Incêndios florestais que avançam cada vez mais rápido, influenciados pelo calor extremo e por ventos fortes, forçaram mais de 300 mil pessoas a evacuar ou se abrigar em cidades a oeste da França e Espanha, enquanto bombeiros lutam para conseguir controlar as chamas. Um homem morreu devido ao incêndio na região de Valência, próximo à Madri, segundo anunciou a autoridade nacional no sábado (25). Na França, não há nenhuma informação de mortes até o momento, mas os incêndios atingiram em cheio a região de Bordeaux, uma das mais importantes áreas produtoras de vinho do país. Milhares de hectares foram atingidos, com dezenas de bombeiros acidentados, além de casas inteiras destruídas e agricultores e turistas forçados a se deslocarem. Autoridades francesas e espanholas pediram, no último sábado (25), ajuda extra através de recursos da União Europeia, e alertaram que as temperaturas elevadas e as rajadas de vento têm tornado difícil o controle das chamas. Veja o que se sabe sobre os incêndios florestais no oeste europeu e o que autoridades estão fazendo para combatê-los. Onde se concentram os incêndios? Autoridades nacionais e locais reportaram dezenas de incêndios na França, mas a maior e mais preocupante chama é a que corre pela costa Atlântica, na região sudoeste, nos arredores de Bordeaux. Um dos incêndios teve início na última quarta-feira (22), na região de Gironde, enquanto um novo engolfou a região de Landes, mais ao sul, segundo autoridades locais. Somados, os dois incêndios já dizimaram 120 mil hectares. O governo francês também demonstrou preocupação com os novos incêndios atingindo a região de Var (Sul), que queimou mais de 8.000 hectares. O incêndio na área de Gironde "produz os seus próprios ventos, o que acelera sua dispersão e pode fazer com que as chamas mudem abruptamente de direção", disse o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, na última sexta-feira (24). "Especialistas de defesa civil nunca enfrentaram um fenômeno parecido", disse Lecornu em uma postagem em sua rede social, após uma reunião do governo para avaliação da situação. Na Espanha, incêndios na região montanhosa a oeste da capital Madri provocaram a evacuação de mais de 19 mil pessoas e queimaram cerca de 15 mil hectares até a tarde de sexta-feira (24). As chamas estão cercando regiões densamente populadas, como Valência, onde foi confirmada uma morte no último sábado (25). "Este é o pior incêndio que já atingiu a região de Madri na história", disse Isabel Díaz Ayuso, a autoridade na região, na última sexta-feira (24). Os incêndios se espalham "em meio a uma tempestade perfeita de temperaturas extremamente altas e vents incessantes", acrescentou, embora as autoridades na região de Madri disseram, no último sábado (25), que as condições meteorológicas haviam melhorado, com menos ventos, uma umidade relativa do ar maior e temperaturas menores. Como as autoridades estão respondendo? Autoridades francesas e espanholas solicitaram a milhares de pessoas que evacuassem, criando áreas de abrigo emergencial e deslocando aviões e helicópteros com bombeiros para conter as chamas. Na França, militares foram convocados para atuar no controle junto aos bombeiros, que estão combatendo os incêndios sem parar. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas No sábado (25), o prefeito da região de Gironde ordenou a evacuação em diversos subúrbios a oeste de Bordeaux como uma medida preventiva. Uma das regiões inclui o aeroporto da cidade. Milhares de pessoas já haviam evacuado a península de Cap Ferret, uma destinação turística popular no Atlântico, enquanto centenas de pessoas deixaram a ilha em barcos. O presidente da França. Emmanuel Macron, solicitou que as forças armadas do país "se mobilizassem ao máximo para dar apoio à segurança civil", segundo nota de seu gabinete de governo divulgada na noite de sexta-feira (24). Mais de mil soldados eram esperados para ocupar as ruas no sábado (25), afirmou Lecornu. As autoridades francesas também disseram na sexta (24) que iriam enviar 1,5 milhão de máscaras faciais para proteger os moradores e trabalhadores voluntários atuando no controle das chamas contra a fumaça tóxica produzida pelos incêndios. É possível saber a causa dos incêndios? Embora a origem exata das chamas na França e Espanha ainda seja incerta, há partes da Europa que tiveram incêndios nos últimos meses impulsionados pelas ondas de calor sucessivas desde o fim de maio que atingiram o continente. As ondas de calor ressecaram a vegetação e provocaram o derretimento de geleiras, além de terem provocado 10 mil mortes em excesso do que o computado no período em anos anteriores, segundo a União Europeia. O último mês de junho foi o mais quente de toda a história da Europa Ocidental, segundo um relatório do Copernicus, a agência de monitoramento meteorologia europeia, divulgado no início do mês. Embora seja difícil fazer a associação causal de uma onda de calor ou incêndio específico ao aquecimento global, especialistas afirmam que a mudança climática provocada por ação humana, e não fatores naturais, está por trás das temperaturas cada vez mais elevadas no continente, que provocaram os incêndios mais destrutivos de maneira geral. Cerca de duas semanas atrás, um incêndio na província de Almería, no sudeste da Espanha, provocou a morte de 13 pessoas, fazendo deste o incêndio mais fatal do país registrado até então. Dois bombeiros franceses morreram combatendo um incêndio próximo à região de Bordeaux na última semana. A França, embora tenha décadas de experiência no controle de incêndios em sua porção sul do país durante o verão, enfrentou um aumento tanto no número de incêndios neste ano quanto na sua dispersão ao norte, ocasionados pelas temperaturas extremamente altas. Até a primeira quinzena de julho, cerca de 11 mil incêndios já haviam sido registrados em todo o país, queimando mais hectares do que todo o período de verão do último ano no total. Com colaboração de Carlos Barragán de Madri.
Veja o que se sabe sobre os inc�ndios florestais que atingem a Espanha e a Fran�a
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