A Uber prometeu investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) para expandir sua rede de robotáxis, argumentando que sua força financeira e sua base de mais de 200 milhões de clientes lhe darão vantagem na corrida cada vez mais acirrada para vender veículos autônomos. A empresa de transporte por aplicativo gerou um recorde de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,32 bilhões) em fluxo de caixa livre no segundo trimestre do ano, elevando o total acumulado em 12 meses para cerca de US$ 10,1 bilhões (R$ 51,6 bilhões), à medida que as reservas continuaram crescendo de forma robusta. O diretor-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou que o caixa recorde ajudará a empresa a se tornar a "vencedora de longo prazo em veículos autônomos (AVs)" e que o grupo investirá US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) nos próximos anos para colocar em operação 120 mil veículos sem motorista. "Estamos investindo a partir de uma posição de força, à medida que aceleramos nossa estratégia multiplataforma em escala global e construímos a maior plataforma de veículos autônomos do mundo", disse. "Nossa ambição é clara: tornar-nos a principal plataforma mundial para a comercialização da mobilidade autônoma." A Uber planeja operar serviços de robotáxis em pelo menos 15 cidades ainda este ano, enquanto disputa com a Waymo, da Alphabet, e a Tesla, de Elon Musk, para se tornar o primeiro serviço de robotáxis a ser lançado em grandes mercados. Mais cedo, na quarta-feira (5), a Uber anunciou que sua parceira britânica Wayve recebeu autorização da Transport for London (TfL) para lançar um serviço comercial de robotáxis com um motorista de segurança ao volante. "Acredito que esta seja a primeira licença do Reino Unido para uma tecnologia de veículos autônomos operar e um grande avanço para o país", disse Alex Kendall, diretor-executivo da Wayve, acrescentando que isso deverá permitir que as duas empresas ofereçam corridas aos moradores de Londres "em questão de semanas". A TfL informou que aprovou 15 veículos Ford Mustang Mach-E modificados pela Wayve. As ações da Uber enfrentaram pressão no último ano em meio ao temor de que seu serviço de transporte por aplicativo seja impactado pelos robotáxis. Os ativos acumulam queda de 13% em 2026. A empresa encerrou seu projeto interno de veículos autônomos em 2020 como parte de uma estratégia de redução de custos. No entanto, ao longo do último ano, passou a se reposicionar como a principal intermediária para o número crescente de startups de veículos autônomos que surgem ao redor do mundo. O novo compromisso também ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Uber e a Waymo, com quem a empresa de transporte havia firmado parceria em alguns mercados dos Estados Unidos. No mês passado, foi informado que as duas empresas pretendem encerrar sua parceria em Austin e Atlanta em 2028, enquanto travam uma intensa disputa de lobby sobre o futuro da implantação de veículos autônomos. A Uber assumiu compromissos significativos para investir em frotas de veículos e adquirir participações em empresas como Zoox, Rivian e Lucid —um movimento que representa um afastamento de seu modelo de negócios baseado na economia de plataformas ("gig economy"), com poucos ativos próprios. A empresa também está colocando em circulação centenas de veículos equipados com sensores para coletar dados destinados a seus parceiros no setor de veículos autônomos. Ao divulgar os resultados financeiros do trimestre encerrado em 30 de junho, a Uber informou que as reservas brutas —indicador dos gastos dos clientes em todas as unidades de negócios da companhia— cresceram 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 58 bilhões (R$ 296,4 bilhões), acima das estimativas dos analistas. A receita aumentou 12%, para US$ 14,2 bilhões (R$ 76,7 bilhões), mas ficou ligeiramente abaixo das expectativas devido a um impacto contábil de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,9 bilhões), previamente divulgado, relacionado a mudanças na legislação do Reino Unido. A Uber registrou US$ 1,9 bilhão (R$ 10,3 bilhões) em lucro operacional no segundo trimestre, resultado um pouco inferior ao esperado após reservar US$ 141 milhões (R$ 761 milhões) para contingências judiciais. A empresa projetou um Ebitda ajustado entre US$ 2,86 bilhões (R$ 15,4 bilhões) e US$ 2,96 bilhões (R$ 16 bilhões) para o terceiro trimestre. Também estimou reservas brutas entre US$ 58,25 bilhões (R$ 314,6 bilhões) e US$ 60,25 bilhões (R$ 325,4 bilhões). Ambas as projeções ficaram, em linhas gerais, em linha com as expectativas do mercado. O diretor financeiro da Uber, Balaji Krishnamurthy, afirmou que a empresa continuará utilizando seu balanço para investir em crescimento, destacando a oferta de 13 bilhões de euros (R$ 81,9 bilhões) para adquirir a concorrente alemã Delivery Hero. A Uber revelou na quarta-feira (5) que já havia pago cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,6 bilhões) por uma participação de 37% na empresa antes de apresentar uma proposta formal de aquisição. O acordo com a Delivery Hero permitirá à Uber ampliar sua presença em diversos mercados de alto crescimento, incluindo Europa e Oriente Médio.
Uber promete investir US$ 10 bilh�es para vencer a corrida dos carros aut�nomos
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