O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) termina as eleições sob foco por decisões conflitantes entre seus ministros e com um reforço inédito na segurança dos magistrados. A situação se tornou mais tensa já na reta final do primeiro turno, quando a ministra Estela Aranha decidiu, em 1o de outubro, proibir a TV Globo de exibir um púlpito vazio com a identificação de Lula, que não compareceu ao debate da emissora.O evento acabou cancelado depois que Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não compareceria, decisão tomada após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes determinou que o candidato Renan Santos (Missão) deveria participar do confronto. Na sequência da decisão, a magistrada passou a sofrer ataques pessoais pesados nas redes sociais, a ponto de entidades brasileiras de juristas, advogados e lideranças femininas saírem em sua defesa denunciando os ataques como aviltantes e machistas. O setor de segurança do TSE, então, recomendou ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que providenciasse escolta permanente para a ministra, ameaçada inclusive de morte das redes. Ela passou então a ser acompanhada por seguranças em todos os lugares. Por recomendação da área técnica, o ministro Floriano de Azevedo Marques também passou a andar com escolta. Já os três ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que integram a corte eleitoral —Dias Toffoli, André Mendonça e o próprio Kassio Nunes Marques —têm segurança permanente garantida pelo Supremo. Como mostrou a Folha, em meio à disputa presidencial mais acirrada da redemocratização, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deslocou o foco de crise no Judiciário para si e assumiu uma postura de protagonismo na reta final das eleições. Desde o início da campanha, em 16 de agosto, até o primeiro turno, no último dia 4, a corte eleitoral havia se mantido a maior parte do tempo ofuscada pelas disputas internas que tomaram palco no STF (Supremo Tribunal Federal) em decorrência do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.Até então, integrantes das campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) vinham classificando a atuação do TSE como equilibrada. Havia ressalvas apenas a algumas decisões, como a ordem da ministra Estela Aranha que beneficiou o petista e proibiu a TV Globo de mostrar seu púlpito vazio no debate –depois cancelado. Levantamento da Folha publicado após o primeiro turno, por exemplo, mostrou que o tribunal presidido por Kassio, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deu mais vitórias a Lula do que a Flávio Bolsonaro no período. Na segunda etapa do pleito, porém, a disputa jurídica entre as campanhas ganhou novos contornos, e o TSE virou o foco de atritos entre os próprios ministros e as campanhas dos presidenciáveis. O tribunal também se viu diante de acusações das equipes de Lula e de Flávio de que as big techs, especialmente a Meta, estariam favorecendo um ou outro candidato. Parte das decisões controversas foi tomada em relação ao canal "Exército do Lula" no WhatsApp, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que se incumbiu de ampliar a tropa digital do atual presidente. O grupo, que tinha cerca de 2 milhões de inscritos até 7 de outubro e agora acumula 10 milhões, virou alvo da equipe jurídica liderada pela ex-ministra Maria Cláudia Bucchianeri e chegou a ser atendido por Kassio. A retirada do canal do ar abriu uma guerra de decisões sobre o tema. Isso porque, antes de Kassio suspender o grupo, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, já havia negado a medida. Cueva, então, deu uma nova decisão restabelecendo o canal, o que foi mais uma vez revertido por Kassio. Depois da censura, o presidente do TSE determinou que o canal só poderia voltar a funcionar se fosse registrado no tribunal pela equipe de Lula. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
TSE termina elei��o sob foco e com ministra escoltada por seguran�as
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