O presidente Donald Trump perguntou ao líder chinês, Xi Jinping, se ele gostaria de comprar armas dos Estados Unidos, afirmou David Perdue, embaixador americano na China, em uma entrevista à televisão neste domingo (27). "O presidente Trump continua dizendo: ‘Olha, vendemos armas para outras pessoas no mundo todo’", afirmou Perdue no programa "Fox News Sunday", ao comentar a visita de Estado de Xi a Washington na semana passada. "Em determinado momento, ele chegou a perguntar ao presidente Xi se gostaria de comprar algumas." Perdue não deu mais detalhes nem revelou a resposta de Xi. A admissão de que o presidente dos EUA se ofereceu para vender armas à China é extraordinária. A nação controlada pelo Partido Comunista é considerada pela maioria dos formuladores de políticas e legisladores americanos de ambos os partidos como a maior rival militar, econômica e diplomática dos EUA e a única verdadeira desafiante à posição de Washington como superpotência global. Questionada, a Casa Branca afirmou, por meio de uma autoridade americana, que os EUA não tinham planos de vender armas à China. O Departamento de Estado declarou, em nota, que "a legislação dos EUA proíbe a venda de armas à China, e não há oferta nem plano de vender armas à China". A Embaixada chinesa em Washington não respondeu a um pedido de comentário do New York Times. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A China tem as Forças Armadas que mais crescem no mundo e, há décadas, autoridades americanas de diferentes gestões, inclusive da atual, alertam para um possível confronto militar entre as duas potências nucleares na região da Ásia e do Pacífico, sobretudo em razão da ilha de Taiwan ou das ações agressivas de Pequim em territórios reivindicados por aliados dos EUA nos mares do Sul e do Leste da China. Empresas chinesas de defesa, com a aprovação do regime chinês, apoiam adversários dos EUA, entre eles Irã e Rússia, vendendo-lhes equipamentos de uso duplo e imagens de satélite, além de planejarem a exportação clandestina de armas, segundo autoridades americanas. Os EUA impuseram sanções a algumas empresas chinesas. Os EUA têm sido a potência militar dominante na região da Ásia e do Pacífico, mas essa força está diminuindo em relação à da China, especialmente porque o governo Trump desvia recursos da região para empregá-los em sua guerra contra o Irã. Nos últimos anos, a indústria de defesa americana também tem enfrentado dificuldades para fabricar sistemas de armas em um ritmo considerado suficiente por autoridades dos EUA para atender às necessidades globais. "Se havia alguma dúvida sobre se o presidente Trump considera a China uma ameaça à segurança, essa revelação do embaixador Perdue encerra a questão", escreveu nas redes sociais Ryan Hass, ex-diplomata de carreira e ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca que dirige o centro sobre a China da Brookings Institution. "A oferta de Trump de vender armas à China será motivo de preocupação para os parceiros dos EUA que estão na linha de frente diante da ofensiva chinesa", acrescentou. Entre esses parceiros estão Filipinas, Japão e Taiwan, a ilha que Pequim considera parte de uma única China, mas que tem governo autônomo e próximo dos EUA. Trump vem retendo uma venda de armas de US$ 14 bilhões a Taiwan, embora o governo dos Estados Unidos seja obrigado por lei, desde 1979, a enviar armamentos de caráter defensivo à ilha. O mais recente pacote de armas foi elaborado por autoridades do Departamento de Estado e aprovado por líderes do Congresso no início deste ano, mas desde então está parado no departamento, segundo o New York Times. Em maio, senadores enviaram uma carta bipartidária a Trump pedindo que ele desse prosseguimento à venda. Na quarta-feira, horas antes de Xi chegar a Washington, quatro senadores republicanos, liderados pelo senador Mitch McConnell, do Kentucky, enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, e ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, fazendo o mesmo pedido. Eles também pressionaram os dois a liberar US$ 300 milhões em ajuda para a compra de armas que o Congresso já havia aprovado para Taiwan, além de US$ 1 bilhão para a Iniciativa de Cooperação de Segurança de Taiwan, um programa de defesa dos EUA. Quando um entrevistador da Fox News perguntou a Perdue, no domingo, sobre a preocupação generalizada com a retenção das vendas de armas e da ajuda militar a Taiwan, o embaixador ressaltou que Trump havia aprovado US$ 11 bilhões em vendas de armas à ilha no ano passado. E afirmou que "há conversas em andamento sobre outras vendas. Ele e o presidente Xi falam sobre isso toda vez que se reúnem". Foi então que Perdue disse que Trump havia argumentado que os EUA vendem armas a "outras pessoas no mundo todo" e oferecido esse tipo de venda a Xi. A China afirmou que Xi disse a Trump ser contrário à venda de armas dos EUA nidos a Taiwan. Em maio, após deixar uma cúpula com o líder chinês em Pequim, Trump disse a jornalistas que havia discutido as vendas de armas a Taiwan com Xi "em muitos detalhes". Essas conversas, cuja existência Perdue destacou em suas declarações no domingo, violam um documento de 1982 no qual os EUA concordaram em ampliar seu apoio a Taiwan; uma das garantias estabelecia que Washington "não concordou em consultar" a China sobre vendas de armas a Taiwan. Questionado em maio sobre esse compromisso, Trump respondeu: "Bem, acho que os anos 1980 estão muito longe. É uma distância enorme". Em uma entrevista à Fox News gravada em maio, quando estava em Pequim, Trump afirmou que estava segurando as vendas de armas a Taiwan porque elas eram uma "ótima moeda de troca" nas negociações com a China. Após a cúpula da semana passada, Trump disse que ele e Xi não conversaram muito sobre Taiwan. "Por enquanto, está tudo bem", afirmou. "As coisas estão simplesmente seguindo seu curso."
Trump ofereceu vender armas � China em conversa com Xi, diz embaixador americano
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