Vice de Santiago Peña, que renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5), Pedro Alliana deve assumir o comando do país mesmo sendo acusado de cumplicidade no escândalo que levou à queda de seu correligionário no Partido Colorado, legenda conservadora que domina a política paraguaia há décadas. A Constituição paraguaia estabelece que, em caso de renúncia do presidente, o vice assume o cargo sem a necessidade de uma nova eleição presidencial. Em tese, portanto, Alliana ocupará a Presidência com mandato até agosto de 2028, quando um novo pleito deverá ser realizado. A possibilidade de Alliana ser alçado ao cargo de chefe do Executivo não significa que ele esteja livre das acusações relacionadas ao escândalo bancário que derrubou Peña, contudo. Em 4 de novembro, 35 deputados da oposição apresentaram pedidos de impeachment contra presidente e vice por suposto envolvimento em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país. A queda de Peña ocorreu após denúncias de fraude envolvendo a instituição financeira que tem 2,9 milhões de clientes, numa crise que abalou o país e motivou protestos massivos e violentos. Pressionado, o presidente apresentou a renúncia enquanto os deputados discutiam o seu processo de destituição. No caso de Alliana, os parlamentares o acusam de ter atuado para proteger de forma política o banco, de ter respaldado a aplicação de recursos previdenciários na instituição e de ter ignorado alertas sobre operações de crédito relacionadas ao caso. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Antes da renúncia de Peña, até mesmo a base governista anunciou que votaria a favor de seu impeachment, o que abriria caminho para que a acusação fosse aprovada por unanimidade. Nesta quinta, contudo, horas após a renúncia do presidente, a Câmara dos Deputados rejeitou por 48 votos a 30 o pedido de impeachment contra Alliana, abrindo caminho para que ele assuma a Presidência. O resultado foi obtido após manobras do Partido Colorado em uma sessão curta e confusa, segundo a imprensa paraguaia. Aos 52 anos, Pedro Alliana acumula trajetória de mais de duas décadas na vida pública paraguaia, com passagens pela Câmara dos Deputados, pelo governo regional e pela direção do Partido Colorado. Nascido em 19 de fevereiro de 1974, Alliana ganhou projeção em 2008, quando foi eleito governador da região de Ñeembucú, no sudoeste do país. Em 2013, chegou à Câmara, onde permaneceu por dez anos. Durante esse período, presidiu a Casa em várias ocasiões e comandou o Partido Colorado de 2016 a 2023. Em 2023, integrou a chapa de Santiago Peña, eleita para comandar o país. Como vice, passou a desempenhou funções de representação institucional e diplomática. No mês passado, por exemplo, encontrou-se com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Em abril, Alliana confirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2028, com apoio de Peña. No entanto, na segunda (2), diante do agravamento da crise do Ueno Bank, anunciou que colocaria o projeto eleitoral em pausa para ajudar o governo a encontrar uma solução para os problemas financeiros.
Vice que deve assumir Presid�ncia do Paraguai tamb�m � acusado de envolvimento em esc�ndalo
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