Turquia diz que mercados de carbono ocupar�o seu 'devido lugar' na COP31

Turquia diz que mercados de carbono ocupar�o seu 'devido lugar' na COP31

Os governos serão pressionados, na conferência climática anual das Nações Unidas, a ajudar a impulsionar a demanda por créditos de carbono e a viabilizar mais de US$ 50 bilhões (R$ 255 bilhões, na cotação atual) por ano em financiamento adicional para que economias em desenvolvimento enfrentem desafios como a redução de emissões. O objetivo de ampliar o uso dos mercados de carbono é liderado pela Turquia, país anfitrião da COP31, que será realizada na cidade de Antália em novembro. "Mobilizar capital privado na velocidade e na escala necessárias significa garantir que todas as ferramentas disponíveis sejam usadas de forma eficaz, e os mercados de carbono estão entre as mais subutilizadas", afirmou em entrevista Murat Kurum, ministro do Meio Ambiente do país e presidente da conferência. "Queremos que os mercados de carbono ocupem seu devido lugar na arquitetura do financiamento climático." Para facilitar esse objetivo, a Turquia confirmou na última quinta-feira (6) que aderiu à Coalizão para Expandir os Mercados de Carbono, iniciativa criada no ano passado e liderada por países como Reino Unido, Quênia e Singapura para reforçar a demanda empresarial por créditos de carbono de alta integridade. A medida dá continuidade à promulgação, no ano passado, da primeira lei climática do país, que estabeleceu a base jurídica para a criação de um sistema doméstico de comércio de emissões de gases de efeito estufa. Projetos que geram créditos por meio do sequestro de carbono são vistos por seus defensores como um instrumento essencial para captar financiamento climático. No entanto, essa tese vem sendo posta à prova nos últimos anos, em meio a uma série de escândalos quanto à integridade dos projetos que afastaram potenciais compradores e à redução, em muitas regiões, da ambição das empresas de conter as emissões. As compras de créditos de carbono caíram 28% em julho e estão no menor nível acumulado do ano desde 2021, informou a BloombergNEF em relatório divulgado no final de julho. Embora diversas iniciativas para expandir o mercado de carbono tenham avançado nos últimos anos, a coalizão representa a primeira vez que governos "se uniram especificamente para intervir e desenvolver o mercado", disse Kurum. Essa é uma distinção importante porque os governos "têm capacidades únicas para transformar o mercado", afirmou. Eles não apenas "oferecem a orientação política e regulatória capaz de inspirar confiança às empresas", como também "estão criando as condições para ampliar a demanda por créditos de carbono", disse. Segundo o chefe da COP31, se os governos conseguirem estabelecer "um ambiente de políticas que efetivamente favoreça a demanda", o crescimento do mercado voluntário de carbono poderá gerar mais de US$ 50 bilhões por ano em financiamento adicional e sem endividamento até 2030 —grande parte destinada à redução e à remoção de emissões e à proteção da natureza em economias emergentes e em desenvolvimento. No ano passado, o Brasil criou uma rede voltada ao fortalecimento dos mercados globais regulados de carbono, quando sediou a rodada de 2025 das negociações climáticas da ONU, a COP30, em Belém (PA). Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas A Turquia também pretende fazer da ampliação da adoção de energia limpa um dos principais focos da presidência da COP31, disse Kurum. "Os esforços para destravar o potencial dos mercados de créditos de carbono" ajudarão a alcançar esse objetivo, afirmou. Kurum disse que a COP31 também deve ajudar a levar um mecanismo internacional de créditos de carbono supervisionado pelas Nações Unidas "decisivamente à plena implementação". Ele espera "um avanço construtivo nas questões operacionais restantes" do sistema, que permitirá a negociação de créditos entre países nos termos do Artigo 6º do Acordo de Paris. Outro resultado importante da COP31 para os mercados de carbono será o lançamento do manual de políticas da coalizão. De acordo com o ministro turco, o documento apresentará as opções de políticas de maior impacto que os governos poderão adotar para dar aos investidores a confiança necessária para ampliar as compras destes créditos. Em comunicado, a Coalizão informou que Gana e Luxemburgo também aderiram à iniciativa, ao lado da Turquia, elevando para 14 o total de membros, entre os quais também estão França e Indonésia.

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