� urgente reduzir a influ�ncia pol�tica e econ�mica nas ag�ncias reguladoras, diz CEO da FlixBus

� urgente reduzir a influ�ncia pol�tica e econ�mica nas ag�ncias reguladoras, diz CEO da FlixBus

Embora negue que a postura seja de confronto, Edson Lopes reconhece que a FlixBus trava há anos uma batalha de regulamentação e jurídica com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o órgão regulador do setor. As linhas de transporte rodoviário interestadual obtidas pela multinacional de origem alemã foram por decisões judiciais. O CEO também afirma que companhias interessadas em entrar no segmento sofrem com articulações políticas e ações de nomes tradicionais do mercado. A FlixBus tem cerca de 2 mil pedidos de autorização parados na ANTT. Falta estrutura na agência? Existe um processo de abertura que está demorando demais. Ao contrário da Europa, não temos ferrovias; ao contrário dos EUA, a maioria não tem carro. Então existe muito espaço para o transporte rodoviário crescer. Há demanda clara para isso, mas o processo nunca termina, seja por interesse dos incumbentes, seja por interesses políticos. As linhas que a FlixBus obteve no Brasil foram por via judicial. Trabalhamos em parceria com empresas que já tinham autorização, algo que a própria ANTT validou por muito tempo. No momento em que crescemos, a agência passou a questionar, o que é um absurdo, porque empresas tradicionais fazem a mesma coisa. Sobre mercados que conquistamos, todos foram por via judicial. Não saiu uma única autorização por via administrativa. Temos pedidos parados há anos. A relação com a ANTT é mais de confronto? Judicializar não significa confrontar. No mundo ideal, deveríamos ter regulação mais aberta. Confrontar seria ir contra a instituição, e sempre seguimos a regulação. Mas há um limite até onde uma empresa com boas intenções de investir pode suportar pressão ilegítima do órgão regulador sem acionar o Judiciário. O que a FlixBus espera de mudança regulatória no próximo governo? Uma urgência que temos no país é reduzir a influência política e econômica sobre as decisões das agências reguladoras. Isso não é exclusivo do setor rodoviário. Mas como vivencio isso todos os dias, posso dizer que tenho vários exemplos de decisões que não atendem ao interesse da população, e sim a interesses econômicos de algumas empresas ou a interesses políticos. As empresas tradicionais dizem que a FlixBus não tem os mesmos custos e responsabilidades que elas têm. Eu tenho mais custos. A narrativa é deles. Temos muito menos acidentes por km do que a média do setor. Somos mais seguros. Olhe os impostos: não tenho nenhum problema com o fisco. Não tenho nenhum problema de compliance. Se você for atrás do histórico do setor tradicional, aí sim é terrível. A indefinição quanto à janela extraordinária de abertura pela ANTT traz impacto no plano de investimento no país? A FlixBus vai continuar no Brasil e investindo. Mas é óbvio que essa insegurança jurídica afasta investimentos. Um dia a regra é uma, no outro dia é outra. Isso se aplica no âmbito tributário, mas também na regulação de cada setor. Poucos escapam. Em que pé está a janela extraordinária? Não entendo como esse processo funciona. Dizem que é ordem cronológica. Pelos pedidos que observei, não foi o que aconteceu. Devolvo a pergunta para a agência: qual é a regra para definir a ordem dos pedidos que serão analisados? Qual vai ser a velocidade? Qual é o prazo para que a agência libere todas as linhas solicitadas até 10 de julho, antes da decisão do STF? Vai haver nova janela de pedidos? Nenhuma dessas perguntas foi respondida até agora. Players de baixo custo podem pressionar empresas tradicionais a reduzirem a oferta em rotas menos rentáveis? A oferta SP–RJ, a maior linha interestadual no país, caiu? Os preços subiram e a oferta não caiu. Quase não há linhas novas sendo lançadas. Quando conseguimos abrir alguma, é por via judicial. Linhas são abandonadas porque players sofrem pressão dos maiores. Já vi casos em que a linha é lucrativa para todo mundo, mas players tradicionais decidem quem pode ficar e quem não pode. Raio-X Edson Lopes, 37 São Paulo, 1989 Formado em engenharia pela Universidade Federal do Ceará e pela École Centrale Paris, é também conselheiro da Presidência da República, nomeado em 2023. É investidor anjo e membro de conselhos de startups em diferentes setores. Passou também por Uber, OYO e BCG. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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