Hong Kong Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos em poder da China caíram ao menor nível desde agosto de 2008, ilustrando uma mudança na gestão das reservas por Pequim e o aprofundamento da rivalidade entre as duas maiores economias do mundo. O valor da dívida do governo dos EUA em poder de investidores chineses, conforme registrado por bancos e instituições de custódia americanas, caiu para US$ 618 bilhões (R$ 3,18 trilhões) em julho, segundo dados do Tesouro. No pico, em novembro de 2013, a China detinha mais de US$ 1,3 trilhão (R$ a converter) em títulos da dívida soberana americana. O menor nível em 18 anos evidencia a crescente divergência entre os dois países, que enfrentam pressões econômicas distintas. Investidores chineses têm reduzido compra de títulos soberanos dos EUA enquanto elevam apostas em ativos como ouro - Hector Retamal - 01.jun.26/AFP Os EUA têm registrado elevados déficits fiscais em meio à inflação mais alta, enquanto a China enfrenta a desaceleração do crescimento econômico e pressões deflacionárias, ao mesmo tempo que acumula superávits comerciais recordes. No passado, grande parte desses superávits era reinvestida em títulos do Tesouro dos EUA. A redução das posições chinesas nos Treasuries faz parte de "uma tendência global de diversificação para o ouro e títulos de agências, além de outros ativos, como ações, especialmente com o boom da inteligência artificial", afirmou Wei Li, chefe de investimentos em múltiplos ativos da BNP Paribas Securities na China. Analistas acreditam que a China também mantém uma parcela crescente de seus ativos americanos por meio de instituições de custódia terceirizadas, entre elas a Euroclear, na Bélgica, e a Clearstream, em Luxemburgo, o que dificulta determinar o nível real dessas posições. Ainda assim, os dados oficiais do Tesouro divulgados na quarta-feira (16) apontam para a redução gradual das posições oficiais da China, à medida que o país diversifica seus investimentos para ativos como ouro e títulos de agências dos EUA — papéis lastreados em hipotecas e garantidos pelo governo americano. A redução dos investimentos chineses se acelerou depois que os EUA congelaram as reservas russas no exterior, após a invasão da Ucrânia por Moscou, em 2022, diante do temor de Pequim de que medidas semelhantes pudessem ser adotadas contra o país no futuro. A redução das posições chinesas também pode refletir movimentos do mercado. O FT informou nesta semana que investidores estrangeiros agora compram mais ações americanas do que títulos do governo, um sinal do poder de atração do mercado acionário impulsionado pela IA e uma possível indicação de preocupação com a condição de ativo "livre de risco" dos títulos do Tesouro. Os fluxos internacionais para ações dos EUA atingiram, em média, 2,8% do PIB americano no período de 12 meses até junho, superando pela primeira vez neste século os títulos do Tesouro, que ficaram em 2% — com exceção de breves episódios durante a pandemia de Covid-19 e após a crise financeira global —, segundo análise do Deutsche Bank. "O movimento da China serve principalmente para mostrar aos EUA que o país pode se desfazer dos títulos do Tesouro", afirmou Alicia García Herrero, economista-chefe para a região Ásia-Pacífico do banco de investimento Natixis. Ela acrescentou que os investidores globais demonstram preocupação crescente com o nível da dívida dos EUA, que ultrapassou US$ 40 trilhões (R$ 206,2 trilhões) no mês passado. Enquanto isso, a alta dos rendimentos dos títulos do governo japonês atraía os investidores do Japão de volta ao mercado doméstico, o que poderia elevar ainda mais os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, acrescentou ela. A China, hoje a terceira maior detentora de títulos do Tesouro dos EUA, atrás do Japão e do Reino Unido, acumulou sua reserva de dívida americana como resultado de décadas de superávits comerciais, o que tem sido um ponto sensível para o presidente Donald Trump. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões
T�tulos do Tesouro dos EUA em poder da China caem ao menor n�vel desde 2008
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