Vacina��o e informa��o ajudam a conter surtos e pandemias

Vacina��o e informa��o ajudam a conter surtos e pandemias

As epidemias e pandemias têm acompanhado a humanidade ao longo da história. Uma epidemia ocorre quando uma doença se espalha rapidamente em uma região ou país, enquanto uma pandemia afeta vários países ou continentes ao mesmo tempo. Embora hoje muitas pessoas associem esse risco exclusivamente à recente pandemia de Covid-19, existem inúmeros exemplos, como a gripe espanhola de 1918, que causou milhões de mortes em todo o mundo, ou a epidemia da doença causada pelo vírus ebola na África Ocidental. Cólera, varíola dos macacos, sarampo, meningite, febre tifoide e dengue também causam surtos epidêmicos em diferentes partes do mundo. Apesar dos recentes avanços da medicina, as doenças infecciosas continuam representando uma ameaça à saúde pública. A globalização, as viagens internacionais, o crescimento das cidades e as mudanças ambientais favorecem seu surgimento e propagação. Sabemos que, no futuro, haverá novas epidemias e que também é provável que surjam pandemias. O que não sabemos é quando elas surgirão, onde ocorrerão e qual será sua gravidade. Como são gerenciadas e prevenidas Embora a melhor maneira de lidar com uma epidemia seja se preparar antes que ela ocorra, nem sempre é possível antecipar-se. Como afirmou o político norte-americano Donald Rumsfeld, "há coisas que sabemos que sabemos, há coisas que sabemos que não sabemos e há coisas que não sabemos que não sabemos". De qualquer forma, a gestão de qualquer medida preventiva na saúde pública requer um planejamento adequado e uma comunicação clara. Um bom exemplo é a epidemia anual de gripe, uma doença que, embora seja sazonal (outono-inverno), sempre se mostra imprevisível até certo ponto: não podemos prever qual ou quais tipos específicos de vírus vão circular, nem o número de casos, nem a gravidade deles, nem, é claro, a eficácia real das vacinas em cada temporada. Lidando com essas incertezas, a cada outono os sistemas de saúde lançam campanhas de vacinação contra a gripe voltadas para os grupos mais vulneráveis. As vacinas antigripais, atualizadas periodicamente para se adaptarem da melhor forma possível às cepas que parecem mais prováveis de circular, reduzem o risco de doença grave, complicações, hospitalização e morte. Ao mesmo tempo, recomenda-se à população que adote medidas preventivas básicas, como a higiene das mãos, a ventilação de ambientes fechados, ficar em casa enquanto os sintomas persistirem e, em determinadas circunstâncias —como no transporte público—, o uso de máscaras eficazes. O fato de essas intervenções contribuírem ou não para reduzir o risco de transmissão do vírus depende, em grande parte, de como elas são comunicadas à população. É preciso explicar o que é recomendado, mas também por que é recomendado e como colocar estas medidas em prática corretamente. Quando a informação é compreensível e coerente, aumenta a aceitação das medidas propostas. A experiência anual com a gripe demonstra que a saúde pública consiste, na maioria, em fazer com que a sociedade compreenda, confie e incorpore as medidas recomendadas à sua vida cotidiana. E, para isso, uma boa comunicação é fundamental. Quais riscos envolvem e para quem Obviamente, o principal risco de uma epidemia é a doença e, nos casos mais graves, a hospitalização, a deficiência ou, até mesmo, o óbito do paciente. Mas também há "efeitos colaterais", como a saturação dos serviços de saúde (que não conseguem dar conta de outras patologias, deixando doentes sem atendimento), o aumento dos problemas de saúde mental ou o absenteísmo no trabalho e na escola. Embora, normalmente, qualquer pessoa possa ser contaminada, existem grupos mais vulneráveis. Entre eles estão crianças pequenas, idosos, portadores de doenças crônicas, pessoas imunodeprimidas, gestantes e alguns profissionais especialmente mais expostos a agentes infecciosos, como os profissionais de saúde. É essencial fornecer orientações claras a esses grupos. A ciência é fundamental A ciência é a base tanto da prevenção quanto do gerenciamento de epidemias e pandemias. Graças à pesquisa biomédica, podemos identificar novos microrganismos, estudar como as doenças se transmitem e desenvolver testes diagnósticos, tratamentos e vacinas. A ciência também permite avaliar quais medidas são mais eficazes em cada situação e fornece às autoridades políticas as evidências necessárias para tomar melhores decisões. Investir em preparação e prevenção é comparável a contratar uma apólice de seguro contra todos os riscos: esperamos não precisar usá-la, mas ela é essencial quando surge uma emergência. Que concepção de risco deve ser transmitida Comunicar corretamente o risco é sempre um desafio. A população deve compreender que as epidemias são uma ameaça real, mas sem gerar alarmismo desnecessário. O especialista em comunicação de riscos Peter Sandman resumiu essa ideia em uma fórmula: Risco = Perigo + Indignação. Em uma crise de saúde, esses dois elementos costumam coexistir: há uma ameaça real à saúde e, ao mesmo tempo, preocupação, incerteza ou desconfiança entre a população. Além disso, as crises alteram a maneira como as pessoas recebem e processam as informações. A atenção diminui, as mensagens negativas ganham mais peso e a capacidade de compreensão pode ser reduzida. Por isso, as mensagens devem ser breves, relevantes, indicar claramente quais ações são recomendadas e ser repetidas de forma consistente. Gerar confiança é essencial. Autoridades e profissionais devem se comunicar com rapidez e transparência, explicando o que se sabe, o que não se sabe e quais medidas estão sendo tomadas. É muito importante ouvir e respeitar as preocupações da população e, quando for o caso, corrigir, reconhecer erros e pedir desculpas. Em uma crise de saúde, a comunicação não é um complemento da resposta; faz parte dela. De fato, uma crise mal comunicada pode acabar causando mais danos sociais do que o próprio problema de saúde. A importância de informar e educar a população Uma população bem informada é uma das melhores defesas contra as epidemias. É importante que saibamos identificar fontes confiáveis de informação e distingui-las de boatos ou notícias falsas. As epidemias costumam vir acompanhadas de desinformação. Algumas das mentiras mais comuns são negar sua existência ou gravidade, recomendar supostos tratamentos milagrosos sem evidência científica, afirmar que as vacinas são desnecessárias ou perigosas sem provas ou atribuir as epidemias a conspirações ou interesses ocultos. Essas mensagens reduzem a confiança nas medidas de prevenção e dificultam o controle de uma epidemia. Na saúde pública, a pseudociência e a desinformação sempre causam danos reais. O que podemos melhorar Podemos e devemos reforçar os sistemas de vigilância epidemiológica, investir em pesquisa biomédica, fortalecer os serviços de saúde, coordenar melhor a resposta internacional, melhorar a comunicação clara e baseada em evidências, ampliar a educação em saúde da população e combater ativamente a desinformação. As epidemias e pandemias fazem parte dos riscos globais do século 21: temos um único mundo e uma única saúde. A melhor maneira de reduzir suas possíveis consequências é combinar preparação, ciência, comunicação eficaz e participação cidadã. Uma população bem informada e sistemas de vigilância e de saúde sólidos e preparados constituem a melhor defesa para proteger a saúde coletiva. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Esse texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

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