A primeira fase do vestibular 2027 da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), realizada neste domingo (18), manteve o nível de dificuldade das últimas edições, privilegiando a interpretação de textos e a aplicação dos conteúdos, exigindo conhecimento de atualidades. A prova abordou temas como democracia, negacionismo científico e ditadura, além de trazer questão sobre a gíria 'gag', popularizada nas redes sociais. A edição também homenageou os 60 anos da universidade e os 40 anos de seu vestibular. A Folha, em parceria com o Grupo Educacional Farias Brito, analisou as questões após a prova em uma live com professores de todas as disciplinas. Uma das questões que chamou atenção foi a de inglês sobre a expressão "I'm gagged", ou simplesmente "gag", popularizada nas redes sociais. Originária da linguagem da comunidade LGBTQIA+, a gíria é usada para expressar surpresa ou entusiasmo e ganhou espaço no vocabulário de outros grupos. Segundo Ademar Garcia, professor de inglês do Farias Brito, a pergunta exigia interpretar o contexto social das expressões e identidades culturais. "Não é só ler o texto e traduzir". Para ele, a prova requeria conhecimento intermediário ou superior do idioma, vocabulário e interpretação crítica. Na avaliação de Arilo Pinho, professor de física do Farias Brito, o vestibular apresenta questões que frequentemente relacionam conceitos escolares a acontecimentos recentes. "Foi uma prova mais aplicada, contextualizada e moderna do que efetivamente difícil", afirma. Para Pinho, resolver as questões exige relacionar conhecimentos a situações concretas, como um detetive reúne informações para concluir um caso. Em química, a contextualização também foi destaque. O professor Antonino Fontenelle cita uma questão sobre intoxicação por metanol, que exigia interpretar informações de um protocolo de tratamento e relacioná-las a dados como a concentração da substância e o pH do sangue. "Não foi uma prova fácil, mas foi uma prova interessante. Por trazer questões mais contextualizadas, às vezes exige determinadas interpretações que levam à resposta de forma mais complicada", afirma Fontenelle. A disciplina motivou comentários de candidatos sobre a dificuldade nas redes sociais. Em filosofia e sociologia, Delaias Moraes, professor do Farias Brito, destacou questão sobre democracia, que permite discutir extremismo e regulamentação das redes sociais. "É fundamental trazer esses temas, porque o vestibular se torna um instrumento que possibilita debater eles em sala de aula", afirma. Outra questão abordou o negacionismo científico e a maneira como discursos de desinformação se apropriam de dúvidas e discussões próprias da ciência para sustentar afirmações sem respaldo científico. Em história, o professor Bernardo Lima destacou o predomínio de conteúdos brasileiros e a preferência por questões reflexivas, em vez da cobrança de nomes e datas. Entre os assuntos de destaque abordados pelo professor na live estavam símbolos e práticas culturais e religiosas de africanos escravizados no período colonial e a política indigenista durante a ditadura militar. A primeira fase do vestibular da Unicamp teve 72 questões de múltipla escolha: 12 de matemática, 12 de língua portuguesa e literatura, 7 de inglês, 21 de ciências da natureza e 20 de ciências humanas. Neste ano, o vestibular teve 58.431 candidatos inscritos. A prova foi aplicada em 33 cidades paulistas e em seis capitais —Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador. Paulínia e Vinhedo, no interior paulista, passaram a integrar a lista de municípios que recebem o exame, com o objetivo de facilitar o deslocamento dos candidatos. Prova teve menor abstenção em 16 anos O exame registrou a menor abstenção dos últimos 16 anos, com 6,38% dos inscritos ausentes. Segundo José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, responsável pela organização do vestibular, a baixa abstenção reforça o acerto da mudança de horário: desde 2024, a prova tem início às 9h, quatro horas mais cedo do que anteriormente. O diretor afirma que a prova manteve a característica de abordar questões contextualizadas e relacionadas aos debates da sociedade. "É o perfil da prova da Unicamp, esse olhar crítico para o mundo", afirma. Segundo a Comvest, o gabarito oficial será divulgado nesta quarta-feira (21), e a lista de convocados para a segunda fase, em 23 de novembro. As provas da segunda etapa ocorrerão nos dias 29 e 30 de novembro. A primeira chamada de aprovados está prevista para 25 de janeiro de 2027.
Vestibular da Unicamp exige interpreta��o e repert�rio, dizem professores
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.