T�tulos de d�vida de longo prazo dos EUA caem apesar de interven��o do Tesouro

T�tulos de d�vida de longo prazo dos EUA caem apesar de interven��o do Tesouro

Os títulos de dívida de longo prazo do governo dos Estados Unidos sofreram uma nova onda de vendas nesta quinta-feira (20), depois que a intervenção do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para sustentar o mercado não conseguiu acalmar a apreensão dos investidores. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos subiu 0,06 ponto percentual, para 5,24%, nas negociações em Nova York nesta quinta. O movimento reverteu a maior parte da queda de 0,09 ponto percentual registrada após o anúncio do Tesouro na quarta-feira (19). O Tesouro afirmou nesta quarta que iria "pelo menos dobrar" suas compras de títulos com vencimento entre 10 e 30 anos, elevando essas operações de US$ 2 bilhões para "pelo menos" US$ 4 bilhões. "Não acreditamos que isso [a intervenção] possa funcionar isoladamente", disse Eoin Walsh, gestor de portfólio da TwentyFour Asset Management. "Intervenções como essa parecem um curativo", afirma. Outros títulos de dívida de grandes economias também foram vendidos. O rendimento dos gilts britânicos de 30 anos subiu 0,02 ponto percentual, para 5,81%, depois de cair 0,05 ponto percentual na quarta-feira (19). Bessent voltou a tentar aliviar as preocupações nesta quinta, argumentando que o mercado havia "se adiantado um pouco" e sinalizando que o governo anunciaria nos próximos dias uma nova iniciativa para reduzir o déficit orçamentário. "Acreditamos que há muitos fatores subjacentes que o mercado não está levando em consideração", disse em entrevista à CNBC. O secretário do Tesouro afirmou que há uma "chance muito boa" de que o déficit tenha atingido seu pico e disse que novas receitas provenientes de tarifas e o combate a fraudes planejado pelo vice-presidente JD Vance ajudariam a reforçar as receitas do governo. Mas a intervenção de Bessent teve impacto limitado. Papéis da dívida do governo americano voltaram a sofrer uma modesta onda de vendas após seus comentários, deixando os rendimentos pouco abaixo das máximas registradas mais cedo. O dólar americano, que havia caído acentuadamente após o anúncio de quarta-feira (19), continuou sua trajetória de queda nesta quinta. Um índice que mede o valor da moeda americana ante uma cesta de outras divisas recuou até 0,3%, depois de cair 0,8% na quarta-feira. Mais tarde, recuperou cerca de metade das perdas registradas no início do pregão e passou a operar em baixa de 0,1%. A venda de títulos nesta quinta-feira evidencia a profunda preocupação dos investidores com o crescente endividamento público dos Estados Unidos e com a capacidade das autoridades econômicas de conter a disparada da inflação provocada pela guerra no Irã. Essas preocupações têm pesado especialmente sobre os títulos de prazo mais longo nos últimos meses. Analistas de Wall Street, muitos dos quais foram surpreendidos pelo plano de recompra do Tesouro, disseram que a medida provavelmente não será grande o suficiente para compensar as preocupações dos investidores. "Sem uma mudança em direção à consolidação fiscal —impostos mais altos, um ritmo mais lento de gastos do governo ou uma redução efetiva das despesas, como ocorreu nos anos 1990—, as recompras se mostrarão apenas temporárias", disse Joe Brusuelas, economista-chefe da empresa de serviços profissionais RSM US. Bessent disse à CNBC nesta quinta que havia uma "chance muito boa" de que os Estados Unidos começassem a reduzir seu déficit fiscal. "Acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes", afirmou. "Acreditamos que a liquidez, especialmente no prazo de 30 anos, é muito baixa." Bessent também reiterou que as recompras do Tesouro "podem ser superiores a US$ 4 bilhões por emissão", em linha com o anúncio feito na quarta-feira. A dívida nacional dos Estados Unidos atingiu o recorde de US$ 40 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro divulgados nesta quarta. O governo vem registrando déficits equivalentes a cerca de 6% do PIB nos últimos anos e não deve reduzi-los tão cedo, devido aos cortes de impostos de Trump e à promessa de aumentar os gastos com defesa em mais de 50%, para US$ 1,5 trilhão por ano. Analistas do MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group) disseram haver a percepção de que o anúncio não programado do Tesouro "carecia de um plano estratégico". "O perigo agora, após esse anúncio [...] é que ele se mostre contraproducente e leve a uma redução do apetite por manter ativos americanos, a uma redução do interesse pela exposição ao dólar ou a ambos", disseram. Eles acrescentaram que Bessent não estaria seguindo o próprio conselho de se concentrar nas políticas, em vez de sinalizar ações ao mercado, ao deixar de reduzir o déficit fiscal americano por meio de uma consolidação das contas públicas. Keith Patton, chefe global de juros e renda fixa sem restrições da Columbia Threadneedle Investments, disse que o plano anunciado por Bessent era "minúsculo" em comparação com as políticas do Fed (Federal Reserve). "Essas intervenções só funcionam se forem acompanhadas de iniciativas importantes de política econômica, especialmente em relação aos gastos", afirmou. Não se esperava uma redução das despesas no "futuro previsível", acrescentou. Kit Juckes, chefe global de estratégia cambial do Société Générale, disse que ainda era "discutível" se o anúncio do Tesouro conseguiria manter os rendimentos sob controle. "À medida que o nível da dívida pública dos Estados Unidos chega a 100% do PIB e os déficits orçamentários permanecem elevados", a disposição dos investidores estrangeiros de comprar ativos americanos "será uma questão cada vez mais importante", afirmou. Juckes acrescentou que isso "forçará os Estados Unidos a apertar a política fiscal, aceitar custos de financiamento mais altos ou permitir que o dólar se enfraqueça. Não é preciso ser um gênio para adivinhar qual solução o mercado agora considera mais provável."

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