Com o aval do presidente americano Donald Trump, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) ampliou o alcance da política anti-imigratória, cuja brutalidade contradiz a essência de uma nação erguida por estrangeiros e ancorada na democracia. Nas últimas semanas, imigrantes que circulavam por cerca de 15 aeroportos americanos foram detidos por agentes à paisana do ICE. Os alvos tinham vistos vencidos no passaporte, mas aguardavam a resposta oficial a pedidos de extensão do prazo ou de green cards, muitos deles inclusive munidos de autorização legal de trabalho no país. As operações sugerem cooperação entre a agência e a Administração de Segurança de Transportes (TSA). Esta não é a primeira articulação de entes governamentais em prol da meta de Trump de prender 2.000 imigrantes por dia e deportar um milhão ao ano. O compartilhamento de 460 mil dados sobre menores desacompanhados e seus responsáveis pelo Escritório de Reassentamento de Crianças (ORR) permitiu ao ICE prender 12 mil estrangeiros desde janeiro do ano passado. Criado há 46 anos, o ORR tem por missão acolher e realocar refugiados de conflitos armados e perseguições. A agressividade da política de Trump obteve respaldo da Suprema Corte em junho, quando o tribunal permitiu bloquear a entrada de estrangeiros em busca de refúgio pela fronteira com o México e retirar o status humanitário de cidadãos do Haiti e da Síria, que os protegia da deportação. Por ora, segue intocada pela Justiça a aplicação de multa de US$ 998 por dia de permanência irregular a cerca de 100 mil estrangeiros notificados por carta. Contudo, em uma rara imposição de limites à Casa Branca, a Suprema Corte reiterou o direito dos filhos de imigrantes indocumentados nascidos no país à cidadania americana. Trump conduz a pauta em sintonia com o eleitorado conservador e ignora seus desdobramentos. Estudo recente da Universidade da Pensilvânia concluiu que a deportação anual de 10% dos imigrantes entre 2025 e 2028 encolherá a atividade econômica, elevará o déficit público e reduzirá a média salarial no país. Se pouco lhe importa o quanto sua escolha de transformar 12 milhões de imigrantes indocumentados em "inimigos da nação" corrói a democracia americana, Trump deveria ao menos atentar-se para impacto sobre a economia real —historicamente, um termômetro de votos e pilar do poderio dos EUA. editoriais@grupofolha.com.br
Trump escala a trucul�ncia contra imigrantes
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