelo bom desempenho agora e, claro, pelo sobrenome. A vantagem de Tarcísio é que ele estará à frente do maior estado do país, com toda a projeção que isso dá, enquanto o filho de Jair ficará sem mandato durante longos quatro anos. No máximo terá algum cargo decorativo no PL. Sem foro privilegiado, Flávio pode ser presa fácil do Judiciário em algum dos muitos casos em que é citado. Já Tarcísio, que se sente bem mais à vontade de capacete, visitando um "tatuzão" do metrô, do que conversando com lideranças partidárias, precisará assumir um lado mais político. Em seus primeiros quatro anos, ele chegou a esboçar esses movimentos, no debate sobre a reforma tributária, por exemplo, ou em discussões sobre segurança pública. Mas sempre com um pé atrás e a cautela característicos de quem, mesmo hoje, ainda tenta se passar por um quadro técnico que por acaso foi parar na política. Não são poucos os aliados que reviraram os olhos desde 2023 a cada refugada do governador do maior estado do país em fazer valer esta condição. A partir de agora, o jogo muda. Tarcísio tem quatro anos para se tornar um ser essencialmente político, seja como peça-chave na sustentação de um presidente Flávio ou na linha de frente da oposição a Lula. O problema é que ser mais político traz o risco óbvio de uma ruptura com a família Bolsonaro. O clã não gosta de quem cresça à sua sombra e tem posições mais radicais à direita do que Tarcísio, visto à boca pequena como "isentão", uma ofensa pesada na bolsolândia. É essa sintonia fina, entre projeção política e fidelidade, que definirá o segundo mandato de Tarcísio. E decidir se, em outubro de 2030, ele estará na urna como candidato a presidente ou a senador.
Vit�ria folgada fortalece Tarc�sio para 2030 e imp�e novo desafio na rela��o com cl� Bolsonaro
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