Bloomberg Os usuários da Netflix Inc. estão assistindo ao serviço de streaming menos do que antes, o mais recente sinal de dificuldades de engajamento para a empresa de entretenimento mais valiosa do mundo, segundo pessoas a par do assunto. Os clientes não estão abrindo o aplicativo em tantos dias do mês quanto faziam há alguns anos, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque os dados são confidenciais. A empresa usa uma métrica conhecida como QPD, ou dias de reprodução qualificados, para medir com que frequência os clientes usam o aplicativo. O cliente médio também está passando menos tempo assistindo. Embora o tempo total no aplicativo tenha aumentado alguns pontos percentuais no primeiro semestre do ano, isso ocorreu porque houve um aumento no número de clientes. Individualmente, cada usuário está assistindo menos. Homem próximo ao logo da Netflix em evento em Mumbai, Índia - Francis Mascarenhas - 29.fev.24/Reuters A queda nesses indicadores tem preocupado a direção da Netflix. Ela começou depois que a empresa reprimiu o compartilhamento de senhas em 2022 e, a princípio, os executivos presumiram que seria algo de curto prazo, já que menos pessoas estavam usando cada conta. Mas a tendência continuou, elevando o risco de que as pessoas estejam vendo menos valor no serviço ou passando mais tempo com concorrentes. A Netflix aumentou seu orçamento para programação e está avançando em novas categorias, como podcasts e esportes ao vivo, para atrair novos clientes e reter os antigos. A empresa não quis comentar métricas internas. O co-CEO Ted Sarandos disse a analistas em uma teleconferência nesta semana que a audiência, especialmente nos EUA, "simplesmente não está crescendo tão rápido quanto poderia ou quanto gostaríamos". Mas ele e o também co-CEO Greg Peters afirmaram ainda que a empresa está indo bem fora dos EUA e tem um modelo de negócios muito saudável. A queda no uso tem sido moderada e não provocou cancelamentos em massa. A taxa de cancelamento da empresa nos EUA permaneceu estável em 2% e é a melhor do setor, segundo a Antenna, empresa de pesquisa. A Netflix disse nesta semana que os aumentos de preços não causaram nenhum pico anormal de cancelamentos. As ações da Netflix caíram cerca de 29% neste ano, diante das preocupações dos investidores com a desaceleração do crescimento da empresa. A participação geral da Netflix no consumo de TV nos EUA estagnou, à medida que os clientes migram para serviços gratuitos como o YouTube. A empresa registrou seu terceiro trimestre consecutivo de desaceleração no crescimento da receita e projetou nova perda de ritmo no trimestre atual. A Netflix afirmou que as vendas de publicidade neste ano ficarão cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) abaixo das projeções anteriores, o que atribuiu à implementação mais lenta de novos produtos. A Netflix não produziu tantos novos programas de TV e filmes de sucesso quanto em anos anteriores e tem enfrentado dificuldades para atrair espectadores para a segunda e a terceira temporadas de títulos já existentes. Executivos da empresa identificaram várias possíveis razões para a queda no uso, incluindo uma nova interface, maior concorrência, programação de qualidade inferior e escassez de divulgação fora do próprio serviço. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesA Apptopia, empresa que monitora o uso de aplicativos móveis, relatou sinais de que os assinantes da Netflix estão passando menos tempo no serviço. A parcela de assinantes nos EUA que não abriram o aplicativo aumentou 16,6% no terceiro trimestre em comparação com o ano anterior, segundo dados da Apptopia. Sarandos e Peters tentaram conter a crescente preocupação dos investidores afirmando que a empresa estava cumprindo suas metas e destacando uma robusta programação futura. "Duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo", disse Peters em uma reunião geral com funcionários nesta semana. "Temos um negócio invejável, em crescimento e lucrativo. E, ao mesmo tempo, sabemos que ainda há mais trabalho a fazer para impulsionar um crescimento maior." A empresa reagiu à fraqueza nos EUA promovendo mudanças na liderança. No início deste mês, a Netflix demitiu Bela Bajaria, diretora de conteúdo, e Dan Lin, chefe da divisão de filmes, além de cortar 6% do quadro de funcionários. Peter Rice, veterano da Walt Disney Co. e da 21st Century Fox, passará agora a comandar a estratégia de conteúdo da empresa.
Usu�rios da Netflix assistem menos e abrem o aplicativo com menor frequ�ncia
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