O vereador de São Paulo Senival Moura, afastado do PT, voltou a ser preso na manhã desta quarta-feira (28), sob suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de empresa de transporte público municipal de São Paulo. A prisão ocorreu em operação realizada em parceria entre o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que também cumpre outro seis mandados de prisão preventiva relacionados à investigação envolvendo a empresa Transunião Transportes S.A., que atua no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Senival havia sido preso em 25 de junho na mesma investigação. Ele foi solto em 4 de agosto após conseguir um habeas corpus. O advogado Márcio Sayeg, que defende Senival, afirma discordar da prisão por entender que "a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade". As investigações identificaram laranjas, movimentações financeiras suspeitas e formas de ocultação e dissimulação da origem e da titularidade de bens e valores, além de possíveis ligações entre integrantes do PCC e pessoas que exerciam funções de direção, administração ou influência na empresa de ônibus. Com a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia à Justiça, que expediu as ordens de prisão preventiva cumpridas nesta quarta-feira. A operação desta quarta-feira prendeu cinco pessoas, enquanto outras duas não foram localizadas e permanecem com mandados de prisão preventiva pendentes de cumprimento. Entre os bens apreendidos estão R$ 158.919 em espécie, US$ 2.417 e € 1.465, além de dez veículos, aproximadamente 40 relógios de grife e joias. Entre os carro apreendidos estão modelos de luxo como Porsche Macan, BMW e RAM Rampage. Foram determinados o sequestro de 21 imóveis e o bloqueio de 408 veículos e de seis embarcações. A Justiça também autorizou o bloqueio de valores e bens vinculados a 136 CPFs e CNPJs. Assassinato de diretor A investigação que deu origem à operação contra Senival e os demais alvos começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Segundo o Ministério Público, foram encontrados indícios de que um aumento do capital social da empresa, de R$ 100 mil para R$ 50 milhões entre os anos de 2015 e 2019, teria sido bancado com dinheiro do crime organizado. Segundo as investigações, havia um núcleo paralelo que tomava decisões na empresa de transporte, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Senival teria sido o principal beneficiário de desvios financeiros na empresa que teriam sido descobertos por integrantes do PCC. Os desvios foram a motivação para o assassinato de Adauto, segundo a Polícia Civil. O vereador só não foi morto porque teria se comprometido a devolver os valores desviados, segundo a investigação. Um documento da investigação também aponta que ele "instrumentalizou a Transunião para a operacionalização de um sistema financeiro clandestino", abrindo as portas da empresa para a facção criminosa. Ele tinha palavra final em decisões sobre a gerência da empresa, apesar de não ocupar nenhum cargo formal, apontam mensagens encontradas pela investigação. Um relatório do Coaf constatou que o vereador movimentou R$ 2,4 milhões sem origem identificada. A reportagem tenta contato com a defesa do vereador. O advogado Márcio Sayeg, que defende Senival, disse em nota que o vereador "reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte".
Vereador Senival Moura volta a ser preso em investiga��o por suspeita de envolvimento com o PCC
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