São Paulo O site de apostas Blaze revelou à Justiça do Distrito Federal detalhes inéditos de seu contrato com a influenciadora Virginia Fonseca. Pessoas com acesso ao contrato dizem que os repasses a duas companhias de Virginia e a comissão a uma agência estrangeira somam cerca de R$ 100 milhões. A plataforma borrou as cifras na contestação de uma ação civil pública movida pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) sob alegação de práticas abusivas. A petição da empresa foi entregue no dia 20 de agosto, na véspera do anúncio de que a influenciadora encerraria seu contrato com a bet. Em nota, a Foggo Entertainment, companhia responsável pela marca Blaze, afirma que os pagamentos devidos foram efetuados diretamente às empresas brasileiras indicadas em contrato no Brasil, com a devida emissão de notas fiscais e em estrito cumprimento da legislação tributária e regulatória vigente. A influenciadora Virginia Fonseca, durante depoimento à CPI das Bets no Senado Federal em abril de 2025 - Gabriela Biló -13.mai.25/Folhapress Parte do valor foi paga como comissão à Viral Nation, empresa com sede em Barbados que tem uma subsidiária no Brasil. O diretor responsável pelo contrato, Fábio Marcondes Gonçalves, diz que a atuação da agência se limitou à intermediação de contratos publicitários entre a Blaze e influenciadores. Em nota, a assessoria de Virginia diz que todos os pagamentos foram realizados no Brasil, com a emissão de notas fiscais e cumprimento da legislação tributária. A acusação da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) é de que a Blaze utiliza padrões enganosos e técnicas de gamificação para induzir consumidores vulneráveis ao risco. Os autos reúnem publicações de Virginia, que também é investigada, e peças de marketing interno distribuídas aos jogadores cadastrados, que os promotores obtiveram ao se infiltrarem nas plataformas de apostas. Por isso, os investigadores pediram acesso aos contratos entre a bet e a influenciadora. Nos autos, a defesa de Virginia nega a acusação de que receberia uma comissão baseada na perda dos apostadores, o que foi chamado de "taxa da desgraça" na CPI das Bets. Ela anunciou que deixaria de divulgar apostas em 19 de setembro, dois dias antes de seus advogados protocolarem a contestação. Segundo a bet, a influenciadora recebeu um valor inicial pago na celebração do contrato e parcelas mensais fixas ao longo de 18 meses, com início em julho de 2024. Os pagamentos foram feitos à agência Talismã, de propriedade de Virginia, a uma empresa individual da influenciadora e à Viral Nation. Os advogados afirmam que a influenciadora recebeu um aditivo por ações promocionais durante a Copa do Mundo da Fifa, que não deveria ser confundido com comissões por desempenho. As diretrizes de divulgação da Blaze por Virginia eram determinadas pelo contrato e incluíam a obrigação de publicar um story sobre o início da parceria, em um padrão similar ao que fez o jogador Neymar Jr. às vésperas do mundial de futebol —o atleta não comenta sua relação com a empresa de apostas devido a cláusulas de confidencialidade. A Blaze contrata influenciadores desde 2021 por meio da Viral Nation. A companhia de marketing cobra uma taxa de intermediação de 15% e já recrutou outros influenciadores de grande repercussão no país. A defesa da casa de apostas diz que a intermediação por uma agência especializada atende a uma prática consolidada de mercado para realizar a triagem de perfis, verificar métricas objetivas de público, supervisionar o cumprimento de cronogramas e alinhar as diretrizes de marca e conformidade legal dos criadores de conteúdo. Segundo os autos, a Viral Nation atuava na identificação, prospecção e contratação de criadores de conteúdo e influenciadores digitais de grande alcance. Ainda coordenava as entregas publicitárias e a elaboração de relatórios de desempenho, como volume de visualizações, engajamento e curtidas. Embora tenha sua principal freguesia em território brasileiro, a marca Blaze foi fundada pelo holandês Nick van Gorsel e pelo americano Nicholas Beugg. As operações ficam em Malta e as licenças de operação de apostas, antes da regulação, eram do governo de Curaçao por meio da empresa local Prolific Trade N.V. As identidades deles foram reveladas em um vazamento de dados da Curaçao Gaming Authority, um feito reivindicado pela hacker berlinense Lilith Wittmann. Até então, a companhia alegava que o negócio operava com um modelo descentralizado, sem acionistas de referência. Os autos da ação do Ministério Público indicam que os pagamentos internacionais da casa de apostas eram feitos pela instituição financeira cipriota Horangi Trading. A investigação derrubou a tese de que o brasileiro Erick Loth Teixeira, responsável pelo registro do endereço blaze.com.br, era o dono da plataforma. O balanço da empresa no Brasil aponta que gastos com publicidade e programas de fidelidade (oferecimento de bônus e rodadas grátis) são os principais custos da plataforma. A Blaze desembolsou R$ 89 milhões em bônus, R$ 388 milhões em programas de fidelidade —enviados em newsletters e "textos-foguetes" aos jogadores cadastrados— e R$ 330 milhões com publicidade externa —o que inclui contratos com influenciadores, pagamentos para impulsionar publicações e peças publicitárias na mídia tradicional. O documento mostra ainda um faturamento antes da dedução de impostos de R$ 1,9 bilhão, obtido a partir de depósitos na casa dos R$ 11 bilhões (entenda como funciona o faturamento das bets aqui). Nos autos da ação, a empresa informa uma receita bruta, que serviria de referência em multas, por volta de R$ 1,4 bilhão, ao descontar todos os bônus oferecidos de sua receita. Após cumprir obrigações com despesas operacionais e fornecedores, a Blaze teve uma margem de lucro de 33%, chegando a um resultado de R$ 361 milhões nos primeiros 11 meses do ano passado. Desse total, R$ 350 milhões foram enviados como dividendos para a sede da empresa no exterior. RAIO-X - BLAZE Criação: 2019 Receita bruta no Brasil: R$ 1,9 bilhão (janeiro a novembro de 2025) Receita líquida no país: R$ 1,1 bilhão Lucro: R$ 361 milhões Depósitos dos jogadores: R$ 11 bilhões Gasto com salários: R$ 8,6 milhões Sedes: Brasil, Malta, Ilha de Man e Curaçao Principais concorrentes: Betano, Superbet, Sportingbet e Esportes da Sorte
Virginia anunciou rompimento um dia ap�s Blaze entregar contrato de R$ 100 milh�es � Justi�a
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