A juíza e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos Navi Pillay, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, afirmou neste sábado (10) que as sanções americanas anunciadas contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) são "inauditas e inaceitáveis". O presidente americano, Donald Trump, por sua vez, afirmou que a decisão do comitê do Nobel de conceder o prêmio a Pillay deixou uma "mancha indelével" na reputação da Noruega. O republicano voltou a escrever, em sua rede social, a TruthSocial, que deveria ter ganhado o prêmio. Em videoconferência durante evento realizado no Centro Nobel da Paz, em Oslo, Pillay afirmou que há muita tensão e apreensão quanto à continuidade dos tribunais internacionais, sobretudo do TPI, sediado em Haia. "O mais importante, foram anunciadas sanções por parte de um país contra juízes, apenas pelas ordens judiciais que emitem. Isto é inaudito, inaceitável", disse. Pillay presidiu uma comissão de investigação independente da ONU que, no ano passado, acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza. Após o anúncio do comitê do Nobel, muito criticado por Israel, o governo dos Estados Unidos informou que pretende adotar novas sanções contra o TPI. O tribunal expediu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e outras autoridades do país por suposto envolvimento na morte de civis em Gaza. Para Washington, as sanções se justificam pela necessidade de "defender a soberania americana e seus cidadãos diante da ameaça que representa o TPI", segundo comunicado divulgado pelo Departamento de Estado. "Eles querem mais poder e querem às nossas custas" afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que chamou o tribunal de desonesto. As sanções, uma vez aplicadas, resultarão na proibição de qualquer transação financeira com o TPI, medidas que cortariam os recursos do tribunal e paralisariam "sua capacidade de funcionar", segundo Rubio. As medidas, no entanto, só entrarão em vigor dentro de seis meses, caso não seja possível chegar a um acordo no período. Em publicação numa rede social também neste sábado, Trump voltou a dizer que, em sua opinião, ele é que merecia ter ganhado o prêmio. "Esta é a mulher que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em vez dos grandes Estados Unidos da América, cujo representante, eu, encerrou oito guerras e fez muitas outras coisas", escreveu o mandatário americano. "Não sei nada sobre essa mulher, e ninguém mais sabe! Na verdade, até onde sei, ninguém jamais ouviu falar dela, além do fato de que ela, muito obviamente, odeia Israel. Não sei o que essa mulher fez. Encerrei oito guerras, com cartas enviadas ao Comitê Norueguês do Nobel por todos os presidentes e primeiros-ministros dos países que ajudei, e estou prestes a encerrar, ou vencer, mais duas: Irã e Rússia/Ucrânia." Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo As guerras no Irã e na Ucrânia estão com negociações paralisadas e não há indicação de acordo de paz iminente, apesar de diversas indicações anteriores de Trump que os conflitos estavam prestes a acabar. "Os EUA, representados por mim, como seu presidente, deveriam ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, mas não receberam. Esta é uma mancha indelével na Noruega, que jamais será esquecida", acrescentou Trump. A Noruega sedia o comitê do Nobel. "O prêmio foi desacreditado para sempre por um punhado de ideólogos radicais que são antidemocráticos e verdadeiros inimigos da civilização. E não esqueceremos, Noruega."
Vencedora do Nobel da Paz diz que san��es contra o TPI s�o inaceit�veis; Trump critica Noruega
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