Uni�o Europeia avalia seguir Trump e comprar participa��o em projetos de minerais cr�ticos

Uni�o Europeia avalia seguir Trump e comprar participa��o em projetos de minerais cr�ticos

Bruxelas |Financial Times Parlamentares da União Europeia querem que Bruxelas siga a estratégia de Donald Trump e adquira participações em projetos de matérias-primas críticas, em uma iniciativa que acompanha os esforços dos Estados Unidos e do Japão para garantir o fornecimento de minerais essenciais à defesa e às tecnologias limpas. Integrantes do Parlamento Europeu votaram na semana passada a favor da criação de uma agência com poderes para adquirir participações em empresas de matérias-primas quando necessário, a fim de "proteger a segurança do abastecimento da União", formar estoques estratégicos e monitorar o fornecimento em todo o bloco. Homem trabalha em uma mina de metais de terras raras no condado de Nancheng, na China - Stringer - 26.jun.25/Reuters A medida ajudaria a Europa a reduzir sua dependência dos minerais chineses usados em tecnologias críticas, como baterias e tecnologias verdes, além de diminuir sua vulnerabilidade às quedas de preços de elementos essenciais, afirmou Mohammed Chahim, parlamentar social-democrata holandês que lidera a proposta. "Os projetos europeus são muito sensíveis aos preços de mercado e aos preços globais, que podem ser manipulados por grandes agentes globais", disse. Os Estados Unidos e o Japão, países que investiram para garantir o fornecimento desses minerais, "são muito menos vulneráveis", observou. O governo Trump investiu grandes quantias no desenvolvimento de sua cadeia de fornecimento, inclusive por meio da compra de participações em produtores de terras raras. Em julho de 2025, o Pentágono fez um investimento de US$ 400 milhões (R$ 1,99 bilhão) para adquirir uma participação de 15% na produtora americana de terras raras MP Materials, além de conceder um empréstimo de US$ 150 milhões (R$ 747 milhões). Também assinou um acordo de dez anos para estabelecer um preço mínimo de US$ 110 (R$ 548) por quilo de neodímio-praseodímio —combinação de terras raras usada na fabricação de ímãs permanentes para tecnologias como veículos elétricos e robótica — armazenado ou vendido pela MP Materials. A abordagem agressiva adotada pelos Estados Unidos para ampliar seus estoques de minerais críticos levou alguns a alertar que a Europa corre o risco de ficar para trás. Bernd Schäfer, diretor do grupo industrial EIT RawMaterials, afirmou que há o risco de os Estados Unidos "se tornarem uma segunda China para a Europa" em termos de dependência de metais de terras raras. O chamado Centro de Matérias-Primas Críticas da UE receberia 2 bilhões de euros (R$ 11,15 bilhões) do próximo orçamento de longo prazo do bloco. A proposta se inspira na Organização para a Segurança de Metais e Energia do Japão, entidade governamental que busca manter o fornecimento de energia e minerais estável e a preços acessíveis no país. "Fomos inspirados pelo Japão. Não é preciso reinventar a roda. É melhor simplesmente copiá-la", disse Chahim. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Os esforços da UE para garantir sua cadeia de fornecimento têm se concentrado na designação de projetos estratégicos de mineração, processamento e reciclagem, que recebem autorizações mais rápidas, embora não tenham garantia de financiamento público. No início deste mês, o bloco selecionou 46 novos projetos estratégicos, que se somam aos 60 já beneficiados por essas condições. Chahim reconheceu que a proposta exigiria mais recursos de investidores privados, governos nacionais e do Banco Europeu de Investimento para competir com as iniciativas dos Estados Unidos e do Japão. "Se o orçamento continuar em 2 bilhões de euros (R$ 11,15 bilhões), não considero alta a probabilidade de o projeto ter sucesso." A Comissão Europeia planejava apresentar uma proposta legislativa para criar o centro em setembro, mas abandonou a iniciativa. Em vez disso, Chahim adotou uma estratégia incomum: trabalhar com autoridades e outros parlamentares para propor emendas abrangentes à revisão da atual Lei de Matérias-Primas Críticas, que estabelece metas mínimas para a mineração, extração e processamento de minerais na UE. As medidas propostas para criar a agência e permitir a compra de participações acionárias em "circunstâncias excepcionais", porém, também precisarão da aprovação dos países-membros para entrar em vigor. Chahim disse que havia algum ceticismo por parte da Alemanha, da Espanha e de outros países, mas afirmou que, agora, eles estão dispostos a dialogar.

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